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Transferência de Aprendizagem do Futebol para a Escola

É sabido que o futebol escolar, além de proporcionar atividade física e diversão, pode ser um aliado valioso na educação formal. Este mês, um estudo publicado na revista científica Physical Education and Sport Pedagogy, destacou quatro áreas principais de transferência de aprendizagem entre o futebol escolar e e o ensino formal na escola, em crianças ainda na iniciação esportiva.

O estudo foi conduzido por Abel Merino Orozco, do Departamento de Ciência da Educação da Universidade de Burgos na Espanha, juntamente com seus colaboradores; com o título Exploring socio-educational learning transfer between school and non-formal school football in six- and seven-year-old children, em tradução livre: “Explorando a transferência de aprendizagem socioeducativa entre o futebol escolar e o futebol escolar não formal em crianças de seis e sete anos de idade

Os pesquisadores buscaram compreender as principais implicações educativas na transferência de aprendizagens entre o ambiente não formal do futebol escolar e a escola, de forma a procurar a otimização das estratégias de apoio. Os autores acompanharam 57 escolares de seis anos e 44 escolares de sete anos, durante o primeiro e segundo ano de participação no futebol, por meio de observação além de entrevistas com professores, monitores e familiares.

E como resultado, o estudo destacou quatro áreas principais de transferência de aprendizagem entre o futebol e a escola:

1. Quase-escola

O futebol funciona como uma “quase-escola”, onde os conteúdos aprendidos em sala se conectam com a prática esportiva. Valores como disciplina, trabalho em equipe e fair play ganham vida no gramado, reforçando o que é ensinado em sala de aula.

2. Socialização

O esporte é um terreno fértil para o desenvolvimento de habilidades sociais. O futebol escolar cria um complexo network de relações, onde as crianças aprendem a colaborar, respeitar diferenças e lidar com hierarquias baseadas em habilidades.

3. Construção de identidade competitiva

O futebol contribui para a formação da identidade da criança, moldando sua autoestima e capacidade de adaptação a diferentes papéis dentro da equipe. A gestão das emoções, o entendimento de moralidade competitiva e a autoavaliação são aspectos trabalhados durante os jogos e treinos.

4. Autoavaliação

A avaliação no futebol costuma ser focada em resultados e desempenho individual. As crianças internalizam essa perspectiva, criando seus próprios padrões de autoavaliação baseados em conquistas quantificáveis e contribuição para o time.

O futebol escolar tem o potencial de ser muito mais do que apenas um passatempo. Ao utilizá-lo como ferramenta complementar à educação formal, podemos contribuir para o desenvolvimento integral das crianças, formando cidadãos conscientes, responsáveis e socialmente engajados.

Para otimizar esse processo de aprendizagem, o estudo ressalta a importância da comunicação entre escola, família e monitores esportivos. O trabalho conjunto desses agentes educacionais é fundamental para potencializar o impacto positivo do futebol na formação das crianças.

Conclusões e Recomendações

Além dos resultados do estudo, outras recomendações são importantes para treinadores e professores dos anos iniciais.

Por exemplo, o Futebol pode gerar discussões e desentendimentos. É importante que pais, professores e monitores estejam preparados para mediar esses conflitos, transformando-os em oportunidades de aprendizado sobre resolução de problemas e empatia.

Outro destaque é que se deve desenvolver habilidades sociais, uma vez que o esporte pode ser um catalisador para o desenvolvimento de habilidades essenciais, como comunicação, liderança e cooperação. É importante criar um ambiente inclusivo e respeitoso, onde todas as crianças se sintam acolhidas e valorizadas.

A competição saudável é também destacado. Nessas idades, deve-se utlizar a competição como uma ferramenta e não um fim. A vitória é importante, mas não é tudo. É fundamental ensinar às crianças a valorizar o esforço, o respeito ao adversário e o espírito de equipe, construindo uma visão equilibrada da competição.

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Fonte do Artigo

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Como fazer uma análise tática do adversário no Futsal

Devo lembrar a você leitor que recentemente publicamos um texto aqui no blog sobre futebol denominado: como criar um relatório de análise tática do adversário. Portanto, hoje vamos falar sobre como realizamos uma análise tática do adversário no Futsal?

Análise tática do adversário no futsal

Primeiramente, podemos dizer que sim, o exemplo de relatório do texto citado pode ser considerado para o Futsal. Contudo, devemos nos atentar às especificidades do Futsal perante o Futebol.

Dessa maneira, recomendamos vivamente a leitura do texto: quais as principais diferenças técnicas entre o Futsal e Futebol. Pois, acreditamos que a compreensão do conteúdo citado poderá auxiliar na adaptação na construção do relatório de análise tática do adversário.

Do mesmo modo, o livro de Rui Rodrigues denominado “Treinar Futsal” propõe algumas perguntas para cada fase do jogo (defesa e ataque) de modo a contemplar uma ficha de análise tática do adversário no futsal.

Ataque

Neste sentido, separamos alguns tópicos que devemos prestar atenção ao analisar o jogo no fase de ataque.

  • O adversário joga organizado, faz leitura de jogo?
  • O adversário prefere o ataque rápido ou pausado?
  • Qual a zona da quadra preferida para o adversário atacar / por onde ataca mais?
  • Jogam em contra-ataque? Quando? Qual tipo?
  • O que há de melhor no ataque adversário?
  • O que há de pior no ataque adversário?
  • Contra qual defesa o ataque é mais eficiente?
  • Qual o jogador municiador e organizador do ataque?
  • Quem toma a responsabilidade na finalização ou concretização da ação de ataque?
  • Que tipo de defesa pode ser eficaz contra este adversário?

Defesa

Portanto, aqui, separamos alguns tópicos que devemos prestar atenção ao analisar o jogo no fase de defesa.

  • Quais os sistemas defensivos que a equipe aplica?
  • Qual a melhor defesa e qual a defesa que joga mais tempo?
  • Qual a pressão na bola e onde começa a pressão?
  • Quais linhas de passe o adversário tenta fechar?
  • A equipe joga em pressão? Qual tipo de pressão?
  • Qual a qualidade da transição defensiva?
  • O que há de melhor na defesa do adversário?
  • O que é pior na defesa do adversário?
  • Há jogadores lentos na defesa?
  • Qual ataque será eficiente contra eles?

Textos complementares para análise tática no futsal

Além disso, é importante destacarmos outras produções sobre análises de desempenho e tática presentes aqui no blog:

Assim, os textos mencionados nos dão uma excelente base para introduzir conceitualmente o papel do analista de desempenho de uma equipe. Portanto, considerando as devidas especificidades entre os esportes, o conteúdo exposto é de suma importância para quem se interessa pela área de análise de desempenho no Futsal.

Por fim, destacamos que em diversas competições, tanto profissionais como amadoras, o nível dos atletas se assemelham. Desse modo, qualquer informação extra dos adversários é de grande valia para uma equipe bem organizada. Além disso, destacamos a importância do analista de desempenho neste contexto, dado que um modelo de relatório de análise tática bem organizado pode influenciar positivamente nas pretensões da equipe para a temporada.

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Como ser scout de futebol?

O Scouting é uma área em franca ascensão no futebol. E por isso, cada vez há mais interessados em ingressar nesta vertente de observação de jogadores, quer seja para clubes, agências de representação de jogadores ou para empresas prestadoras de outros serviços de observação. Neste texto não passaremos uma “receita” de como ser scout de futebol, visto que ela não existe. No entanto, falaremos o que os empregadores na área do Scouting procuram e valorizam.

O que os clubes e agências procuram num scout de futebol?

Muitas das características que os clubes e agências procuram num scout de futebol são idênticas, quer sejam elas técnicas (ao nível do conhecimento), sociais ou psicológicas.

Algumas das características valorizadas num scout são:

  • Bom conhecimento do jogo e do treino;
  • Boa capacidade de análise individual e coletiva;
  • Formação e capacitação, estando em constante aprendizagem;
  • Proatividade;
  • Ambição e Autocrítica;
  • Pessoas motivadas e resiliente;
  • Capacidade de adaptação;
  • Disponibilidade de tempo;
  • Isento e imparcial;
  • Organizado;
  • Discreto.

Em caso de candidatura espontânea, quem abordar?

Muitas das candidaturas que os clubes e agências recebem são espontâneas, ou seja, não provém de uma oferta de emprego, mas sim de um contato direto com algum responsável da entidade. Então, exploraremos um pouco sobre quem abordar quando você for realizar uma candidatura espontânea.

Em caso de clube:

No caso de um clube, há diversas pessoas que podemos abordar. No sentido de integrar o departamento de Scouting, no entanto, destacaremos duas pessoas mais indicadas para receberem a candidatura.

Chief de scout / Coordenador de scouting

A pessoa mais indicada para abordar sobre a possibilidade de integrar o departamento de Scouting de um clube é o Coordenador de Scouting ou Chefe de Scout, porque ele é o responsável do departamento de observação individual de um clube.

Diretor Esportivo

O diretor esportivo é uma das figuras mais importantes do clube, tanto ao nível da tomada de decisão como de influência ao nível esportivo. Além disso, ele está em contato direto com o coordenador de Scouting do clube, sendo uma das pessoas mais indicadas para abordar o assunto de sua candidatura. Em alguns casos, sobretudo em clubes de divisões mais inferiores, não existe um departamento de Scouting, sendo o diretor esportivo a pessoa que está responsável sobre a matéria do Scouting e análise individual.

Para além destas 2 pessoas acima descritas, o candidato pode contatar outras figuras do clube, por exemplo: presidente, diretor/coordenador técnico ou treinador. Mas, isso dependerá de como o clube está organizado e qual a realidade de cada um.

Em caso de agência de representação:

No caso de uma agência de representação, o candidato deverá buscar outras pessoas para apresentar sua candidatura. À semelhança dos clubes, destacaremos as duas principais figuras que deverão ser abordadas para manifestar seu interesse de trabalho.

CEO/Fundador

Primeiramente falaremos do CEO e/ou fundador, sendo o responsável máximo da agência. Todas ou quase todas as decisões mais importantes passam por ele, incluindo a entrada de um novo membro, seja ele scout de futebol ou agente.

Chefe de scout / Coordenador de Scouting

Assim como nos clubes, nas agências o Chefe de Scout também é o responsável pelo departamento de Scouting de uma agência. Apesar de, normalmente, a entrada de um scout não depender só dele, mas também da decisão do CEO, o Chefe de Scout é, geralmente, uma figura mais acessível de contatar em comparação com o CEO.

Para integrar o departamento de Scouting de uma agência, o candidato também pode contatar outras figuras daquele local, por exemplo, um agente ou scout que seja seu conhecido e já esteja nos quadros da empresa.

Como abordar os empregadores?

Após escrever sobre quem abordar, falaremos sobre outro ponto importante: como abordar os empregadores?

Há diversas formas de contactar os empregadores, sendo que as mais aconselháveis são:

  • E-mail;
  • Contato telefônico (WhatsApp ou ligação);
  • Redes sociais (destacando o LinkedIn).

O que aprendemos sobre o Scout de futebol?

Assim como referido no início do texto, uma grande parte das candidaturas recebidas são de forma espontânea. Sob o mesmo ponto de vista, boa parte das candidaturas espontâneas são aceites ou, caso não sejam aceites de imediato, normalmente os recrutadores (clubes e agências) deixam a candidatura na base de dados, para caso haja alguma necessidade num futuro próximo. Portanto, a candidatura espontânea é uma boa opção para os profissionais que querem entrar no mundo do futebol, mais especificamente do scouting.

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Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Como criar um relatório de análise tática do adversário

O que é um relatório de análise tática do adversário no futebol?

De antemão, para aqueles que não sabem, o relatório de análise tática do adversário é normalmente criado pelo analista de desempenho. Assim, ele coloca algumas características do adversário que acha pertinente. Posteriormente, esse relatório será entregue para o técnico, o qual começará a pensar nas estratégias que deve adotar para vencer o próximo confronto.

Esse relatório, normalmente, possui um padrão. Nele é colocado, por exemplo, a escalação do adversário, como ele se organiza ofensivamente e defensivamente, como faz as transições ofensivas e defensivas, além das bolas paradas, facilitando o trabalho da comissão técnica, a qual conhecerá melhor o próximo adversário.

Pontos essenciais em um relatório de análise tática do adversário

Escalação do adversário

Primeiramente, é interessante começar o relatório com a escalação do adversário. Faça a apresentação em forma de campo e com a foto de cada jogador. Dessa forma, a visualização fica facilitada e os atletas já começam a observar quais adversários cairão na sua zona do campo.

Além do campo com a foto dos jogadores, você pode colocar outras informações, por exemplo: quais jogadores mais são substituídos, quais tem mais probabilidade de entrar, número do jogador, altura, pé dominante, etc… Isso ajudará os atletas a gravar algumas características dos seus oponentes diretos no campo.

Exemplo de escalação apresentada em um relatório. Fonte: criado pelo autor.

Organização Ofensiva

Agora, serão citados os momentos e fases do jogo de futebol e o que podemos identificar em cada um deles. Pois bem, caso ainda não tenha conhecimento sobre cada um deles, aconselhamos a leitura deste texto.

Nesse momento o relatório começa a se encaminhar para como a equipe pratica o futebol. Desse modo, nesse tópico é interessante colocarmos as maneiras que o adversário constrói seus ataques. Para facilitar a compreensão, podemos dividir essa parte em 3 itens:

  • Saída de bola ou 1º terço;
  • Fase de construção ou 2º terço;
  • Fase de criação e finalização ou 3º terço.

É de suma importância, em cada subdivisão do relatório a partir de agora, destacarmos qual o jogador principal naquele momento ou fase. Dessa forma, prendemos a atenção tanto da comissão técnica quanto dos jogadores para aquilo e/ou aquele que realmente é um diferencial.

Além disso, seu relatório de análise tática do adversário no futebol deve ser de fácil entendimento, em outras palavras, não polua demais os slides/PDF’s, coloque imagens claras e textos diretos e simples. Isso fará com que todos compreendam o que você quer passar.

Transição Defensiva

Aqui exploraremos como a equipe se porta após perder a bola. Iremos identificar se o adversário opta por pressionar a bola após perdê-la, com quantos jogadores faz isso, em quais regiões mais consegue roubá-la, ou se prefere recuar os jogadores a fim de se organizar defensivamente, etc. Identifique se há gatilhos de pressão e quais os atletas são importantes neste momento.

Organização Defensiva

Neste tópico iremos analisar como a equipe adversário se organiza defensivamente.

Antes de mais nada, podemos colocar informações como: qual o esquema de jogo mais utilizado e suas variações, onde mais recuperam bola, para qual região do campo o adversário gosta de lhe atrair, entre outras. De modo a facilitar o entendimento, podemos dividir este tópico em outros 3 itens:

  • Pressão na saída de bola;
  • Linha média;
  • Bloco baixo.

Em síntese, podemos dar mais detalhes da organização defensiva em cada um desses 3 “submomentos”.

Transição Ofensiva

Este é o último tópico de análise do adversário com bola rolando. Podemos verificar quais os mecanismos que o adversário usa para transitar em campo após recuperar a bola, por exemplo: ele retira a bola da pressão ou busca progredir em campo no local que recuperou a bola? Há variação de corredor? Qual é o jogador chave para este momento? Há muitas outras perguntas quem podem ser respondidas, de modo a achar soluções para o jogo. Enfim, use sua criatividade para achar detalhes que façam a diferença para sua equipe.

Bola parada Ofensiva

Podemos listar algumas bolas paradas ofensivas do adversário, como:

  • Escanteio;
  • Tiro de meta;
  • Pênalti;
  • Laterais
  • Faltas laterais;
  • Faltas frontais.

Assim, verifique os padrões de cobranças e quais são mais eficazes por parte do adversário. Identifique também quem são os cobradores e quem é o maior perigo na bola aérea.

Bola parada defensiva

Posteriormente, após vermos como o adversário ataca nas bolas paradas, iremos colocar no relatório como ele se defende delas. Podemos utilizar a mesma listagem acima. Então, é interessante vermos o estilo de marcação que usam nelas, sendo elas:

  • Por zona;
  • Individual;
  • Misto.

Em suma, podemos ver quais os pontos frágeis da defesa e tentar nos aproveitar deles.

Estatística no relatório

Juntamente às informações do adversário que foram colocadas no relatório, é interessante adicionar algumas estatísticas, para validar aquilo que você quis mostrar. No entanto, a estatística por si só, colocada de maneira solta, pode confundir os atletas e comissão técnica e, muitas vezes, ela não dirá nada de importante. Isto é, é fundamental que você dê sentido a ela, faça-a ter valor. Afinal, como diz Albert Einstein: “nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado.”

Portanto, depois de tudo que vimos no texto até agora, sabemos que o relatório do adversário no futebol é essencial para a comissão técnica e jogadores se prepararem de forma rápida para o próximo confronto. Além da velocidade na entrega da informação, o relatório traz pontos chaves do adversário, isto é, mostra pontos fortes e fracos de quem enfrentaremos.

Lembrando que este é só um exemplo de relatório de análise tática do adversário no futebol. Bem como, existem outras formas de fazê-lo. Poratnto, você pode usar este modelo e adequar a sua realidade, vendo o que é mais eficaz para o seu time.

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O desempenho físico no futebol muda conforme o estilo de jogo?

Como visto no texto anterior sobre as demandas físicas e fisiológicas, o jogo de futebol vem se tornando mais intenso com o passar dos anos, requerendo um melhor desempenho físico dos jogadores. Nesse sentido, um estudo realizado por pesquisadores europeus em 2015, aponta um crescimento de 30% a 50% nas ações de alta intensidade entre as temporadas 2006-2007 e 2012-2013 da Premier Legue.

Contudo, devemos compreender a natureza complexa e dinâmica do futebol, ou seja, as vertentes do jogo (técnica, tática, física e psicológica) estão correlacionadas e devem ser analisadas de uma forma sistêmica. Portanto, alguns fatores como a velocidade, distância percorrida e manutenção da posse de bola são relevantes para entendermos a intensidade e desempenho físico no futebol.

Desempenho físico no futebol: o impacto da posse de bola

Primeiramente, sabemos que ter somente a posse de bola não demonstra o modelo de jogo de uma equipe. Entretanto, jogar com ou sem a posse de bola faz parte da ideia de jogo do treinador e do modelo de jogo do clube. De modo geral, em uma visão sistêmica, estudos demonstraram que a posse de bola tem uma relação importante nas variáveis físicas e técnicas dos jogadores.

Um estudo publicado em 2019, ao analisar jogos da copa do mundo de 2018, por exemplo, concluiu que as seleções caracterizadas com jogo de maior posse de bola apresentaram maiores distâncias percorridas em alta intensidade e sprints, em comparação às seleções caracterizadas com jogo direto (menos posse de bola). Indicando, deste modo, uma relação entre fatores táticos e físicos, mais especificamente entre o percentual de posse de bola e a demanda física.

Em outros estudos, equipes com maior posse de bola percorreram maior distância em alta intensidade na fase ofensiva. Em contrapartida, as equipes que apresentam um jogo “reativo” percorrem maiores distâncias em alta intensidade quando se encontram em fase defensiva. Veja os dados na figura abaixo.

Figura 1. Em preto é a % com posse de bola/ Em branco a % sem posse de bola / WP= distância percorrida com posse / WOP= distância percorrida sem posse / BOP= fora de jogo Fonte: (Artigo publicado em 2016).

Assim, percebemos pelo gráfico que a distância total, distância em baixa velocidade (low speed), distância em média velocidade (medium speed) e distância em alta velocidade (high speed) não sofreram grandes alterações decorrentes do fator de posse ou não da bola. Todavia, as equipes com maior porcentagem de posse de bola (barras pretas), percorreram uma maior distância quando de posse da bola (WP). O contrário acontece com as equipes com menor percentual de posse de bola (barras brancas/WOP).

Posição e desempenho físico

Conforme vimos até aqui, a manutenção ou não da posse de bola pode influenciar as demandas físicas e fisiológicas dos jogadores. Assim, essa diferença, talvez seja em consequência, principalmente, das distintas posições e funções táticas exercidas pelos jogadores em campo.

Dessa forma, para entendermos melhor como os indicadores físicos por posição são influenciados pela posse ou não da bola, os estudos que citamos também mostraram dados interessantes. Foi constatado, por exemplo, que meio-campistas e atacantes apresentam uma demanda física maior quando a equipe joga com menos posse de bola. Esse resultado provavelmente ocorre pelo fato deles precisarem fechar espaços e pressionar opositores, de modo a recuperar a bola.

Por outro lado, um efeito contrário foi encontrado nos zagueiros. Nos zagueiros foi identificado uma maior porcentagem de corridas de alta intensidade nas equipes com maior posse de bola durante a fase ofensiva, pois há uma tendência destes jogadores permanecerem mais parte do tempo ocupando a metade ofensiva do campo, auxiliando na circulação da bola, conforme consta o gráfico na figura abaixo.

Figura 2. Comportamento dos zagueiros. Barra preta é a % com posse de bola / Barra branca é a % sem posse de bola. Fonte: (Artigo publicado em 2016).

A imagem acima mostra o percentual do tempo gasto dos zagueiros na metade ofensiva do campo de jogo. Desta forma, fica nítido perceber que os zagueiros pertencentes as equipes com maior posse de bola (barras pretas) se dispõem no campo ofensivo durante grande parte do tempo de jogo. Em outras palavras, há uma tendência destes jogadores executarem uma maior porcentagem de ações de alta intensidade em equipes com maior percentual de posse de bola.

Posse da bola x demanda física

Portanto, os estudos aparentam uma congruência, indicando que equipes com maior percentual de posse de bola executam maiores números de ações de alta intensidade, quando de posse da mesma. Além disso, mostram uma forte relação entre diferentes posições x estilos de jogo e a demanda física.

Entretanto, a ênfase ou não na posse de bola não parece influenciar significativamente nas demandas físicas gerais das equipes. Deste modo, fica a sugestão para mais trabalhos neste sentido, analisando a natureza complexa e dinâmica do futebol, a fim de procurarmos entender melhor como as vertentes se correlacionam e influenciam na performance durante o jogo.

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Fontes e Referências

https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/02640414.2013.786185

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02640414.2015.1114660

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E-mail: endrigof1@gmail.com

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Formas de ataque no futebol: quais são e como analisar?

O futebol se manifesta como uma modalidade com pouca eficácia quando comparado aos outros esportes coletivos. Dessa forma, o grande professor Castelo, mostra que a relação entre o número de ações ofensivas e os gols obtidos é muito reduzido. Cerca de 10% dos ataques terminam em finalizações e apenas 1% em gol.

Essa desvantagem do futebol é um motivo de interesse que nos desperta uma vontade de perceber os métodos ofensivos, visto que, um ataque que resulte em gol, GERALMENTE, é reflexo de um futebol agradável.

Mas afinal, o que são, quem criou e de onde surgiram os métodos ofensivos?

As formas de ataque no futebol

Em primeiro lugar, a forma geral de organização das dinâmicas dos jogadores no ataque é definida como: métodos de jogo ofensivo (MJO), que são compostos por um conjunto de princípios contidos no modelo de jogo. Este termo foi concebido em Portugal e teorizado pelo estudioso Jorge Castelo, classificando os MJO em três formas fundamentais:

  1. Contra-ataque;
  2. Ataque rápido;
  3. Ataque posicional.

Contudo, vale destacar que além da equipe poder realizar mais de um MJO, ela também pode conseguir interagir um método no outro. Por exemplo, começar o processo ofensivo com ataque rápido para posteriormente atacar posicionalmente, como o Liverpool do Klopp em algumas ocasiões.

Por isso, cabe aos analistas de jogos classificarem o método mais predominante que o time executa para decodificar as ideias do treinador.

Contra-ataque

O contra-ataque é uma ação tática durante a transição ofensiva, em que, logo após ter conquistado a posse de bola, a equipe chegará o mais rápido possível à baliza adversária, mas sem que o oponente tenha tempo para se organizar defensivamente.

Comportamentos:

  • Rápida transição das atitudes e comportamentos individuais e coletivos, após a recuperação da posse de bola;
  • Elevada velocidade da transição da zona de recuperação da posse de bola até o terço final do campo;
  • Número reduzido de jogadores que contactam a bola.

Ataque rápido

Enquanto no contra-ataque os oponentes estão desorganizados defensivamente, no ataque rápido, o processo ofensivo é preparado com a defesa adversária já organizada.

Comportamentos:

  • Circulação da bola predominantemente em profundidade, com passes rápidos e com poucas utilizações de jogadores;
  • Curto tempo de realização do ataque;
  • Ritmo de jogo elevado.

Ataque posicional

Este MJO parte da filosofia de que o jogo tem apenas uma bola, ou você fica com ela, ou ela estará com o time adversário. Se você tem a bola, o outro time não tem como marcar gols

Portanto, a fase de construção torna-se mais demorada, apresentando desmarcações de apoio, coberturas ofensivas e passes curtos.

Em sua autobiografia, Cruyff evidencia ser de extrema importância instruir os jogadores de como realizar os passes no ataque posicional. Se a bola está lenta, o rival tem tempo de se aproximar um pouco mais. Se a bola estiver sendo passada rapidamente, há uma boa chance do rival chegar tarde demais. Poucos técnicos conseguem ensinar isso aos jogadores e, como resultado, eles ficam mais estressados.

Comportamentos:

  • Circulação da bola predominantemente em largura do que em profundidade;
  • Elevado dispêndio temporal;
  • Muitos jogadores e passes envolvidos na organização ofensiva.

Mas cuidado! Ataque posicional e jogo de posição não significam a mesma coisa. Então, se você não tem conhecimento destes conceitos, ao final do texto, sugiro a seguinte leitura: qual a diferença entre Jogo de Posição e Ataque Posicional.

Analisando os métodos de jogo ofensivo

Primeiramente, gostaria de destacar que há inúmeras formas para se analisar um jogo de futebol. Então, o que for descrito a seguir são apenas sugestões que facilitaram a minha leitura de jogo. Ou seja, você pode as usufruir ou não, basta refletir e utilizar a metodologia com a qual mais lhe convém.

Para analisar as formas de ataque da equipe no futebol, primeiramente, divido o campo em 3 sub-fases: fase de construção, fase de criação e fase de finalização.

Em seguida, em cada uma dessas fases, realizo as seguintes perguntas: como, com quantos e por onde a equipe progride?

Diante disso, a resposta a essas perguntas o JOGO que nos dará! Assim, você interpretará o MJO mais predominante, bem como os padrões ofensivos mais frequentes do coletivo.

Mas no final, a grande questão é entender como os jogadores geram vantagens em determinadas defesas e como eles aproveitam as vulnerabilidades do adversário, pois entendendo a parte tática do jogo, você consegue entender o porquê de cada ação, argumenta o treinador Rodrigo Leitão.

Dessa forma, a partida inteira se torna interessante, e não apenas o momento do gol, que como disse Carlos Alberto Parreira, é só um detalhe.

Contato do autor
Instagram: g_tadashi

Referências:

  • Castelo, J. (1994). Futebol, Modelo Técnico – Tático do Jogo. Edições F.M.H.
  • Castelo, J. (1996): Futebol – “A organização do jogo”. Lisboa. Edição do autor.
  • Garganta, J. (1997): Modelação táctica do Futebol. Estudo da organização ofensiva de equipas de alto nível de rendimento. Dissertação de doutoramento (não publicada). FCDEF-UP.
  • Castelo, J. (2004). Futebol – organização dinâmica do jogo. Lisboa: FMH-UTL.

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A educação física escolar e o futsal

A educação física escolar é pautada na construção do conhecimento científico, visando promover um estilo de vida saudável com reflexões acerca da cultura corporal (lutas, ginástica, esporte, dança, jogos, etc). Desse modo, dentre os conteúdos abordados, o futsal é um dos que mais sobressai, pela facilidade ao acesso de sua prática na escola.

Se tratando de futsal, sabemos que há diferenças das suas abordagens nas escolas para o ensino em clubes e/ou escolinhas. No esporte de rendimento, o que prevalece são os resultados e o melhor desempenho, caracterizando um treinamento tático, técnico, físico e psicológico. Já o esporte educacional visa a formação do indivíduo em sua totalidade cognitiva, sócio-afetivo e motor, promovendo criticidade e autonomia sobre os valores de cooperação e união, por exemplo.

Entretanto, há uma visão errônea de que, nas aulas de educação física, o futsal se caracteriza por: meninos “correndo atrás da bola”, enquanto as meninas permanecem no voleibol.

Como o professor (a) pode planejar o conteúdo de futsal?

De antemão, o professor precisa ter claro os objetivos de ensino sobre a modalidade. Diagnosticar a realidade das turmas, planejar, avaliar e construir as características da prática do futsal na escola. Para isso é necessário respondermos algumas perguntas:

  • Quais seriam estas características?
  • Como os alunos aprendem as modalidades?
  • Quais temas podem ser introduzidos nas discussões em aula?

Todas essas respostas dependem da metodologia de ensino proposta pelo professor(a).

Os jogos recreativos, cooperativos, adaptados conforme a faixa etária e a realidade dos alunos favorecem a compreensão da modalidade específica, permitindo a apropriação do conhecimento sobre os nomes das posições e funções de cada uma. Vivenciar e saber a função do goleiro, alas direito e esquerdo, fixos e pivôs, permite compreender as múltiplas funções fundamentais para o desempenho do jogo.

Do mesmo modo, é necessária uma abordagem pedagógica em que os alunos(as) identifiquem no futsal, atitudes de integração, respeito, saber ganhar e saber perder. Bem como, possibilitar uma modalidade para todos praticarem, inclusive meninas, que muitas vezes são excluídas desta modalidade.

Dessa forma, é possível criar um ambiente de socialização e reflexões sobre esta exclusão citada acima, a qual se torna recorrente nas modalidades coletivas. Alguns questionamentos podem ser levantados, como: todos jogam futsal? Meninos e meninas podem jogar juntos? Pequenos jogos mistos, leituras sobre o tema e modificações de regras adaptadas para a turma podem auxiliar na construção de um novo pensamento sobre a prática.

E qual o objetivo da Educação Física escolar?

A educação física escolar deve formar atletas ou cidadãos críticos que apreciem a modalidade e tenham uma prática regular?

O processo escolar deve prevalecer a conscientização do valor educativo do esporte, refletindo suas ações de exclusão, por exemplo, na qual somente quem tem talento o pratica, ou que o futsal não é para meninas. No entanto, também cabe ao profissional incentivar os talentos e encaminhá-los para clubes e/ou escolinhas. Em outras palavras, a escola e o professor(a) são mediadores na descoberta de talentos neste espaço.  

Contudo, nas aulas práticas é importante ressaltarmos a coragem e a confiança do aluno que está jogando, visto que isso reforçá a segurança do mesmo ao executar a atividade. Além disso, o planejamento deve ter uma interação entre os comportamentos: cognitivo, afetivo e psicomotor. Isso porque, durante a prática o aluno utiliza os movimentos específicos e a técnica da modalidade (psicomotor), além de que o jogo necessita de resolução de problemas (cognitivo) e interação com os colegas, arbitragem, adversários, sobressaindo o respeito (sócio afetivo).  

Em suma, o professor deve ter definido os objetivos e qual a metodologia mais adequada para apropriação do conhecimento que irá utilizar. Portanto, as aulas devem ser organizadas conforme a realidade social, faixa etária e desenvolvimento cognitivo da turma. Vivências práticas contextualizadas e reflexões sobre gênero são importantes no processo ensino-aprendizagem.

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Fontes e Referências

Coletivo de autores

Futsal & Futebol: bases metodológicas

Contato da autora:
Instagram: @Torettifaveri

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Quais as diferenças entre Técnica e Tática no Futebol?

O futebol é um esporte coletivo que exige uma série de habilidades e competências dos jogadores. Dentre essas, a técnica e a tática são fundamentais para o sucesso de uma equipe. Mas existe diferenças entre técnica e tática?

Dessa maneira, de forma simples, podemos definir a técnica como a capacidade do jogador em realizar movimentos com precisão e eficiência. São as ações motoras do atleta. Já a tática é a execução das ações de jogo, visando alcançar um objetivo, gerindo o espaço e o tempo naquela situação em campo.

O Que é Técnica no Futebol?

A técnica no futebol se refere à habilidade individual de um jogador em lidar com a bola. Ela abrange uma ampla variedade de aspectos, incluindo dribles, passes, chutes, domínio de bola e controle. A técnica é a base sobre a qual o jogo é construído, pois cada jogador deve ser capaz de realizar essas habilidades de forma consistente e precisa.

Confira algumas das principais técnicas utilizadas no Futebol:

Domínio de Bola

O domínio de bola é uma parte essencial da técnica no futebol. Envolve a capacidade de receber e controlar a bola com os pés, coxas, peito e cabeça. Jogadores com excelente domínio de bola são capazes de parar a bola instantaneamente, independentemente da velocidade ou direção do passe. Isso lhes dá uma vantagem significativa em situações de jogo.

Dribles

Os dribles envolvem um jogador em posse da bola precise passar habilmente pelos adversários. Dribles eficazes requerem controle de bola excepcional, velocidade, agilidade e um toque suave.

Chutes

Os chutes são um dos aspectos essenciais da técnica no futebol. Um jogador precisa ser capaz de chutar a bola com precisão tanto em curta quanto em longa distância, e em bolas paradas como cobranças de falta e penalidades. A técnica de chutar envolve o uso adequado do pé, incluindo o pé dominante e o pé mais fraco.

Passes

Passar a bola com precisão é uma das habilidades mais importantes no futebol. Um jogador deve ser capaz de entregar a bola a um companheiro de equipe no momento certo e no local certo. Isso envolve a técnica de pé interno, pé externo e outros tipos de passes.

O que é Tática no Futebol?

A princípio, a tática no futebol pode ser entendida de forma simples é a gestão do espaço de jogo. Ela pode ser dividida em dois grandes grupos:

  • Tática ofensiva: refere-se às ações da equipe com a posse de bola, como construção de jogadas, finalização, etc.
  • Tática defensiva: refere-se às ações da equipe sem a posse de bola, como marcação, recomposição, etc.

Além disso, vários estudos sobre os princípios táticos existem no futebol atualmente. Como sugestão, o Glossário da CBF traz conceitos evidenciados e detalhadamente pela literatura científica, abordando tanto a técnica quanto os aspectos táticos.

Resumidamente, destacamos aqui abaixo alguns dos aspectos presentes dentre da tática no futebol:

Tipos de Marcação

A marcação é uma prática defensiva, no qual tem o objetivo de seguir de perto os jogadores adversários para impedir que recebam a bola ou criem oportunidades. Ela pode envolver tipos de marcação pressão, quanto os jogadores de defesa buscar roubar a bola dos atacantes no campo todo; Ela ainda pode ser individual, coletiva e mista, sempre tendo como referência a recuperação da bola.

Movimentos Coordenados Ofensivos

Movimentos coordenados são parte integrante da tática no futebol. Isso inclui corridas, passes em profundidade, deslocamentos e trocas de posição entre os jogadores. Esses movimentos são projetados para criar espaço, confundir a defesa adversária e criar oportunidades de gol.

Transições

Outro aspecto crucial da tática é a capacidade de realizar transições rápidas entre defesa e ataque. As equipes de sucesso muitas vezes são capazes de recuperar a posse de bola e rapidamente passar para o ataque, pegando a defesa adversária desorganizada.

Além do mais, uma das das principais manifestações estruturais de tática no futebol é a formação tática da equipe. Isso determina como os jogadores se posicionam em campo e como eles interagem entre si. Formações populares incluem o 4-4-2, o 4-3-3 e o 3-5-2, cada um com suas próprias vantagens e desvantagens.

Entretanto, vale destacar as diferenças entre sistemas e esquemas táticos, que embora façam parte da tática, eles representam conceitos estruturais e não devem ser sinônimos de tática, como erroneamente vemos em alguns locais.

A relação entre Técnica e Tática no Futebol

É importante entender que a técnica e a tática no futebol não são conceitos isolados. Na verdade, eles estão intrinsecamente interligados e se complementam. Uma equipe com jogadores tecnicamente bons tem mais recursos para executar táticas complexas.

Desse modo, podemos dizer que técnica e tática são conceitos complementares no futebol, como duas faces da mesma moeda. A técnica é a base para a tática, pois é necessária para que o jogador possa executar as ações táticas. Já a tática, pode ajudar o jogador a aprimorar sua técnica. A exemplo, um jogador que treina passes e dribles em um contexto tático, terá mais chances de melhorar essas habilidades.

Por outro lado, a tática pode potencializar as habilidades técnicas de um jogador. Uma equipe bem organizada cria espaços e oportunidades para que os jogadores usem suas habilidades técnicas com eficiência.

Para além da técnica e tática no Futebol

No futebol atualmente, a técnica e a tática são cada vez mais importantes. Os jogadores precisam conseguir realizar movimentos complexos e de se adaptar a diferentes situações de jogo. Mas é importante destacar que além dos conceitos básicos de técnica e tática, existem outros aspectos importantes para o futebol.

Dentre esses, destacam-se os aspectos físicos, mentais e psicológicos. Por isso, muitos métodos de treinamento no futebol buscar unir todos os conceitos das vertentes do futebol. A ideia é que a complexidade dos fatores permita o desenvolvimento integral das habilidades dos atletas na especificidade do esporte. Portanto, é crucial saber sobre a importância e relação entre técnica e tática.

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Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Inter-relação entre pais, atletas e treinadores

A família tem um papel fundamental no processo de crescimento, educação e desenvolvimento de seus filhos, e no esporte não é diferente. No esporte, a relação dos familiares tem influência direta no rendimento e motivação de seus filhos na modalidade em que está inserido.

A inter-relação entre pais, atletas e treinadores tem de ser transparente, saudável e que seja em prol do bem-estar e desenvolvimento do aluno.

De acordo com BECKER estudo, o pai é a figura que tem maior influência no ingresso da criança no esporte. A conduta dos pais diante da participação de seus filhos no esporte, tem relação direta com a qualidade da participação da criança na atividade esportiva. É comum que os pais criem expectativas em seus filhos, por enxergar uma possível realização que não foi possível a ele, ou até mesmo por enxergar o filho como um ativo que pode transformar a vida socioeconômica da família. Devemos sempre nos lembrar que o principal interesse é do aluno que está inserido na prática esportiva, mas em alguns casos, não é o que acontece.

O primeiro ponto de destaque nessa situação é compreender qual o real interesse da criança, qual esporte ela quer praticar, atendendo suas expectativas e necessidades, sendo ela responsável pela escolha de seu esporte, assim, fazendo algo que lhe interessa. Mas infelizmente, alguns pais inserem seus filhos em um esporte sem consultá-lo, muita das vezes não há um critério para a escolha da atividade, fatos comuns são dos pais quererem inserir em certa modalidade, pelo seu maior interesse pessoal, e/ou pelo motivo de que aquele horário os pais tem compromissos profissionais ou sociais impedindo-os de ficar com a criança, dessa maneira, as escolinhas de esporte passam a ser “depósitos de crianças” conforme citado por pesquisador como Becker.

O envolvimento dos pais no esporte

De acordo com a literatura científica o envolvimento dos pais no esporte pode ser considerado em três etapas diferentes: o subenvolvimento, o envolvimento moderado e o superenvolvimento.

O subenvolvimento pode ser considerado como a falta de comprometimento emocional, financeiro ou funcional dos pais, que tem relação com a falta de comparecimento nos treinos, nos jogos, eventos e pouquíssimo contato com os treinadores. No envolvimento moderado, são os pais que dão suporte necessário a seus filhos, orientam, estabelecem metas realistas e ajudam financeiramente. E no superenvolvimento são os pais que excedem os limites de sua participação diante da vida esportiva de seus filhos, colocam seus desejos e necessidades criando expectativas e pressões desnecessárias.

Perfis de Pais e mães de jovens esportistas

Podemos também comprender na literatura científica que os perfis de pais podem influenciar o desenvolvimento. Pais desisteressados, por exemplo, levam o filho ao esporte como uma forma de ocupar o tempo da criança, inscrevendo-a em atividades sem preocupar-se se o filho aprecia ou não. Eles vêem no técnico uma espécie de “babá”, delegando a ele a obrigação de cuidar da criança. Como consequências, são apontados não apenas uma grande possibilidade de abandono ao esporte, como também futura intolerância à modalidade escolhida pelo pai.

Os pais mal-informados conduzem o filho ou filha à prática esportiva, com uma primeira conversa com o técnico, mas não participa mais do processo.

Já os pais exaltados, tendem a participar ativamente do cotidiano do seu filho no ambiente esportivo, colaborando de forma adequada com o técnico. Entretanto em situações competitivas, é comum que torçam de forma exagerada, dirigindo palavras inadequadas aos árbitros, prejudicando o ambiente e constringindo seus filhos; ressalta-se que é comum que os pais não se percebam como inadequados.

E por fim, temos os pais fanáticos. São considerados os mais problemáticos, por esperarem dos filhos atitudes de “heróis no esporte”. Estão sempre insatisfeitos com o desempenho da criança e interferem no processo de preparação, cobrando excessivamente e gerando pressões sobre o filho. Se exaltam facilmente com as decisões dos árbitros e atitudes do técnico, gerando hostilidade e perturbação no ambiente, podendo desfazer a relação de prazer da criança com o esporte.

A motivação para prática esportiva

A motivação pode ser definida como uma força interior, impulso, intenção que leva a pessoa a fazer algo ou agir de certa forma, e que afeta a compreensão da aprendizagem de habilidades, motoras devido a seu papel na iniciação. A motivação é um fator determinante quando um indivíduo quer realizar algo segundo estudos de Fonseca e Stela.

A forma como os pais se portam durante as competições irá despertar uma reação na criança. Em caso de reações negativas, comentários infelizes podem intereferir diretamente no desempenho da criança. Alguns exemplos de relatos de jovens no esporte são como esses:

“Um dos únicos dias em que via meu pai era no sábado, quando ele vinha me ver jogar futebol. Mas isso me deixava nervoso, pra dizer a real. Meu pai era meu herói. E, no começo, ele me cobrava muito. Às vezes, ele até mesmo dizia: “Tô cansado de ver você perder. Você pode comer mais um hambúrguer hoje, mas só se o seu time ganhar”.

[…] Ficava tão agitado na noite anterior aos jogos que tinha dores de estômago e começava a vomitar. Eu tinha dor de cabeça e febre às vezes e não conseguia dormir. Quando eu jogava, ao invés de jogar “leve”, eu me preocupava em estragar tudo. Sempre que eu jogava um jogo pra valer, era como se meu coração estivesse sempre batendo mais rápido. Era um bloqueio psicológico.

Em entrevista ao The Players Tribune, Bruno Guimarães, jogador da seleção brasileira, relata sobre a cobrança excessiva que seu pai lhe fazia:

[…] o meu treinador, Mário Jorge, estava assistindo do lado de fora com o pessoal mais velho. Depois do jogo, ele entrou na quadra e disse: “Bruno, deixa eu te perguntar uma coisa: Por que você nunca joga assim quando é pra valer?”.

Eu respondi: “Não sei o motivo. Não fico à vontade. É complicado”.

Ele disse: “Preste atenção, não fica preocupado. Jogue como se fosse para se divertir e veja o que acontece”.

Depois disso, conversei com meu pai e disse a ele a verdade. Pedi pra ele parar de me pressionar tanto quando eu jogava, porque estava me deixando muito tenso. Quando é seu herói pressionando você, às vezes, é demais. Graças a Deus meu pai aceitou numa boa e a partir daquele dia tudo mudou.”

Estudo de Barbantei, cita que motivar e apoiar os filhos, sem forçá-los na modalidade esportiva; concentrar-se na dedicação e esforço mais que no resultado final dos jogos; ensinar que a honestidade vale mais que a vitória em si; não ridicularizar os erros do filho; aplaudí-los; lembrar que seus filhos participam do esporte para seus próprios interesses e alegria e não para a sua; não questionar a decisão ou honestidade do árbitro em público; reconhecer o valor e apoiar os treinadores; todos esses comportamentos citados, são comportamentos que ajudariam no desempenho, satisfação e continuidade de seus filhos na prática esportiva.

Por fim, o principal ponto desta relação entre pais, atletas e treinadores é que o principal é o jovem, toda atitude a ser tomada tem de ser pensada em prol do bem-estar dele ou dela, da satisfação na prática na modalidade, na motivação, ajudando-os em seu desenvolvimento, crescimento e educação, tudo de uma forma saudável. E entender que o sucesso no esporte infantil não está atrelado ao resultado de uma partida, ao desempenho esportivo, a vitória no esporte infantil se conquista todos dias, dando liberdade e autonomia a criança, para desenvolver seu real potencial, se autoconhecer, conhecer seus limites, brincar, se divertir , sociabilizar, tudo de uma forma leve e lúdica, mantendo o prazer, satisfação e alegria na prática esportiva.

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Contato do Autor:
E-mail: gsantisantos@gmail.com

Gabriel Santiago atualmente é professor de futebol no Esporte Clube Pinheiros

REFERÊNCIAS

Almeida, Dione, and Rafael Machado de Souza. “A influência dos pais no envolvimento da criança com o esporte durante a iniciação esportiva no futebol 27 em uma escolinha de Campo Bom-RS.” RBFF-Revista Brasileira de Futsal e Futebol 8.30 (2016): 256–268.

https://www.rbff.com.br/index.php/rbff/article/view/422

Barbanti, Valdir J. Formação de esportistas. Editora Manole Ltda, 2005

BECKER JR, Benno, and Elenita TELÖKEN. “A criança no esporte.” Especialização esportiva precoce: perspectivas atuais da psicologia do esporte. Jundiaí, SP: Fontoura (2008): 17–34.

https://pt.everand.com/book/438630660/Especializacao-esportiva-precoce-perspectivas-atuais-da-psicologia-do-esporte

Fonseca, Gerard Maurício Martins, and Erika Spritze Stela. “Família e esporte: a influência parental sobre a participação dos filhos no futsal competitivo.” Kinesis 33.2 (2015).

https://periodicos.ufsm.br/kinesis/article/view/20723

Moraes, Luiz Carlos, André Scotti Rabelo, and John Henry Salmela. “Papel dos pais no desenvolvimento de jovens futebolistas.” Psicologia: reflexão e crítica 17 (2004): 211–222.

https://www.scielo.br/j/prc/a/ZcdcVGpBB6KLwybtRHVKVZh/?lang=pt&format=pdf

PAES, R. R., FERREIRA, H., GALATTI, L., & SILVA, Y. (2008). Pedagogia do esporte e iniciação esportiva infantil: as inter-relações entre dirigente, família e técnico. Especialização esportiva precoce: perspectivas atuais da psicologia do esporte. Jundiaí: Fontoura, 49–66.

https://pt.everand.com/book/438630660/Especializacao-esportiva-precoce-perspectivas-atuais-da-psicologia-do-esporte

https://www.theplayerstribune.com/br/posts/carta-bruno-guimaraes-brasil-newcastle-premier-league

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Formação de atletas no futebol

A formação de atletas de futebol no Brasil é um processo complexo e multifacetado que envolve diversas etapas e categorias. O objetivo principal da formação é desenvolver jogadores com habilidades técnicas, táticas e físicas para competir em alto nível no futebol profissional.

É importante destacar que a formação de base é um processo contínuo onde os jogadores precisam ser acompanhados e treinados constantemente para se desenvolverem ao máximo. Além disso, é fundamental que o trabalho nas categorias de base esteja alinhado com o trabalho dos jogadores profissionais, para haver uma continuidade no processo de formação.

Qual a diferença de formação de base e categoria de base?

A formação de base é um processo de formação de atletas cujo objetivo é desenvolver jogadores e equipes para compor a base de um clube ou seleção. Trata-se de um processo contínuo que envolve o treinamento e acompanhamento dos jogadores desde cedo, visando formar atletas para o futebol.

Já as categorias de base são a divisão dos jogadores segundo a sua idade, e servem como uma espécie de etapa no processo de formação, onde os jogadores são treinados conforme o seu nível de maturidade e habilidades. As categorias mais comuns são sub-7, sub-9, sub-11, sub-13, sub-15 e sub-17 e sub-20.

Cada categoria tem seus objetivos e metas específicas, considerando a faixa etária e o desenvolvimento físico, técnico e tático. Por exemplo, na categoria sub-7 o objetivo é introduzir os jogadores ao esporte, trabalhando habilidades motoras e fundamentos do futebol, enquanto na categoria sub-20 o objetivo é preparar os jogadores para os desafios do futebol profissional.

Em resumo, a formação de base é um processo mais amplo e global, enquanto as categorias de base são etapas desse processo, que servem para dividir e direcionar o treinamento dos jogadores de acordo com a sua idade e habilidades.

Formação de Profissionais que trabalham com a base

A qualificação dos profissionais que trabalham com a base é fundamental para garantir a qualidade na formação dos jogadores. É comum que os treinadores e preparadores físicos das categorias de base tenham formação específica em treinamento de futebol e possuam experiência prévia no futebol. Além disso, é importante que esses profissionais estejam constantemente atualizados com as últimas tendências e metodologias de treinamento.

Isso inclui não apenas a formação técnica, mas também a formação em pedagogia esportiva, psicologia do esporte, entre outras áreas relacionadas. Esses profissionais precisam estar preparados para lidar com jogadores de diferentes idades, habilidades e personalidades, e precisam entender como guiar e motivar esses jovens atletas para que eles possam desenvolver seu potencial ao máximo.

Além disso, é importante que os profissionais que trabalham com a base tenham uma boa compreensão da filosofia do clube ou seleção para que eles possam alinhar suas metodologias e práticas com os objetivos gerais do clube. Isso inclui entender a importância de formar jogadores que se encaixem no estilo de jogo do clube, bem como compreender as necessidades do clube em relação a posições e habilidades específicas.

Portanto, os profissionais que trabalham com a base no futebol precisam ter boa formação e experiência prévia no esporte, além de estarem constantemente atualizados com as últimas tendências e metodologias de treinamento, para garantir a qualidade da formação dos jogadores e alinhar com a filosofia do clube ou seleção.

Problemas na formação de atletas

Além de ser um grande celeiro de formadores de atletas de futebol e apresentar alguns clubes de referência na formação, por outro lado, a formação de atletas de futebol no Brasil enfrenta uma série de problemas que podem afetar negativamente o desenvolvimento dos jogadores e a qualidade do futebol nacional. Alguns desses problemas incluem a falta de infraestrutura adequada, a falta de qualificação dos profissionais que trabalham com a base e a falta de programas de desenvolvimento para jovens jogadores.

Uma das principais questões é a falta de infraestrutura adequada para a formação de jogadores. Muitos times de futebol no Brasil não possuem campos de treinamento de qualidade ou instalações esportivas modernas. Isso pode dificultar o desenvolvimento das habilidades técnicas e físicas dos jogadores, bem como limitar a quantidade de treinamentos e jogos que eles podem realizar.

Outro problema é a falta de qualificação dos profissionais que trabalham com a base. Muitos treinadores e preparadores físicos que trabalham com jogadores jovens não possuem formação específica em treinamento de futebol ou experiência prévia no futebol. Isso pode afetar negativamente a qualidade do treinamento que os jogadores recebem e limitar o seu desenvolvimento.

A falta de programas de desenvolvimento para jovens jogadores é outro problema que pode afetar negativamente a formação de atletas de futebol no Brasil. Muitos times não possuem programas específicos para desenvolver jogadores jovens e prepará-los para o futebol profissional. Isso pode dificultar a transição dos jogadores da base para o futebol profissional.

Transição das categorias de base para o profissional

A transição dos jogadores das categorias de base para o futebol profissional é um processo importante e desafiador. É preciso que os jogadores estejam preparados tanto fisicamente quanto tecnicamente para competir em alto nível. Além disso, é importante que os jogadores tenham uma boa mentalidade e estejam preparados para lidar com as pressões e exigências do futebol profissional.

Atualmente, muitos jogadores de base enfrentam dificuldades na transição para o nível profissional devido à falta de oportunidades. Muitos times preferem contratar jogadores com mais experiência, deixando os jovens limitados a jogar pouco. Isso pode dificultar a transição dos jogadores para o futebol profissional e limitar o seu desenvolvimento.

A pressão por resultados por parte dos clubes é uma realidade no futebol, e isso se estende também às categorias de base. Com a busca constante por jogadores jovens e promissores, muitos clubes europeus, por exemplo, estão dispostos a gastar grandes somas de dinheiro para atrair esses atletas para suas equipes. Isso pode criar uma situação em que os jovens jogadores são “comprados” por clubes da Europa antes mesmo de terem a oportunidade de desenvolver suas habilidades e se tornarem profissionais em seus países de origem.

Além disso, esses jovens jogadores podem se sentir pressionados a se adaptar rapidamente às expectativas e exigências dos clubes, o que pode ser um problema para sua formação e transição para o futebol profissional. A falta de tempo para se adaptar ao novo ambiente, língua e cultura, pode ser um obstáculo para o desenvolvimento dos jogadores, e podem não ter a oportunidade de desenvolver suas habilidades de forma adequada.

Essa pressão por resultados e o assédio de clubes da Europa pode levar a uma sobrevalorização de jogadores jovens, colocando expectativas excessivas sobre eles antes mesmo de eles terem a oportunidade de mostrar seu verdadeiro potencial. Isso pode levar a frustrações e decepções tanto para os jogadores quanto para os clubes, e pode até mesmo levar a problemas psicológicos para os jogadores.

Como trabalhar com futebol de base

Trabalhar como profissional em categorias de base no futebol é uma ótima maneira de contribuir para o desenvolvimento de jogadores jovens e ajudar a moldar o futuro do esporte. Existem várias funções diferentes que uma pessoa pode desempenhar nesse contexto, como treinador, preparador físico, scout, entre outros.

Para se tornar um treinador de categoria de base, é necessário ter conhecimentos técnicos e táticos do futebol, além de experiência em trabalhar com jovens jogadores. É importante estar sempre atualizado com as últimas tendências e metodologias de treinamento, e também ter habilidades de liderança e comunicação.

Além disso, convidamos para ouvir os episódios do nosso podcast onde discutimos temas relevantes sobre o desenvolvimento de jogadores jovens e sobre como trabalhar como profissional em categorias de base no futebol.

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Confira abaixo um episódio de podcast sobre o assunto: