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A educação física escolar e o futsal

A educação física escolar é pautada na construção do conhecimento científico, visando promover um estilo de vida saudável com reflexões acerca da cultura corporal (lutas, ginástica, esporte, dança, jogos, etc). Desse modo, dentre os conteúdos abordados, o futsal é um dos que mais sobressai, pela facilidade ao acesso de sua prática na escola.

Se tratando de futsal, sabemos que há diferenças das suas abordagens nas escolas para o ensino em clubes e/ou escolinhas. No esporte de rendimento, o que prevalece são os resultados e o melhor desempenho, caracterizando um treinamento tático, técnico, físico e psicológico. Já o esporte educacional visa a formação do indivíduo em sua totalidade cognitiva, sócio-afetivo e motor, promovendo criticidade e autonomia sobre os valores de cooperação e união, por exemplo.

Entretanto, há uma visão errônea de que, nas aulas de educação física, o futsal se caracteriza por: meninos “correndo atrás da bola”, enquanto as meninas permanecem no voleibol.

Como o professor (a) pode planejar o conteúdo de futsal?

De antemão, o professor precisa ter claro os objetivos de ensino sobre a modalidade. Diagnosticar a realidade das turmas, planejar, avaliar e construir as características da prática do futsal na escola. Para isso é necessário respondermos algumas perguntas:

  • Quais seriam estas características?
  • Como os alunos aprendem as modalidades?
  • Quais temas podem ser introduzidos nas discussões em aula?

Todas essas respostas dependem da metodologia de ensino proposta pelo professor(a).

Os jogos recreativos, cooperativos, adaptados conforme a faixa etária e a realidade dos alunos favorecem a compreensão da modalidade específica, permitindo a apropriação do conhecimento sobre os nomes das posições e funções de cada uma. Vivenciar e saber a função do goleiro, alas direito e esquerdo, fixos e pivôs, permite compreender as múltiplas funções fundamentais para o desempenho do jogo.

Do mesmo modo, é necessária uma abordagem pedagógica em que os alunos(as) identifiquem no futsal, atitudes de integração, respeito, saber ganhar e saber perder. Bem como, possibilitar uma modalidade para todos praticarem, inclusive meninas, que muitas vezes são excluídas desta modalidade.

Dessa forma, é possível criar um ambiente de socialização e reflexões sobre esta exclusão citada acima, a qual se torna recorrente nas modalidades coletivas. Alguns questionamentos podem ser levantados, como: todos jogam futsal? Meninos e meninas podem jogar juntos? Pequenos jogos mistos, leituras sobre o tema e modificações de regras adaptadas para a turma podem auxiliar na construção de um novo pensamento sobre a prática.

E qual o objetivo da Educação Física escolar?

A educação física escolar deve formar atletas ou cidadãos críticos que apreciem a modalidade e tenham uma prática regular?

O processo escolar deve prevalecer a conscientização do valor educativo do esporte, refletindo suas ações de exclusão, por exemplo, na qual somente quem tem talento o pratica, ou que o futsal não é para meninas. No entanto, também cabe ao profissional incentivar os talentos e encaminhá-los para clubes e/ou escolinhas. Em outras palavras, a escola e o professor(a) são mediadores na descoberta de talentos neste espaço.  

Contudo, nas aulas práticas é importante ressaltarmos a coragem e a confiança do aluno que está jogando, visto que isso reforçá a segurança do mesmo ao executar a atividade. Além disso, o planejamento deve ter uma interação entre os comportamentos: cognitivo, afetivo e psicomotor. Isso porque, durante a prática o aluno utiliza os movimentos específicos e a técnica da modalidade (psicomotor), além de que o jogo necessita de resolução de problemas (cognitivo) e interação com os colegas, arbitragem, adversários, sobressaindo o respeito (sócio afetivo).  

Em suma, o professor deve ter definido os objetivos e qual a metodologia mais adequada para apropriação do conhecimento que irá utilizar. Portanto, as aulas devem ser organizadas conforme a realidade social, faixa etária e desenvolvimento cognitivo da turma. Vivências práticas contextualizadas e reflexões sobre gênero são importantes no processo ensino-aprendizagem.

Fontes e Referências

Coletivo de autores

Futsal & Futebol: bases metodológicas

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Instagram: @Torettifaveri

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Transferência de Aprendizagem do Futebol para a Escola

É sabido que o futebol escolar, além de proporcionar atividade física e diversão, pode ser um aliado valioso na educação formal. Este mês, um estudo publicado na revista científica Physical Education and Sport Pedagogy, destacou quatro áreas principais de transferência de aprendizagem entre o futebol escolar e e o ensino formal na escola, em crianças ainda na iniciação esportiva.

O estudo foi conduzido por Abel Merino Orozco, do Departamento de Ciência da Educação da Universidade de Burgos na Espanha, juntamente com seus colaboradores; com o título “Exploring socio-educational learning transfer between school and non-formal school football in six- and seven-year-old children”, em tradução livre: “Explorando a transferência de aprendizagem socioeducativa entre o futebol escolar e o futebol escolar não formal em crianças de seis e sete anos de idade

Os pesquisadores buscaram compreender as principais implicações educativas na transferência de aprendizagens entre o ambiente não formal do futebol escolar e a escola, de forma a procurar a otimização das estratégias de apoio. Os autores acompanharam 57 escolares de seis anos e 44 escolares de sete anos, durante o primeiro e segundo ano de participação no futebol, por meio de observação além de entrevistas com professores, monitores e familiares.

E como resultado, o estudo destacou quatro áreas principais de transferência de aprendizagem entre o futebol e a escola:

1. Quase-escola

O futebol funciona como uma “quase-escola”, onde os conteúdos aprendidos em sala se conectam com a prática esportiva. Valores como disciplina, trabalho em equipe e fair play ganham vida no gramado, reforçando o que é ensinado em sala de aula.

2. Socialização

O esporte é um terreno fértil para o desenvolvimento de habilidades sociais. O futebol escolar cria um complexo network de relações, onde as crianças aprendem a colaborar, respeitar diferenças e lidar com hierarquias baseadas em habilidades.

3. Construção de identidade competitiva

O futebol contribui para a formação da identidade da criança, moldando sua autoestima e capacidade de adaptação a diferentes papéis dentro da equipe. A gestão das emoções, o entendimento de moralidade competitiva e a autoavaliação são aspectos trabalhados durante os jogos e treinos.

4. Autoavaliação

A avaliação no futebol costuma ser focada em resultados e desempenho individual. As crianças internalizam essa perspectiva, criando seus próprios padrões de autoavaliação baseados em conquistas quantificáveis e contribuição para o time.

O futebol escolar tem o potencial de ser muito mais do que apenas um passatempo. Ao utilizá-lo como ferramenta complementar à educação formal, podemos contribuir para o desenvolvimento integral das crianças, formando cidadãos conscientes, responsáveis e socialmente engajados.

Para otimizar esse processo de aprendizagem, o estudo ressalta a importância da comunicação entre escola, família e monitores esportivos. O trabalho conjunto desses agentes educacionais é fundamental para potencializar o impacto positivo do futebol na formação das crianças.

Conclusões e Recomendações

Além dos resultados do estudo, outras recomendações são importantes para treinadores e professores dos anos iniciais.

Por exemplo, o Futebol pode gerar discussões e desentendimentos. É importante que pais, professores e monitores estejam preparados para mediar esses conflitos, transformando-os em oportunidades de aprendizado sobre resolução de problemas e empatia.

Outro destaque é que se deve desenvolver habilidades sociais, uma vez que o esporte pode ser um catalisador para o desenvolvimento de habilidades essenciais, como comunicação, liderança e cooperação. É importante criar um ambiente inclusivo e respeitoso, onde todas as crianças se sintam acolhidas e valorizadas.

A competição saudável é também destacado. Nessas idades, deve-se utlizar a competição como uma ferramenta e não um fim. A vitória é importante, mas não é tudo. É fundamental ensinar às crianças a valorizar o esforço, o respeito ao adversário e o espírito de equipe, construindo uma visão equilibrada da competição.

Para ter acesso a essas e outras notícias e artigos científicos em primeira mão, além de discutir sobre o assunto, clique no botão abaixo e participe da Comunidade Ciência da Bola LAB.

Fonte do Artigo

https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/02640414.2013.786185

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O efeito da idade relativa no futebol

Muitos pontos interferem para um jovem conseguir ou não ser jogador de futebol. Questões técnicas, táticas, mentalidade, valências físicas, parte cognitiva, entre outros, são atributos que vão influenciar na carreira do jogador. E um aspecto que está muito interligado com tudo isso é a idade relativa no futebol. Mas, afinal, o que é idade relativa no futebol?

O que é a idade relativa?

Existem muitos fatores que contribuem para que o jogador possa chegar ao topo e viver como profissional de futebol. Um desses fatores é a idade relativa. A idade relativa no futebol aponta que, os jogadores nascidos no primeiro semestre do ano, têm mais condições e perspectivas de ter sucesso em comparação aos nascidos no segundo semestre. Em outras palavras, dois jogadores podem ter nascido no mesmo ano, mas são separados por 11 meses, por exemplo. Isto é, o jogador que nasceu primeiro pode desenvolver competências físicas, motoras e psicológicas antes do jogador que nasceu depois.

Como os times de base do futebol estão organizados por ano de nascimento, esses mesmos jogadores são colocados na mesma equipe, competindo diretamente entre si. Isso prejudica os nascidos no segundo semestre — que ainda não desenvolveram algumas capacidades, mas podem ter tanto ou mais talento do que os outros. Isso é a idade relativa no futebol.

Segundo o estudo do Portugal Football Observatory,  “o desenvolvimento desportivo dos jovens é complexo e altamente individual, afetado por fatores em constante mudança, tais como o crescimento físico, a maturação biológica e o desenvolvimento comportamental. Consequentemente, a idade desempenha um papel fundamental neste processo. Isso porque, os jovens atletas são agrupados em times onde os nascidos mais cedo podem apresentar vantagens na participação e no desempenho desportivo, em comparação aos jovens nascidos mais tarde. Esta vantagem, quando existente, é denominada efeito da idade relativa”.

A idade relativa pode ser dividida em:

Trimestres:

  • 1º Trimestre – Janeiro a Março;
  • 2º Trimestre – Abril a Junho;
  • 3º Trimestre – Julho a Setembro;
  • 4º Trimestre – Outubro a Dezembro

Ou semestres:

  • 1º Semestre – Janeiro a Junho;
  • 2º Semestre – Julho a Dezembro.

Luís Castro, ex treinador do FC Porto e Shakhtar Donetsk, também tem opinião sobre o assunto:

“Tem de haver muita atenção da parte de todos para percebermos exatamente o que cada jogador precisa quando está aquém dos outros nessa dimensão física. Muitas vezes isso não acontece na dimensão psicológica, técnica ou tática, mas esses 11 meses de diferença entre um jogador e outro podem ser decisivos para a opção do seu treinador e para opções futuras de continuidade no clube”.

A influência da idade relativa no recrutamento de jogadores

Também, no recrutamento de jogadores, a idade relativa apresenta uma significativa importância, sobretudo no que se trata dos escalões mais jovens. Isto porque os jogadores que nasceram nos primeiros 6 meses (1º semestre do ano), podem apresentar uma maior maturação não só em termos físicos, mas, também, a níveis psicológicos. Isso permite que estes se destaquem dos colegas de equipe e chamem a atenção dos scouts.

No entanto, não é regra que um jogador nascido no 1º semestre atinja a maturação primeiro do que aqueles nascidos no final do ano. Temos o exemplo do Antoine Griezmann, nascido em março e, apesar de mostrar qualidades técnicas desde cedo, a sua maturação física tardou. Isso fez com que muitos clubes franceses, onde ele foi realizar testes, recusassem-no. Mas, um scout da Real Sociedad, vendo que o jogador tinha essas qualidades e que podia se maturar fisicamente mais tarde, acabou por acreditar no potencial do francês.

Consequências da idade relativa no futebol

A idade relativa no futebol tem algumas consequências negativas sob os jovens jogadores nascidos no segundo semestre do ano. Isso pode criar neles uma percepção negativa sobre si próprios, em comparação aos que nasceram até junho. Ou seja, poderão ter em mente que estão um passo atrás dos jovens nascidos antes, o que as vezes acarreta numa desmotivação. Assim, esta falta de confiança e descrença nas capacidades pode levar ao abandono do esporte, visto que existe uma maior taxa de desistências em jogadores que nasceram após junho, devido ao efeito da idade relativa nos times sub-9, sub-11, sub-13 e sub-15.

Portanto, os jogadores nascidos no 1º semestre do ano poderão ter mais vantagens na prática desportiva, ao invés dos nascidos nos dois últimos trimestres do ano. Estas vantagens se revelam, sobretudo, no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades físicas e motoras, permitindo aos atletas nascidos até junho evidenciarem um desenvolvimento mais acentuado, em comparação aos atletas do mesmo ano de nascimento.

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Transição do Futsal para o Futebol

Há algumas semanas constatamos que sim, é possível transferir habilidades motoras de um esporte coletivo para outro – em nosso caso, será a transição do Futsal para o Futebol –, desde que o professor responsável tenha um programa de treinamento bem-planejado e centrado, intencionalmente, no objetivo da transferência.

Vimos também que, além das habilidades motoras específicas do Futsal, é importante que o futuro atleta vivencie sessões de treinamento que englobe experiências com outros esportes coletivos.

Faixas etárias para a transição do futsal para o futebol

Nesse sentido, para melhor sistematizar o anteposto, apresentaremos quatro fases fundamentais nesse texto para a formação do atleta e, além disso, evidenciaremos um processo de progressão quanto à transição do atleta de Futsal para o Futebol.

Fase Universal (6 – 12 anos)

  • Periodicidade: no máximo três vezes por semana, com duração de 60 minutos por aula.

É a fase mais ampla e rica do processo de formação esportiva. Aqui a criança se encontra com as habilidades básicas de locomoção, manipulação e estabilização em refinamento progressivo. Como resultado, pode participar de um número maior e mais complexo de atividades motoras.

Nesta fase, o jogo é um elemento didático-pedagógico que deverá acompanhar as características evolutivas da criança, especialmente no que refere à sua maturidade, evolução psicológica e cognitivo-social. Além disso, as crianças devem começar a identificar os objetivos gerais dos esportes coletivos, nos momentos de defesa e ataque.

Assim, dos 6 aos 12 anos, é necessário desenvolver o máximo capacidades motoras e coordenativas de uma forma geral. Dessa forma, a criança terá uma base ampla e variada de movimentos.

Ainda assim, ocorre um desenvolvimento acentuado nos aspectos cognitivos e físicos que, somados aos fatores culturais, favorecerão a criança a utilizar suas habilidades dentro de estruturas esportivas mais definidas. É nessa fase que devemos inserir o atleta no ambiente competitivo, com adaptações estruturais e funcionais para o melhor desempenho das crianças de acordo com suas necessidades.

Podemos dividir esta fase em dois períodos: período geral (6 – 9 anos); e período das habilidades específicas (10 – 12 anos). Portanto, se tratando do nosso objetivo de haver transição de habilidades do Futsal para o Futebol, tanto no período geral quanto no período das habilidades específicas, os treinos devem ocorrer dentro do ambiente competitivo do Futsal.

Fase de Orientação (11 – 14 anos)

  • Periodicidade: três encontros semanais, com duração entre 60 e 90 minutos por treino.

Esta fase tem início por volta dos 11-12 anos e abrange até os 13-14 anos. É nesse momento que começa a ocorrer a automatização de grande parte dos movimentos, liberando a atenção do praticante para a percepção de outros estímulos que ocorram simultaneamente à ação realizada.

Nessa mesma linha, nas regras de determinada modalidade, o professor deverá buscar junto aos alunos o aperfeiçoamento do movimento, a fim de melhor as respostas motoras. Ainda através do jogo, precisamos incentivar a criança a desenvolver, aprender e aplicar técnicas de movimento específicas do esporte.

Vale ressaltar que o jogo, seja qual for sua forma de organização (jogos de iniciação, pré-desportivos, grandes jogos, jogos recreativos, entre outros), apesar de serem recreativo, devem possuir um alto valor educativo, pois, dessa forma, serão estabelecidas as bases para ações inteligentes.

Por fim, nesta fase, os treinos de Futsal devem ocorrer duas vezes por semana e no Futebol, uma vez por semana.

Fase de Direção (13 – 16 anos)

  • Periodicidade: três encontros semanais, com duração, no máximo, de 90 minutos por treino.

Nesta fase o objetivo principal é a transmissão e aplicação de regras gerais das ações táticas específicas do esporte. Desse modo, as técnicas são trabalhadas em situações representadas em forma de exercícios, onde a requisição da técnica seja variada, nos seus parâmetros de execução e aplicação.

Da mesma forma, os alunos deverão aprender a realizar, com muita velocidade, a transição entre os momentos o jogo de Futebol e Futsal, ou seja, uma vez perdida a bola no ataque, a equipe deve se reorganizar na defesa imediatamente. Ao contrário, uma vez que se recupere uma bola na defesa, ela deve chegar ao campo ofensivo com muita velocidade.

Ainda sobre isso, as aulas devem prever um aumento do conhecimento declarativo (verbalizado, teórico) dos alunos, tanto do Futebol como Futsal.

Ao final desta fase, o atleta conseguirá optar pelo Futsal ou Futebol. Então, na próxima fase, o jogador deverá se especializar no esporte que escolher.

Em conclusão, nesta fase, os treinos de Futsal devem ocorrer uma vez por semana e, no Futebol, duas vezes por semana.

Fase de Especialização (15 – 18 anos)

  • Periodicidade: cerca de três vezes na semana, com 90 a 120 minutos de duração cada treino.

Esta fase abrange dos 15-16 anos até os 17-18 anos de idade. É o momento do atleta concretizar a especialização na transição do Futsal para o Futebol.

A base motora multilateral, o desenvolvimento ósseo e a estatura são consolidados; é quando o atleta suporta maiores cargas de treino e competições, com a definição das habilidades para o Futebol. Nesse sentido, as sessões de treino devem objetivar o aperfeiçoamento e otimização do potencial tático.

Porém, ressaltamos que o potencial tático nada tem a ver padrões rígidos de movimentações, visto que a previsibilidade se opõe à natureza do jogo de Futebol.

Todos os treinos da semana devem ser de Futebol.

O que aprendemos sobre a transição do futsal para o futebol?

Do ponto de vista da transição de habilidades motoras do Futsal para o Futebol, acreditamos ser de fundamental importância os professores considerarem as fases expostas. Na literatura especializada em Pedagogia do Esporte, encontramos diferentes nomenclaturas para as fases, no entanto, o conteúdo, segundo a idade se assemelha nas diferentes propostas. Por fim, obedecer um sistema de treinamento esportivo facilita o processo de avaliação e realinhamento do projeto. Portanto, uma base teórica sólida é fundamental para os profissionais que almejam êxito na transição do Futsal para o Futebol.

Referências e links

Contato do Autor:
Tássio Sardinha
E-mail: tassiosardinha@gmail.com
Instagram: @tsardinha1

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Formação de atletas no futebol

A formação de atletas de futebol no Brasil é um processo complexo e multifacetado que envolve diversas etapas e categorias. O objetivo principal da formação é desenvolver jogadores com habilidades técnicas, táticas e físicas para competir em alto nível no futebol profissional.

É importante destacar que a formação de base é um processo contínuo onde os jogadores precisam ser acompanhados e treinados constantemente para se desenvolverem ao máximo. Além disso, é fundamental que o trabalho nas categorias de base esteja alinhado com o trabalho dos jogadores profissionais, para haver uma continuidade no processo de formação.

Qual a diferença de formação de base e categoria de base?

A formação de base é um processo de formação de atletas cujo objetivo é desenvolver jogadores e equipes para compor a base de um clube ou seleção. Trata-se de um processo contínuo que envolve o treinamento e acompanhamento dos jogadores desde cedo, visando formar atletas para o futebol.

Já as categorias de base são a divisão dos jogadores segundo a sua idade, e servem como uma espécie de etapa no processo de formação, onde os jogadores são treinados conforme o seu nível de maturidade e habilidades. As categorias mais comuns são sub-7, sub-9, sub-11, sub-13, sub-15 e sub-17 e sub-20.

Cada categoria tem seus objetivos e metas específicas, considerando a faixa etária e o desenvolvimento físico, técnico e tático. Por exemplo, na categoria sub-7 o objetivo é introduzir os jogadores ao esporte, trabalhando habilidades motoras e fundamentos do futebol, enquanto na categoria sub-20 o objetivo é preparar os jogadores para os desafios do futebol profissional.

Em resumo, a formação de base é um processo mais amplo e global, enquanto as categorias de base são etapas desse processo, que servem para dividir e direcionar o treinamento dos jogadores de acordo com a sua idade e habilidades.

Formação de Profissionais que trabalham com a base

A qualificação dos profissionais que trabalham com a base é fundamental para garantir a qualidade na formação dos jogadores. É comum que os treinadores e preparadores físicos das categorias de base tenham formação específica em treinamento de futebol e possuam experiência prévia no futebol. Além disso, é importante que esses profissionais estejam constantemente atualizados com as últimas tendências e metodologias de treinamento.

Isso inclui não apenas a formação técnica, mas também a formação em pedagogia esportiva, psicologia do esporte, entre outras áreas relacionadas. Esses profissionais precisam estar preparados para lidar com jogadores de diferentes idades, habilidades e personalidades, e precisam entender como guiar e motivar esses jovens atletas para que eles possam desenvolver seu potencial ao máximo.

Além disso, é importante que os profissionais que trabalham com a base tenham uma boa compreensão da filosofia do clube ou seleção para que eles possam alinhar suas metodologias e práticas com os objetivos gerais do clube. Isso inclui entender a importância de formar jogadores que se encaixem no estilo de jogo do clube, bem como compreender as necessidades do clube em relação a posições e habilidades específicas.

Portanto, os profissionais que trabalham com a base no futebol precisam ter boa formação e experiência prévia no esporte, além de estarem constantemente atualizados com as últimas tendências e metodologias de treinamento, para garantir a qualidade da formação dos jogadores e alinhar com a filosofia do clube ou seleção.

Problemas na formação de atletas

Além de ser um grande celeiro de formadores de atletas de futebol e apresentar alguns clubes de referência na formação, por outro lado, a formação de atletas de futebol no Brasil enfrenta uma série de problemas que podem afetar negativamente o desenvolvimento dos jogadores e a qualidade do futebol nacional. Alguns desses problemas incluem a falta de infraestrutura adequada, a falta de qualificação dos profissionais que trabalham com a base e a falta de programas de desenvolvimento para jovens jogadores.

Uma das principais questões é a falta de infraestrutura adequada para a formação de jogadores. Muitos times de futebol no Brasil não possuem campos de treinamento de qualidade ou instalações esportivas modernas. Isso pode dificultar o desenvolvimento das habilidades técnicas e físicas dos jogadores, bem como limitar a quantidade de treinamentos e jogos que eles podem realizar.

Outro problema é a falta de qualificação dos profissionais que trabalham com a base. Muitos treinadores e preparadores físicos que trabalham com jogadores jovens não possuem formação específica em treinamento de futebol ou experiência prévia no futebol. Isso pode afetar negativamente a qualidade do treinamento que os jogadores recebem e limitar o seu desenvolvimento.

A falta de programas de desenvolvimento para jovens jogadores é outro problema que pode afetar negativamente a formação de atletas de futebol no Brasil. Muitos times não possuem programas específicos para desenvolver jogadores jovens e prepará-los para o futebol profissional. Isso pode dificultar a transição dos jogadores da base para o futebol profissional.

Transição das categorias de base para o profissional

A transição dos jogadores das categorias de base para o futebol profissional é um processo importante e desafiador. É preciso que os jogadores estejam preparados tanto fisicamente quanto tecnicamente para competir em alto nível. Além disso, é importante que os jogadores tenham uma boa mentalidade e estejam preparados para lidar com as pressões e exigências do futebol profissional.

Atualmente, muitos jogadores de base enfrentam dificuldades na transição para o nível profissional devido à falta de oportunidades. Muitos times preferem contratar jogadores com mais experiência, deixando os jovens limitados a jogar pouco. Isso pode dificultar a transição dos jogadores para o futebol profissional e limitar o seu desenvolvimento.

A pressão por resultados por parte dos clubes é uma realidade no futebol, e isso se estende também às categorias de base. Com a busca constante por jogadores jovens e promissores, muitos clubes europeus, por exemplo, estão dispostos a gastar grandes somas de dinheiro para atrair esses atletas para suas equipes. Isso pode criar uma situação em que os jovens jogadores são “comprados” por clubes da Europa antes mesmo de terem a oportunidade de desenvolver suas habilidades e se tornarem profissionais em seus países de origem.

Além disso, esses jovens jogadores podem se sentir pressionados a se adaptar rapidamente às expectativas e exigências dos clubes, o que pode ser um problema para sua formação e transição para o futebol profissional. A falta de tempo para se adaptar ao novo ambiente, língua e cultura, pode ser um obstáculo para o desenvolvimento dos jogadores, e podem não ter a oportunidade de desenvolver suas habilidades de forma adequada.

Essa pressão por resultados e o assédio de clubes da Europa pode levar a uma sobrevalorização de jogadores jovens, colocando expectativas excessivas sobre eles antes mesmo de eles terem a oportunidade de mostrar seu verdadeiro potencial. Isso pode levar a frustrações e decepções tanto para os jogadores quanto para os clubes, e pode até mesmo levar a problemas psicológicos para os jogadores.

Como trabalhar com futebol de base

Trabalhar como profissional em categorias de base no futebol é uma ótima maneira de contribuir para o desenvolvimento de jogadores jovens e ajudar a moldar o futuro do esporte. Existem várias funções diferentes que uma pessoa pode desempenhar nesse contexto, como treinador, preparador físico, scout, entre outros.

Para se tornar um treinador de categoria de base, é necessário ter conhecimentos técnicos e táticos do futebol, além de experiência em trabalhar com jovens jogadores. É importante estar sempre atualizado com as últimas tendências e metodologias de treinamento, e também ter habilidades de liderança e comunicação.

Além disso, convidamos para ouvir os episódios do nosso podcast onde discutimos temas relevantes sobre o desenvolvimento de jogadores jovens e sobre como trabalhar como profissional em categorias de base no futebol.

Confira abaixo um episódio de podcast sobre o assunto:

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O Talento no futebol é treinável?

O que é talento no futebol? Primeiramente, palavra “talento” serve para classificar um indivíduo que demonstra um conjunto de aptidões para o desenvolvimento de uma atividade específica. No futebol usamos a expressão “jogador talentoso”, os quais são alvos dos scouts desde a base. Por vezes, o fator tempo não é devidamente respeitado, o que influencia diretamente na evolução do atleta.

Talento no futebol: Inato ou adquirido?

Até ao final do seculo XX, o talento era exclusivamente considerado inato. No entanto, a partir dessa época, registrou-se uma mudança de paradigma. Dessa forma, devido à intensificação dos estudos, começamos a perceber a lógica do desenvolvimento, do treino e do contexto ambiental. Sendo isso a base da evolução do talento, surgiu assim o fator “contexto”.

O contexto é onde ocorre a exposição da prática, sendo ele essencial para o desenvolvimento do desempenho do jogador. Assim, para explicar as diferenças intra-individuais no desempenho dos jogadores, o papel do contexto e a prática da atividade assume destaque, em detrimento das influências genéticas.

Segundo Coyle em seu livro publicado em 2012, a motivação é um consenso para o desenvolvimento do talento no futebol e em outras áreas. Ele cita que o talento começa em pequenos e poderosos encontros. Ou seja, estimulando a motivação e vinculando a nossa identidade a uma pessoa ou grupo de alto desempenho. Isto é chamado ignição, em outras palavras, um pequeno pensamento de mudança que ilumina o nosso inconsciente, dizendo: “eu poderia ser eles”.

Esta linha de pensamento foi decisiva na forma como se passou a perceber e conceber o talento, sendo as variáveis de mais destaque nesta temática:

  • Contexto (treino e prática);
  • Social (influência dos pais, situação econômica, treinadores, colegas…);
  • Psicológica (motivações).

Ao acreditar-se no talento inato põe-se em desconfiança o papel da aprendizagem, do treino e da capacidade transformadora, sendo elas capacitadoras dos jogadores.

Identificação de talento

O futebol é um meio muito competitivo. Portanto, a identificação de talento, principalmente numa fase precoce, torna-se uma vantagem competitiva para os clubes, tanto ao nível desportivo como financeiro. Dessa forma, permite que estes tenham, nos seus elencos, bons jogadores sem despender recursos financeiros na sua aquisição.

No entanto, o processo de identificação de talento é bastante subjetivo, pois os jogadores têm fases de maturação diferentes. Neste sentido, o autor Júlio Garganta em 2009 disse que, no processo de recrutamento e seleção, o foco dos scouts recai essencialmente nos jogadores com um rendimento acima da média ou, ainda, sobre aqueles que demonstram condições de evolução num processo de treino estruturado. Num estudo publicado em 2009 realizado com oito treinadores de formação da seleção nacional dinamarquesa, eles mencionaram que utilizam a sua intuição e experiência para identificar padrões nos jogadores. Sendo os dois fatores mencionados por Garganta como base para suas decisões.

No processo de treino, mesmo que um atleta tenha uma orientação adequada, oportunidades precoces e muito incentivo, o sucesso nem sempre estará garantido. Apesar de atrativa e apelativa, a ideia na qual a prática leva à perfeição não parece ser realista. Porém, as explicações em termos práticos são insuficientes, valorizando também as características hereditárias.

Outro fato importante é a predisposição genética do indivíduo que pode interferir no desempenho desportivo. Nem todas as crianças conseguem responder positivamente às oportunidades e incentivos.

O que aprendemos sobre talento no futebol

Portanto, desempenhos elevados não estão em uma fórmula mágica. Há muitas formas de chegar lá, sendo extremamente difícil associar os fatores em questão.

A excelência no esporte é o resultado da conjugação entre genética e o ambiente envolvente. Mesmo pressupondo que existem influências genéticas no alto desempenho, elas devem ser entendidas de forma probabilística para obtenção do sucesso, sendo necessárias condições ambientais apropriadas para que o indivíduo se destaque. Deste modo, concluímos que o talento é algo inato e adquirido, ou seja, todos os indivíduos têm essa capacidade. Porém, depende do aperfeiçoamento, do interesse do praticante, de uma boa capacidade de relacionamento interpessoal, adaptações a diferentes contextos e disciplina.

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Métodos de Ensino no Futebol

Neste texto, explicaremos sobre os principais métodos de ensino do Futebol para você compreender melhor a respeito deste assunto.

Modalidades coletivas como o Futebol, por exemplo, possuem como característica principal a organização do jogo entre ataque, defesa e transições. Entretanto, no Futebol também há a presença de princípios e intenções táticas pautadas dentro daquilo que o jogo oferece e exige. Portanto, o processo de ensino do Futebol requer a aplicação de princípios didáticos, pautados em metodologias e ações pedagógicas que contemplem um ensino eficiente.

De maneira geral, os métodos de ensino no futebol mais conhecidos na literatura e que exemplificaremos neste texto são os métodos: analíticos, globais e mistos. Porém, outros métodos e abordagens de ensino estão presentes na literatura com características que se encaixam ora nos métodos analíticos, ora nos globais. A exemplo, estão os métodos situacionais, os métodos dos jogos reduzidos, os métodos confrontacionais entre outros.

Mas quais as características predominantes nas ações dos principais métodos de ensino no Futebol?

Método Analítico

O método analítico é muito conhecido pela sequência de “exercícios técnicos¨ isolados. Caracteriza-se pela aprendizagem através das técnicas e fundamentos, sem o envolvimento de situações de jogo, ou seja, em alguns momentos, sem a presença de companheiros e do adversário.  Este método, dá ênfase à biomecânica do movimento, e a técnica é desenvolvida em um processo sequencial. Partindo do mais simples para o mais complexo, em uma perspectiva descontextualizada do jogo em si, pois a prioridade é o padrão do movimento.

Método Global

O método global fundamenta-se em desenvolver estruturas de jogos menos complexas que o jogo formal, como jogos pré-desportivos, recreativos, de iniciação, etc. Esta metodologia deverá promover atividades/jogos desafiadores, em que problemas táticos são constantemente exigidos durante os jogos. Assim, o jogador é estimulado a pensar e tomar decisões de forma contínua.  Ao invés de enfatizar a aprendizagem de fundamentos técnicos isolados, o método global estimula a capacidade de descoberta pela prática através do desenvolvimento do jogo.

Estes jogos, portanto, propiciam o contato direto do jogador com o adversário, em um ambiente instável com ou sem bola de forma dinâmica. Costuma-se afirmar, que este ensino se pauta em três fatores: comportamento tático; desenvolvimento técnico; e o domínio do espaço de jogo.

Método Misto

É a mescla entre os dois métodos de ensino explicitados acima. Parte da abordagem técnica no início da sessão de treino e finaliza com a prática de atividades em formato de jogos.  Este método possibilita mais vivências práticas contextualizadas se comparado ao analítico, pois quando o atleta não consegue executar tal função no jogo eficazmente, o treinador utiliza uma série de exercícios ou jogos com ênfase na melhora do processo, permitindo correções e evoluindo para o jogo formal.

Além destes, outros métodos também são estudados na literatura:

Método Situacional

Este método é caracterizado pela prática de situações de jogo semi-estruturadas (situações extraídas do jogo), que envolvem comportamentos individuais e coletivos. A ênfase deste método é desenvolver a capacidade cognitiva do atleta no seu espaço de jogo, como a percepção, antecipação, e tomadas de decisão; com e sem bola. Alguns autores denominam este ensino como jogos condicionados ou métodos de série de jogos. Na prática, o professor adapta espaço, número de atletas, regras, mas sem alterar os princípios do jogo.

De maneira geral, este método permite desenvolver competências para os atletas solucionarem os problemas específicos do esporte através do desenvolvimento das capacidades cognitivas, coordenativas e técnico-motoras.

Método dos Jogos reduzidos

Em princípio, alguns estudos contemplam também o método de jogos reduzidos, na qual são realizados jogos em espaços pequenos, onde os elementos da estrutura das modalidades coletivas devem estar presentes. São estes os elementos: bola; regras; espaço; adversários; colegas; meta. Os jogos vão sendo adaptados conforme o objetivo do treino e do treinador.

Métodos de confrontação ou jogo formal

Além disso, na literatura, encontra-se o método de confrontação, ou jogo formal. Este consiste em aprender o jogo com suas características formais, sem divisões de etapas, ou objetivos preliminares a serem trabalhados. Um exemplo clássico, é o “coletivo”, onde a aprendizagem se dá através da organização do jogo formal entre o confronto das duas equipes. A estruturação desta atividade está relacionada diretamente com a busca pela vitória, seja na divisão das equipes, na elaboração de estratégias, no confronto direto entre os jogadores, entre outros.

O que entendemos sobre Métodos de Ensino no Futebol?

Contudo, fica claro que o professor e/ou treinador precisa ter conhecimento sobre a existências destas metodologias, da pedagogia e dos processos de ensino aprendizagem, além de recorrer ao método de ensino conforme o momento e situação durante seus treinos e aulas. Pois, o professor/treinador é o agente mediador da compreensão do jogo com seus atletas. Desse modo, a utilização das metodologias vêm de encontro com a realidade social, com a adequação a faixa etária dos atletas, seja a abordagem em escolinhas, clubes, etc.

Durante as partidas é comum evidenciarmos que os atletas que mais se destacam em campo, são aqueles que melhor conseguem selecionar as informações, e antecipam melhor as situações específicas do jogo. E estas ações cognitivas e motoras devem ser treinadas. Por isso, é essencial que na sessão de treinamento o contexto de jogo e o comportamento inteligente do atleta/aluno sejam desenvolvidos. Mas qual o caminho para alcançar tal objetivo? As metodologias servem justamente para isso, para embasar o ensino do treinador.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

Referências para Leitura sobre métodos de ensino no futebol:

Cotta, Rafael Martins. Treino é jogo! E jogo é treino! A especificidade do treinamento no futebol atual- Rafael Martins Cotta.

Moreira, Renato Lopes. Tática no Futsal: anotações teóricas e práticas sobre o jogo.

Balzano, Otávio Nogueira. Futsal: Treinamento com jogos táticos por compreensão.

GRAÇA, A.; MESQUITA, I. A investigação sobre os modelos de ensino dos jogos desportivos. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v.7.

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Treinamento de goleiros na infância

Os Jogos Esportivos Coletivos como o futsal, futebol e handebol, são modalidades que contam com diversas posições. Sabemos que é muito comum a preocupação em organizar e ensinar as funções de cada posição desde a tenra idade para desenvolver suas potencialidades. No entanto, o treinamento de goleiro muitas vezes fica aquém, em comparação ao restante das posições.

Compreendemos também que é mais comum a influência dos pais e/ou responsáveis por seus filhos (as) para serem jogadores de linha, havendo pouca procura para ser goleiro. Mas, quando encontramos, é necessário ter um olhar pedagógico específico para tal.  

Mas como realizar uma abordagem educativa com esta posição?

Em princípio, nesta fase, o aluno precisa ter apreço por esta posição. Logo, compreendemos que dos 07 aos 10 anos os alunos começam a interiorizar os esquemas de ações, simples e concretas, por meio da diversidade de vivências.

Do mesmo modo, o jogo situacional comportamental deve ser enfatizado. O aluno precisa se situar dentro da área, ter noção espacial e de regras, entendendo ser o único que pode tocar na bola com as mãos no futebol e futsal, por exemplo. Bem como, identificar quem são seus colegas de equipe na reposição de bola.

Em suma, algumas reflexões pedagógicas são necessárias para o planejamento de aula:

  • Quais os movimentos mais importantes que os goleiros realizam durante as partidas?
  • Como realizá-los?
  • Onde o goleiro pode jogar dentro da quadra?
  • Como o goleiro deve se posicionar no momento do escanteio e reposição de bola?
  • O aluno (a) precisa gostar do que realiza e se sentir confiante.

Como realizar o treinamento de goleiro de futsal para a criança?

Empunhadura ou pegada

Sob o mesmo ponto de vista da premissa acima sobre o planejamento contextualizado, a ação do movimento precisa ter sentido para quem realiza. Dentre os fundamentos específicos da posição, a empunhadura ou pegada, movimento este realizado com as mãos para agarrar a bola, é um dos mais utilizados.

Nesse sentido, para desenvolver a técnica, o professor pode estar utilizando diversas bolas, de diferentes tamanhos, inclusive bolinhas de tênis que após o quique toma direções distintas, possibilitando a velocidade de reação do movimento.

As atividades com constantes mudanças de direções, sejam elas quicando a bola contra o chão e realizando a empunhadura, ou deslocamentos frontais e de costas lançando a bola para cima são importantes inclusive para o aquecimento inicial, caracterizando situações técnicas e de espaço temporal.

Base

Outro fundamento do goleiro de futsal é a base. Movimento importante para defesas de bolas rasteiras e saídas no 1×1. Logicamente que há todo uma complexidade envolvida nas situações de jogo e em qual situação tal fundamento será realizado. No entanto, movimentos simples de ações corporais trabalhados durante o treinamento auxiliam no processo de ensino aprendizagem global do aluno.

O profissional pode organizar atividades com deslocamentos e dois fundamentos em simultâneo, favorecendo a tomada de decisão rápida do aluno e a visão ampla do ambiente (espaço, traves, bola e jogador).

Trabalhos técnicos-táticos

Outro ponto importante são os trabalhos técnicos táticos de 1×1 com alunos (as) de linha. Estes desenvolvem a noção do tempo de chute do jogador, noção de como se deslocar conforme o espaço onde a bola está, além do enfrentamento com o adversário e defesas de finalizações dentro e fora da área.

A atividade denominada “espelho” também é essencial para automatização da ação corporal. Inicialmente, pode ser realizada sem bola, onde o profissional permanece de frente para os alunos (as) executando os movimentos com calma, enquanto estes repetem as ações. É um momento de correção, ajustes e automatização do movimento. Logo o elemento bola pode estar sendo introduzido e adicionado a empunhadura e/ou agarre.

As possibilidades de ensino são enormes. Assim, é importante que se tenha objetivos claros de aulas/treinos e sequência partindo do mais simples para o mais complexo.

Por fim, o mais importante é o goleiro (a) se sentir confiante debaixo das traves. Esta confiança se dá em um processo de reforço positivo entre treinos e jogos e, principalmente, ao ter a compreensão do que está fazendo dentro de quadra. Como resultado, o treinamento de goleiro de qualidade dará confiança e qualidades técnico-táticas fundamentais para a posição.

Fontes e Referências:

A epistemologia genética escrito por Jean Piaget

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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A formação de atletas no futebol e futsal: influência dos professores e pais

Sabemos que a formação de atletas no futebol e no futsal vêm em ascensão desde as menores idades, sendo a proximidade e o incentivo familiar imprescindível neste percurso.

Compreendemos que todo núcleo de formação de atletas no futebol e futsal, seja particular ou em projetos sociais, baseiam-se em objetivos e metodologias pedagógicas visando o desenvolvimento global de seus alunos(as). Todas as aulas são planejadas com o intuito de potencializar as capacidades motoras e cognitivas dos praticantes. Ao mesmo tempo, muitas das sessões de treinos sofrem críticas dos olhares de fora na arquibancada por acreditarem que futebol são 11×11 e futsal são 5×5 apenas.  

Jogos fragmentados, brincadeiras diversas, correr pelo espaço com bola e brincar de pega-pega de forma contextualizada, são alguns dos exemplos diversos na infância que auxiliam na aprendizagem destas modalidades. Mas como dialogar com os pais a compreensão sobre a metodologia e a sua importância?

Treinos na formação de atletas no futebol e futsal

Em princípio, o jogo e as atividades situacionais propostas nos treinos possibilitam situações adversas que precisam de repostas. Então, a criança vai se adequando conforme o estímulo e respondendo aos constrangimentos do ambiente.

Veja no exemplo da brincadeira “Mãe na Rua”. Primeiramente, dividimos a quadra em três setores, são eles:  uma rua e duas avenidas. A brincadeira conta com pegadores e fugitivos. O ideal é que cada pegador tenha uma bola. Na rua ficarão os pegadores, e nas avenidas os fugitivos. O objetivo destes é passar de uma avenida para a outra sem ser pego. Se o espaço for reduzido, as chances dos pegadores encostarem em seus colegas é maior. Os constrangimentos do espaço serão muitos, tais como: espaço reduzido, todos com bola executando uma única ação, fundamentos de condução e controle de bola, percepção espacial, organização no espaço, visão em relação aos colegas. Todas as crianças estão, em simultâneo, gerando conflito de espaço. E o que fazer? Deverão achar as soluções para esses problemas, ou seja, tomar boas decisões.

Porém, nem sempre os pais e responsáveis compreendem essa dinâmica, acreditando ser um ensino frágil, o qual não contribuirá para seu filho(a). Assim, o modelo familiar estabelece as ideias e conceitos de forma geral na criança.

Outro ponto a ser refletido é que alguns pais têm um “saber” enraizado e acreditam que esse é o melhor jeito de ensinar, porque aprenderam a modalidade desta forma, ditando tais conhecimentos para as crianças. E estas? Seguem qual ensino? O do professor ou o pai/mãe que está gritando do lado de fora enquanto acompanha os jogos e/ou treinos? 

Relação benéfica entre processo de ensino e família?

Na infância é absolutamente normal que todas as crianças corram atrás da bola ou se aglomeram em um único espaço. A compreensão sobre a estrutura funcional do jogo vai sendo adquirida aos poucos por meio de uma sequência com coerência dos treinos. A lógica sistemática de posicionamento não se faz necessário nesta fase até os dez anos, pois seria o mesmo que mecanizar ações de movimento. Em suma, é importante que a criança goste e sinta prazer em jogar.

 Durante os treinos a voz de comando que deve prevalecer é a do professor. Informações advindas de fora de quadra do que se deve ou não fazer acabam sobrecarregando a criança de informação, e esta acaba repetindo o que lhe é dito, ao invés de decidir por conta própria.

A cobrança dos pais no processo de formação

De fato, há toda uma expectativa dos responsáveis para que seus filhos(as) tornem-se craques, e não há problema algum, nisso. No entanto, o excesso de cobrança influencia no desenvolvimento da criança e inibi sua criatividade e tomadas de decisões.

Criança tem que ser criança. Tem que abusar da sua criatividade, devendo explorar o espaço com bola nos pés. Quanto mais estímulos, mais desenvolvimento terá. Muitas vezes os pais ditam as regras e ações, sobressaindo-se aos treinadores(as), o que não é apropriado por todas as questões citadas acima, sejam elas, a busca pelo conhecimento ou a organização do treino que o profissional se dedica.

Palestras, uma roda de conversa explicando objetivos e metas dos treinos são boas opções para reflexão entre a relação alunos(as) e pais. A contextualização dos objetivos de trabalho reforça confiança.

Neste sentido, é importante que os pais entendam o processo pedagógico e que as atividades, por mais simples que sejam, todavia, contextualizadas, são partes fundamentais do jogo e das relações técnico-táticas.

A intervenção dos pais não pode tirar a autoridade dos professores nem prejudicar a aprendizagem de seu filho. Pois, a maior preocupação deve ser na formação, no processo, e não apenas no resultado com intuito de sobressair dos demais e torna-se um craque.

Confira abaixo um episódio em nosso Podcast sobre o assunto:

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A observação dos jogadores de futebol na base

O futebol é um meio de lazer e recreação para muitos jovens. Mas, para outros, o futebol é uma opção de carreira. Dessa forma, os treinos precisam ir ao encontro das respectivas categorias/idades dos atletas, desenvolvendo alguns aspectos específicos do jogador. Assim sendo, a observação dos jogadores de futebol precisa valorizar diferentes características consoante a cada faixa etária, visando sempre ser o mais assertivo possível.

Como fazer a observação dos jogadores de futebol em cada faixa etária?

Dos 5 aos 9 anos

Nas categorias mais jovens, ou seja, na fase da iniciação e lúdica, normalmente entre os 5 e 9 anos, é fundamental avaliarmos a sua relação com bola e, sobretudo, a sua paixão pelo jogo de futebol. Em outras palavras, tentar perceber se o menino está lá por amor ao esporte, ou apenas pelos amigos, se foi por influência dos pais, etc.

Dos 10 aos 13 anos

Numa outra fase, entre os 10 e os 13 anos, teremos de observar outros aspectos, como a técnica individual, na qual podemos englobar a qualidade do passe (curto, longo, vertical…), recepção, drible, remate, condução de bola, entre muitos outros aspectos. Também é importante analisarmos a coordenação motora do jogador, até porque, quanto mais evoluída for a coordenação motora, mais os atletas podem realizar as jogadas estratégicas e com velocidade. Além disso, a criatividade do jogador também é um fator essencial a observar em jogadores destas idades.

Dos 14 aos 15 anos

Entrando na fase da observação de jogadores entre os 14 e 15 anos, começamos a identificar mais a qualidade na execução da tarefa numa posição específica. Isso nas idades mais jovens se torna um pouco mais difícil, pois os jogadores geralmente não têm uma posição definida e experimentam um pouco de todas as posições nos primeiros anos de formação. Aliado ao fato de observarmos o jogador na posição que desempenha, também começamos a dar mais ênfase aos comportamentos táticos do jogador (individual). Essa importância tática acontece, pois, nessa idade, os treinos começarão a ser mais voltados a parte tática. Outros fatores importantes são a execução técnica das ações (se atentar para o uso dos dois pés) e o amadurecimento do jogador, porém este último depende de clube para clube.

Dos 16 aos 17 anos

Na observação de jogadores entre os 16 e 17 anos, juntando ao escrito nas outras fases, acrescentamos alguns pontos. Mas, serão observados também os aspectos psicológicos e sociais, como a atitude competitiva e a personalidade. Em outras palavras, veremos se o jogador “sente” o jogo, se gosta de assumir responsabilidades e de ter bola ou não. Além disso, a boa tomada de decisão deverá ser um dos aspectos a ser valorizado nesta faixa etária.

Categorias Sub-18 e sub-23

Nos escalões sub-18 a sub-23, onde entramos na fase da especialização, o perfil físico terá uma importância acrescida. Isso acontece porque, apesar dos atletas terem diferentes fases de maturação, nestes escalões os jogadores já atingiram o auge da sua maturação.

No futebol profissional, onde cada clube busca os melhores jogadores possíveis para o seu contexto, todas as variáveis (técnico, tático, físicos, sociais e psicológicos) têm de ser considerados. E as observações devem ser o mais completas e abrangentes possíveis. Pode conferir mais sobre esses aspectos aqui.

Os aspectos/características a observar num jogador de futebol em cada faixa etária é um pouco variável de clube para clube. No entanto, estas são algumas das características que considero fundamentais observar nas diferentes faixas etárias

Portanto, o processo de observação de jogadores nos escalões mais jovens, ocorre de mãos dadas com o processo do treino.

Contato do Autor
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