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O efeito da idade relativa no futebol

Muitos pontos interferem para um jovem conseguir ou não ser jogador de futebol. Questões técnicas, táticas, mentalidade, valências físicas, parte cognitiva, entre outros, são atributos que vão influenciar na carreira do jogador. E um aspecto que está muito interligado com tudo isso é a idade relativa no futebol. Mas, afinal, o que é idade relativa no futebol?

O que é a idade relativa?

Existem muitos fatores que contribuem para que o jogador possa chegar ao topo e viver como profissional de futebol. Um desses fatores é a idade relativa. A idade relativa no futebol aponta que, os jogadores nascidos no primeiro semestre do ano, têm mais condições e perspectivas de ter sucesso em comparação aos nascidos no segundo semestre. Em outras palavras, dois jogadores podem ter nascido no mesmo ano, mas são separados por 11 meses, por exemplo. Isto é, o jogador que nasceu primeiro pode desenvolver competências físicas, motoras e psicológicas antes do jogador que nasceu depois.

Como os times de base do futebol estão organizados por ano de nascimento, esses mesmos jogadores são colocados na mesma equipe, competindo diretamente entre si. Isso prejudica os nascidos no segundo semestre — que ainda não desenvolveram algumas capacidades, mas podem ter tanto ou mais talento do que os outros. Isso é a idade relativa no futebol.

Segundo o estudo do Portugal Football Observatory,  “o desenvolvimento desportivo dos jovens é complexo e altamente individual, afetado por fatores em constante mudança, tais como o crescimento físico, a maturação biológica e o desenvolvimento comportamental. Consequentemente, a idade desempenha um papel fundamental neste processo. Isso porque, os jovens atletas são agrupados em times onde os nascidos mais cedo podem apresentar vantagens na participação e no desempenho desportivo, em comparação aos jovens nascidos mais tarde. Esta vantagem, quando existente, é denominada efeito da idade relativa”.

A idade relativa pode ser dividida em:

Trimestres:

  • 1º Trimestre – Janeiro a Março;
  • 2º Trimestre – Abril a Junho;
  • 3º Trimestre – Julho a Setembro;
  • 4º Trimestre – Outubro a Dezembro

Ou semestres:

  • 1º Semestre – Janeiro a Junho;
  • 2º Semestre – Julho a Dezembro.

Luís Castro, ex treinador do FC Porto e Shakhtar Donetsk, também tem opinião sobre o assunto:

“Tem de haver muita atenção da parte de todos para percebermos exatamente o que cada jogador precisa quando está aquém dos outros nessa dimensão física. Muitas vezes isso não acontece na dimensão psicológica, técnica ou tática, mas esses 11 meses de diferença entre um jogador e outro podem ser decisivos para a opção do seu treinador e para opções futuras de continuidade no clube”.

A influência da idade relativa no recrutamento de jogadores

Também, no recrutamento de jogadores, a idade relativa apresenta uma significativa importância, sobretudo no que se trata dos escalões mais jovens. Isto porque os jogadores que nasceram nos primeiros 6 meses (1º semestre do ano), podem apresentar uma maior maturação não só em termos físicos, mas, também, a níveis psicológicos. Isso permite que estes se destaquem dos colegas de equipe e chamem a atenção dos scouts.

No entanto, não é regra que um jogador nascido no 1º semestre atinja a maturação primeiro do que aqueles nascidos no final do ano. Temos o exemplo do Antoine Griezmann, nascido em março e, apesar de mostrar qualidades técnicas desde cedo, a sua maturação física tardou. Isso fez com que muitos clubes franceses, onde ele foi realizar testes, recusassem-no. Mas, um scout da Real Sociedad, vendo que o jogador tinha essas qualidades e que podia se maturar fisicamente mais tarde, acabou por acreditar no potencial do francês.

Consequências da idade relativa no futebol

A idade relativa no futebol tem algumas consequências negativas sob os jovens jogadores nascidos no segundo semestre do ano. Isso pode criar neles uma percepção negativa sobre si próprios, em comparação aos que nasceram até junho. Ou seja, poderão ter em mente que estão um passo atrás dos jovens nascidos antes, o que as vezes acarreta numa desmotivação. Assim, esta falta de confiança e descrença nas capacidades pode levar ao abandono do esporte, visto que existe uma maior taxa de desistências em jogadores que nasceram após junho, devido ao efeito da idade relativa nos times sub-9, sub-11, sub-13 e sub-15.

Portanto, os jogadores nascidos no 1º semestre do ano poderão ter mais vantagens na prática desportiva, ao invés dos nascidos nos dois últimos trimestres do ano. Estas vantagens se revelam, sobretudo, no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades físicas e motoras, permitindo aos atletas nascidos até junho evidenciarem um desenvolvimento mais acentuado, em comparação aos atletas do mesmo ano de nascimento.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Quais as diferenças entre Técnica e Tática no Futebol?

O futebol é um esporte coletivo que exige uma série de habilidades e competências dos jogadores. Dentre essas, a técnica e a tática são fundamentais para o sucesso de uma equipe. Mas existe diferenças entre técnica e tática?

Dessa maneira, de forma simples, podemos definir a técnica como a capacidade do jogador em realizar movimentos com precisão e eficiência. São as ações motoras do atleta. Já a tática é a execução das ações de jogo, visando alcançar um objetivo, gerindo o espaço e o tempo naquela situação em campo.

O Que é Técnica no Futebol?

A técnica no futebol se refere à habilidade individual de um jogador em lidar com a bola. Ela abrange uma ampla variedade de aspectos, incluindo dribles, passes, chutes, domínio de bola e controle. A técnica é a base sobre a qual o jogo é construído, pois cada jogador deve ser capaz de realizar essas habilidades de forma consistente e precisa.

Confira algumas das principais técnicas utilizadas no Futebol:

Domínio de Bola

O domínio de bola é uma parte essencial da técnica no futebol. Envolve a capacidade de receber e controlar a bola com os pés, coxas, peito e cabeça. Jogadores com excelente domínio de bola são capazes de parar a bola instantaneamente, independentemente da velocidade ou direção do passe. Isso lhes dá uma vantagem significativa em situações de jogo.

Dribles

Os dribles envolvem um jogador em posse da bola precise passar habilmente pelos adversários. Dribles eficazes requerem controle de bola excepcional, velocidade, agilidade e um toque suave.

Chutes

Os chutes são um dos aspectos essenciais da técnica no futebol. Um jogador precisa ser capaz de chutar a bola com precisão tanto em curta quanto em longa distância, e em bolas paradas como cobranças de falta e penalidades. A técnica de chutar envolve o uso adequado do pé, incluindo o pé dominante e o pé mais fraco.

Passes

Passar a bola com precisão é uma das habilidades mais importantes no futebol. Um jogador deve ser capaz de entregar a bola a um companheiro de equipe no momento certo e no local certo. Isso envolve a técnica de pé interno, pé externo e outros tipos de passes.

O que é Tática no Futebol?

A princípio, a tática no futebol pode ser entendida de forma simples é a gestão do espaço de jogo. Ela pode ser dividida em dois grandes grupos:

  • Tática ofensiva: refere-se às ações da equipe com a posse de bola, como construção de jogadas, finalização, etc.
  • Tática defensiva: refere-se às ações da equipe sem a posse de bola, como marcação, recomposição, etc.

Além disso, vários estudos sobre os princípios táticos existem no futebol atualmente. Como sugestão, o Glossário da CBF traz conceitos evidenciados e detalhadamente pela literatura científica, abordando tanto a técnica quanto os aspectos táticos.

Resumidamente, destacamos aqui abaixo alguns dos aspectos presentes dentre da tática no futebol:

Tipos de Marcação

A marcação é uma prática defensiva, no qual tem o objetivo de seguir de perto os jogadores adversários para impedir que recebam a bola ou criem oportunidades. Ela pode envolver tipos de marcação pressão, quanto os jogadores de defesa buscar roubar a bola dos atacantes no campo todo; Ela ainda pode ser individual, coletiva e mista, sempre tendo como referência a recuperação da bola.

Movimentos Coordenados Ofensivos

Movimentos coordenados são parte integrante da tática no futebol. Isso inclui corridas, passes em profundidade, deslocamentos e trocas de posição entre os jogadores. Esses movimentos são projetados para criar espaço, confundir a defesa adversária e criar oportunidades de gol.

Transições

Outro aspecto crucial da tática é a capacidade de realizar transições rápidas entre defesa e ataque. As equipes de sucesso muitas vezes são capazes de recuperar a posse de bola e rapidamente passar para o ataque, pegando a defesa adversária desorganizada.

Além do mais, uma das das principais manifestações estruturais de tática no futebol é a formação tática da equipe. Isso determina como os jogadores se posicionam em campo e como eles interagem entre si. Formações populares incluem o 4-4-2, o 4-3-3 e o 3-5-2, cada um com suas próprias vantagens e desvantagens.

Entretanto, vale destacar as diferenças entre sistemas e esquemas táticos, que embora façam parte da tática, eles representam conceitos estruturais e não devem ser sinônimos de tática, como erroneamente vemos em alguns locais.

A relação entre Técnica e Tática no Futebol

É importante entender que a técnica e a tática no futebol não são conceitos isolados. Na verdade, eles estão intrinsecamente interligados e se complementam. Uma equipe com jogadores tecnicamente bons tem mais recursos para executar táticas complexas.

Desse modo, podemos dizer que técnica e tática são conceitos complementares no futebol, como duas faces da mesma moeda. A técnica é a base para a tática, pois é necessária para que o jogador possa executar as ações táticas. Já a tática, pode ajudar o jogador a aprimorar sua técnica. A exemplo, um jogador que treina passes e dribles em um contexto tático, terá mais chances de melhorar essas habilidades.

Por outro lado, a tática pode potencializar as habilidades técnicas de um jogador. Uma equipe bem organizada cria espaços e oportunidades para que os jogadores usem suas habilidades técnicas com eficiência.

Para além da técnica e tática no Futebol

No futebol atualmente, a técnica e a tática são cada vez mais importantes. Os jogadores precisam conseguir realizar movimentos complexos e de se adaptar a diferentes situações de jogo. Mas é importante destacar que além dos conceitos básicos de técnica e tática, existem outros aspectos importantes para o futebol.

Dentre esses, destacam-se os aspectos físicos, mentais e psicológicos. Por isso, muitos métodos de treinamento no futebol buscar unir todos os conceitos das vertentes do futebol. A ideia é que a complexidade dos fatores permita o desenvolvimento integral das habilidades dos atletas na especificidade do esporte. Portanto, é crucial saber sobre a importância e relação entre técnica e tática.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Os dados e a análise de desempenho no futebol

O que é e como funciona a análise de desempenho no Futebol? O que faz o analista de desempenho? Como isto surgiu?

O que é análise de desempenho?

A análise de desempenho no futebol é um meio de conhecer melhor seu time e o seu adversário. Mas como fazer isso? Através do recolhimento de informações de treinos e jogos. E como recolho essas informações? Você pode usar softwares de última geração ou o bom e velho papel e caneta.

Falando em papel e caneta, você sabia que foi assim que iniciou a análise dos jogos? A princípio, ela surgiu na década de 50, quando um contador inglês chamado Charles Reep, apaixonado por futebol, decidiu colocar no papel as observações que já fazia sobre o jogo a mais de uma década. Ele verificou, por exemplo, que a maioria das jogadas de gol tinham no máximo 3 passes. Isso levou os clubes a adotarem o que chamamos hoje de jogo com bolas longas, ou seja, poucos passes e muita verticalidade.

Dessa forma, o que Charles Reep observava, atualmente é chamado de dados quantitativos. Existem também as análises qualitativas. Vamos entender o que são e quais suas diferenças?

Dados quantitativos

Quando falamos em dados quantitativos estamos tratando de números, ou seja, tudo aquilo que podemos quantificar, por exemplo: número de passes errados num jogo, quantas finalizações foram em gol e quantas foram para fora, quantas roubadas de bola o time “A” teve, entre outras.

Afinal, você com certeza já conhecia os dados quantitativos, porém pode ter ouvido falar deles como estatísticas ou scout. Pois bem, isso tudo significa a mesma coisa.

Dados qualitativos

Já os dados qualitativos não têm a ver com números, mas sim com observações. Por exemplo: sistema de jogo do adversário é o 1-4-4-2, a forma como eles atacam é através de bolas longas para os atacantes, eles defendem muito bem pelas laterais, entre outras.

Como você pôde perceber, a forma qualitativa não terá uma resposta concreta para todas as perguntas. Ela será subjetiva aos olhos de cada um. Portanto, é importante que o analista saiba o que o técnico quer saber e quais as informações lhes trarão maior vantagem durante uma partida.

Dessa forma tanto as informações quantitativas quanto qualitativas podem ser analisadas de forma direta ou indireta. Mas o que é isso? Direta significa que é feita durante a partida, de forma paralela com o jogo. Já a forma indireta quer dizer que é feita após o jogo, por meio de filmagens.

Funções do analista de desempenho

  • Planejamento de treinos: Sim, ele participa do planejamento, construção; e do treino (mediante filmagem e análise ou auxiliando o treinador no repasse de informações e feedbacks aos atletas);
  • Recolhimento de informações de treinos e jogos: Já imaginou ter que recolher todas as informações que existem dentro de um jogo? Pois é, seria impossível. Por isso você conversará com o técnico anteriormente e definirá o que será colhido de dados naquele momento;
  • Análise: Após recolher as informações é hora de analisá-las;
  • Repassar: Depois de ter analisado tudo é hora de filtrar o que realmente é importante e repassar isso à comissão técnica e jogadores.

Enfim, após transmitir as informações é hora de começar tudo de novo. Planejamento, recolha de dados, análise e repasse da informação. Ou seja, um ciclo que nunca terá fim. Afinal, o trabalho em um time de futebol nunca está completo. Sempre tem algo que o time pode melhorar. E o trabalho do analista é auxiliar nisto da melhor forma.

Análise de desempenho no futebol brasileiro

O analista de desempenho demorou para chegar ao Brasil. Entretanto, hoje ele é peça fundamental em qualquer time de futebol. Os grandes times já possuem uma equipe de análise, visto a quantidade e riqueza de informações que podem ser adquiridas.

Do mesmo modo, quem deseja iniciar nessa função precisa ter muito conhecimento sobre um tema principal: o FUTEBOL. Você deve saber de tática, técnica, momentos do jogo, sistemas utilizados, tomada de decisão, entre outras centenas de aspectos que o jogo possui.

No mundo atual a informação é poder. E no futebol não é diferente. Quem tem mais e melhores informações já sai na frente.

Veja abaixo um episódio em nosso Podcast sobre o assunto:

Contato do autor : @Christopher_Suhre

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Formação de atletas no futebol

A formação de atletas de futebol no Brasil é um processo complexo e multifacetado que envolve diversas etapas e categorias. O objetivo principal da formação é desenvolver jogadores com habilidades técnicas, táticas e físicas para competir em alto nível no futebol profissional.

É importante destacar que a formação de base é um processo contínuo onde os jogadores precisam ser acompanhados e treinados constantemente para se desenvolverem ao máximo. Além disso, é fundamental que o trabalho nas categorias de base esteja alinhado com o trabalho dos jogadores profissionais, para haver uma continuidade no processo de formação.

Qual a diferença de formação de base e categoria de base?

A formação de base é um processo de formação de atletas cujo objetivo é desenvolver jogadores e equipes para compor a base de um clube ou seleção. Trata-se de um processo contínuo que envolve o treinamento e acompanhamento dos jogadores desde cedo, visando formar atletas para o futebol.

Já as categorias de base são a divisão dos jogadores segundo a sua idade, e servem como uma espécie de etapa no processo de formação, onde os jogadores são treinados conforme o seu nível de maturidade e habilidades. As categorias mais comuns são sub-7, sub-9, sub-11, sub-13, sub-15 e sub-17 e sub-20.

Cada categoria tem seus objetivos e metas específicas, considerando a faixa etária e o desenvolvimento físico, técnico e tático. Por exemplo, na categoria sub-7 o objetivo é introduzir os jogadores ao esporte, trabalhando habilidades motoras e fundamentos do futebol, enquanto na categoria sub-20 o objetivo é preparar os jogadores para os desafios do futebol profissional.

Em resumo, a formação de base é um processo mais amplo e global, enquanto as categorias de base são etapas desse processo, que servem para dividir e direcionar o treinamento dos jogadores de acordo com a sua idade e habilidades.

Formação de Profissionais que trabalham com a base

A qualificação dos profissionais que trabalham com a base é fundamental para garantir a qualidade na formação dos jogadores. É comum que os treinadores e preparadores físicos das categorias de base tenham formação específica em treinamento de futebol e possuam experiência prévia no futebol. Além disso, é importante que esses profissionais estejam constantemente atualizados com as últimas tendências e metodologias de treinamento.

Isso inclui não apenas a formação técnica, mas também a formação em pedagogia esportiva, psicologia do esporte, entre outras áreas relacionadas. Esses profissionais precisam estar preparados para lidar com jogadores de diferentes idades, habilidades e personalidades, e precisam entender como guiar e motivar esses jovens atletas para que eles possam desenvolver seu potencial ao máximo.

Além disso, é importante que os profissionais que trabalham com a base tenham uma boa compreensão da filosofia do clube ou seleção para que eles possam alinhar suas metodologias e práticas com os objetivos gerais do clube. Isso inclui entender a importância de formar jogadores que se encaixem no estilo de jogo do clube, bem como compreender as necessidades do clube em relação a posições e habilidades específicas.

Portanto, os profissionais que trabalham com a base no futebol precisam ter boa formação e experiência prévia no esporte, além de estarem constantemente atualizados com as últimas tendências e metodologias de treinamento, para garantir a qualidade da formação dos jogadores e alinhar com a filosofia do clube ou seleção.

Problemas na formação de atletas

Além de ser um grande celeiro de formadores de atletas de futebol e apresentar alguns clubes de referência na formação, por outro lado, a formação de atletas de futebol no Brasil enfrenta uma série de problemas que podem afetar negativamente o desenvolvimento dos jogadores e a qualidade do futebol nacional. Alguns desses problemas incluem a falta de infraestrutura adequada, a falta de qualificação dos profissionais que trabalham com a base e a falta de programas de desenvolvimento para jovens jogadores.

Uma das principais questões é a falta de infraestrutura adequada para a formação de jogadores. Muitos times de futebol no Brasil não possuem campos de treinamento de qualidade ou instalações esportivas modernas. Isso pode dificultar o desenvolvimento das habilidades técnicas e físicas dos jogadores, bem como limitar a quantidade de treinamentos e jogos que eles podem realizar.

Outro problema é a falta de qualificação dos profissionais que trabalham com a base. Muitos treinadores e preparadores físicos que trabalham com jogadores jovens não possuem formação específica em treinamento de futebol ou experiência prévia no futebol. Isso pode afetar negativamente a qualidade do treinamento que os jogadores recebem e limitar o seu desenvolvimento.

A falta de programas de desenvolvimento para jovens jogadores é outro problema que pode afetar negativamente a formação de atletas de futebol no Brasil. Muitos times não possuem programas específicos para desenvolver jogadores jovens e prepará-los para o futebol profissional. Isso pode dificultar a transição dos jogadores da base para o futebol profissional.

Transição das categorias de base para o profissional

A transição dos jogadores das categorias de base para o futebol profissional é um processo importante e desafiador. É preciso que os jogadores estejam preparados tanto fisicamente quanto tecnicamente para competir em alto nível. Além disso, é importante que os jogadores tenham uma boa mentalidade e estejam preparados para lidar com as pressões e exigências do futebol profissional.

Atualmente, muitos jogadores de base enfrentam dificuldades na transição para o nível profissional devido à falta de oportunidades. Muitos times preferem contratar jogadores com mais experiência, deixando os jovens limitados a jogar pouco. Isso pode dificultar a transição dos jogadores para o futebol profissional e limitar o seu desenvolvimento.

A pressão por resultados por parte dos clubes é uma realidade no futebol, e isso se estende também às categorias de base. Com a busca constante por jogadores jovens e promissores, muitos clubes europeus, por exemplo, estão dispostos a gastar grandes somas de dinheiro para atrair esses atletas para suas equipes. Isso pode criar uma situação em que os jovens jogadores são “comprados” por clubes da Europa antes mesmo de terem a oportunidade de desenvolver suas habilidades e se tornarem profissionais em seus países de origem.

Além disso, esses jovens jogadores podem se sentir pressionados a se adaptar rapidamente às expectativas e exigências dos clubes, o que pode ser um problema para sua formação e transição para o futebol profissional. A falta de tempo para se adaptar ao novo ambiente, língua e cultura, pode ser um obstáculo para o desenvolvimento dos jogadores, e podem não ter a oportunidade de desenvolver suas habilidades de forma adequada.

Essa pressão por resultados e o assédio de clubes da Europa pode levar a uma sobrevalorização de jogadores jovens, colocando expectativas excessivas sobre eles antes mesmo de eles terem a oportunidade de mostrar seu verdadeiro potencial. Isso pode levar a frustrações e decepções tanto para os jogadores quanto para os clubes, e pode até mesmo levar a problemas psicológicos para os jogadores.

Como trabalhar com futebol de base

Trabalhar como profissional em categorias de base no futebol é uma ótima maneira de contribuir para o desenvolvimento de jogadores jovens e ajudar a moldar o futuro do esporte. Existem várias funções diferentes que uma pessoa pode desempenhar nesse contexto, como treinador, preparador físico, scout, entre outros.

Para se tornar um treinador de categoria de base, é necessário ter conhecimentos técnicos e táticos do futebol, além de experiência em trabalhar com jovens jogadores. É importante estar sempre atualizado com as últimas tendências e metodologias de treinamento, e também ter habilidades de liderança e comunicação.

Além disso, convidamos para ouvir os episódios do nosso podcast onde discutimos temas relevantes sobre o desenvolvimento de jogadores jovens e sobre como trabalhar como profissional em categorias de base no futebol.

Confira abaixo um episódio de podcast sobre o assunto:

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Desafios da preparação física nas categorias de base

O assunto agora são os desafios da preparação física nas categorias de base. Formar e revelar grandes atletas sempre foi característica do futebol brasileiro. Contudo, nos últimos anos, acerca de críticas e maus resultados, o nosso cenário formador passou por uma grande revolução. Mas, será que por aqui estávamos formando os atletas ou apenas dando a oportunidade dos mesmos mostrarem o seu talento? Será que trabalhávamos para melhor preparar e desenvolver o jovem atleta ou deixávamos essa função a carga do ambiente? Entretanto, poderíamos melhorar este cenário?

Formar x revelar

A princípio é necessário conceituar dois termos distintos: formar e revelar. Formar um atleta significa desenvolvê-lo como tal, em todas as suas vertentes. Revelar, por sua vez, é o ato de lançar o jovem atleta na equipe profissional, dar a ele a oportunidade de jogar no alto nível.

Assim, junto a esses questionamentos iniciais, a evolução do futebol como um todo serviu de companhia para uma mudança de pensamento a respeito das categorias de base por aqui. Logo, desenvolver o jovem indivíduo em sua totalidade passou a ser o foco. Desse modo, a ideia é identificar talentos e prepará-los taticamente, tecnicamente, fisicamente, emocionalmente e socialmente através de um conteúdo pedagógico bem desenvolvido.

Preparação física na base

Além disso, são muitos os tópicos e procedimentos que fazem parte do processo de formação do atleta. No presente artigo, teremos como foco a preparação física. Primeiramente, é necessário ter fixa a ideia de que cada jovem atleta é um individuo diferente (princípio da individualidade biológica).

Em outras palavras, frente a esse conceito básico, é de extrema importância que a preparação física nas categorias de base respeite o nível de maturação de cada atleta. Para isso, devemos considerar o efeito da idade biológica: o grau de maturação do jovem pode não ter ligação com sua idade cronológica (anos). Deste modo, dois jovens atletas podem possuir a mesma idade, mas níveis de desenvolvimento corporal (massa muscular, estrutura óssea e articular, estatura…) totalmente distintos. Resumidamente, a maturação biológica representa todo o processo que o corpo humano e suas estruturas passam para chegar à fase adulta. Portanto, esse é o primeiro passo para sermos mais assertivos em programas de preparação física nas categorias de base.

Sobretudo a puberdade é um ocorrido determinante nessa fase. É ela que vai determinar o grau de maturação e consequentemente o que o atleta necessita em relação a treinamento para o seu desenvolvimento. Assim, podemos dividir os atletas em pré-púberes, púberes ou pós-púberes. Para isso, podemos submetê-los á avaliações clínicas ou somáticas (cálculo do Pico de Velocidade de crescimento-PVC) através da massa corporal, estatura, comprimento tronco-encefálico, comprimento dos membros inferiores e idade cronológica.

Etapas de formação na base

Da mesma forma, nas categorias de base, o jovem atleta deve passar por algumas etapas distintas, cada qual com seu objetivo específico. A primeira etapa é a iniciação esportiva (6 a 10 anos), a segunda é a especialização (11 a 15 anos), e por fim o rendimento (16 a 20 anos). Lembrando que nem sempre a idade cronológica equivale à idade biológica; a segunda deve ser considerada.

Certamente, na iniciação o foco é o contato com o esporte (não somente o futebol). São componentes muito importantes como se movimentar de maneiras distintas, bem como expor a criança a estímulos que desafiem o seu corpo. O objetivo é a construção de um amplo repertório motor. Correr, pular, saltar, rastejar, agachar, puxar, chutar, aterrissar, lançar, apanhar… a criança precisa se movimentar de maneira global. Dessa forma, ela irá adquirir uma base sólida de habilidades motoras gerais que servirão de suporte neuromotor nas habilidades especificas do futebol que serão exigidas nas próximas etapas.

Enquanto que na especialização, o foco passa a ser o futebol e suas respectivas habilidades motoras.  A ênfase está agora no que é especifico, tanto em questão de habilidade motora quanto capacidade física.

Por fim, no rendimento, a regra de ação é potencializar gradualmente tudo que o jovem atleta construiu até ali. A aprendizagem vai saindo de cena e o rendimento começa a tomar conta do processo.

Meios e métodos

Como vimos, existem etapas e indivíduos diferentes. Afinal, o método das “janelas de oportunidade” ou “períodos sensíveis” tem se mostrado o mais usual quando o falamos em preparação física nas categorias de base.  Tal metodologia propõe qual capacidade física está mais sensível ao treinamento para cada fase do desenvolvimento infantil. Recomendo a leitura do livro “Long-Term Athlete Development” para maior aprofundamento.

Em contrapartida, essa abordagem passou a ser questionada nos últimos anos. Pesquisadores holandeses contestaram tais ideias em um artigo interessante publicado este ano. Segundo o estudo, os períodos sensíveis devem enfatizar habilidades motoras e não capacidades físicas. Reportam que, cada movimento realizado para determinado esporte necessita da integração de diferentes capacidades físicas e não destas isoladas.

Outro conceito contestado pelo estudo é que não existem evidências de que um atleta não chegará ao ápice do rendimento se não trabalhar cada capacidade física no seu hipotético período sensível. Portanto, ter em mente ambos os conceitos é essencial para a elaboração de um programa de preparação física na base que vá de encontro à sua realidade.

Treinamento de força na base

Certamente, parece-nos que aqui está o ponto de diferenciação. A força é a capacidade física que rege as ações determinantes do futebol e seus benéficos para performance e redução do índice de lesões.

Se a considerarmos de maneira simplista, ela depende de hormônios que o corpo só começa a produzir pós puberdade. Afirmação esta que não deixa de estar correta. Contudo, estímulos neurais também integram essa capacidade física e possuem seu alto grau de importância.

Pensando dessa forma, podemos introduzir o trabalho de força já nos primeiros anos de especialização. Coordenação intra e inter muscular e força de estabilização são componentes treináveis nessa fase. Já força máxima, resistência de força e potência necessitam de componentes endócrinos e devem ser treinados pós puberdade. Em suma, o trabalho da força deve ser constante durante todo o processo de preparação física nas categorias de base.

Desafio para a preparação física na base

Resumidamente, ensinar e potencializar gradualmente. Esse é o ponto chave da preparação física nas categorias de base. Saber respeitar os limites do jovem atleta e individualizar o trabalho é o grande desafio. Integrá-lo ao desenvolvimento tático, técnico, psicológico e social também. Nessa perspectiva, muitos clubes passaram a enxergar as categorias de base como investimento e não custo. O trabalho com os garotos precisa ser de excelência e os cuidados devem ser até maiores do que com os atletas profissionais. No Brasil demos os primeiros passos, mas ainda temos muito a percorrer. Seguimos na construção de uma categoria de base forte, formadora e que respeite as raízes brasileiras, esse é o caminho.

Confira um episódio do Podcast Ciência da Bola que fala sobre o assunto:

Contato do autor: ra.junior@hotmail.com

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Como fazer uma análise tática do adversário no Futsal

Devo lembrar a você leitor que recentemente publicamos um texto aqui no blog sobre futebol denominado: como criar um relatório de análise tática do adversário. Portanto, hoje vamos falar sobre como realizamos uma análise tática do adversário no Futsal?

Análise tática do adversário no futsal

Primeiramente, podemos dizer que sim, o exemplo de relatório do texto citado pode ser considerado para o Futsal. Contudo, devemos nos atentar às especificidades do Futsal perante o Futebol.

Dessa maneira, recomendamos vivamente a leitura do texto: quais as principais diferenças técnicas entre o Futsal e Futebol. Desse modo, acreditamos que a compreensão do conteúdo citado poderá auxiliar na adaptação na construção do relatório de análise tática do adversário.

Do mesmo modo, o livro de Rui Rodrigues denominado “Treinar Futsal” propõe algumas perguntas para cada fase do jogo (defesa e ataque) de modo a contemplar uma ficha de análise tática do adversário no futsal.

Ataque

Neste sentido, separamos alguns tópicos que devemos prestar atenção ao analisar o jogo no fase de ataque.

  • O adversário joga organizado, faz leitura de jogo?
  • O adversário prefere o ataque rápido ou pausado?
  • Qual a zona da quadra preferida para o adversário atacar / por onde ataca mais?
  • Jogam em contra-ataque? Quando? Qual tipo?
  • O que há de melhor no ataque adversário?
  • O que há de pior no ataque adversário?
  • Contra qual defesa o ataque é mais eficiente?
  • Qual o jogador municiador e organizador do ataque?
  • Quem toma a responsabilidade na finalização ou concretização da ação de ataque?
  • Que tipo de defesa pode ser eficaz contra este adversário?

Defesa

Portanto, aqui, separamos alguns tópicos que devemos prestar atenção ao analisar o jogo no fase de defesa.

  • Quais os sistemas defensivos que a equipe aplica?
  • Qual a melhor defesa e qual a defesa que joga mais tempo?
  • Qual a pressão na bola e onde começa a pressão?
  • Quais linhas de passe o adversário tenta fechar?
  • A equipe joga em pressão? Qual tipo de pressão?
  • Qual a qualidade da transição defensiva?
  • O que há de melhor na defesa do adversário?
  • O que é pior na defesa do adversário?
  • Há jogadores lentos na defesa?
  • Qual ataque será eficiente contra eles?

Textos complementares para análise tática no futsal

Além disso, é importante destacarmos outras produções sobre análises de desempenho e tática presentes aqui no blog:

Assim, os textos mencionados nos dão uma excelente base para introduzir conceitualmente o papel do analista de desempenho de uma equipe. Portanto, considerando as devidas especificidades entre os esportes, o conteúdo exposto é de suma importância para quem se interessa pela área de análise de desempenho no Futsal.

Por fim, destacamos que em diversas competições, tanto profissionais como amadoras, o nível dos atletas se assemelham. Desse modo, qualquer informação extra dos adversários é de grande valia para uma equipe bem organizada. Além disso, destacamos a importância do analista de desempenho neste contexto, dado que um modelo de relatório de análise tática bem organizado pode influenciar positivamente nas pretensões da equipe para a temporada.

Contatos do autor:
E-mail: tassiosardinha@gmail.com
Instagram: @tsardinha1

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Como criar um relatório de análise tática do adversário

O que é um relatório de análise tática do adversário no futebol?

De antemão, para aqueles que não sabem, o relatório de análise tática do adversário é normalmente criado pelo analista de desempenho. Assim, ele coloca algumas características do adversário que acha pertinente. Posteriormente, esse relatório será entregue para o técnico, o qual começará a pensar nas estratégias que deve adotar para vencer o próximo confronto.

Esse relatório, normalmente, possui um padrão. Nele é colocado, por exemplo, a escalação do adversário, como ele se organiza ofensivamente e defensivamente, como faz as transições ofensivas e defensivas, além das bolas paradas, facilitando o trabalho da comissão técnica, a qual conhecerá melhor o próximo adversário.

Pontos essenciais em um relatório de análise tática do adversário

Escalação do adversário

Primeiramente, é interessante começar o relatório com a escalação do adversário. Faça a apresentação em forma de campo e com a foto de cada jogador. Dessa forma, a visualização fica facilitada e os atletas já começam a observar quais adversários cairão na sua zona do campo.

Além do campo com a foto dos jogadores, você pode colocar outras informações, por exemplo: quais jogadores mais são substituídos, quais tem mais probabilidade de entrar, número do jogador, altura, pé dominante, etc… Isso ajudará os atletas a gravar algumas características dos seus oponentes diretos no campo.

Exemplo de escalação apresentada em um relatório. Fonte: criado pelo autor.

Organização Ofensiva

Doravante, serão citados os momentos e fases do jogo de futebol e o que podemos identificar em cada um deles. Pois bem, caso ainda não tenha conhecimento sobre cada um deles, aconselhamos a leitura deste texto.

Nesse momento o relatório começa a se encaminhar para como a equipe pratica o futebol. Desse modo, nesse tópico é interessante colocarmos as maneiras que o adversário constrói seus ataques. Para facilitar a compreensão, podemos dividir essa parte em 3 itens:

  • Saída de bola ou 1º terço;
  • Fase de construção ou 2º terço;
  • Fase de criação e finalização ou 3º terço.

É de suma importância, em cada subdivisão do relatório a partir de agora, destacarmos qual o jogador principal naquele momento ou fase. Dessa forma, prendemos a atenção tanto da comissão técnica quanto dos jogadores para aquilo e/ou aquele que realmente é um diferencial.

Além disso, seu relatório de análise tática do adversário no futebol deve ser de fácil entendimento, em outras palavras, não polua demais os slides/PDF’s, coloque imagens claras e textos diretos e simples. Isso fará com que todos compreendam o que você quer passar.

Transição Defensiva

Aqui exploraremos como a equipe se porta após perder a bola. Iremos identificar se o adversário opta por pressionar a bola após perdê-la, com quantos jogadores faz isso, em quais regiões mais consegue roubá-la, ou se prefere recuar os jogadores a fim de se organizar defensivamente, etc. Identifique se há gatilhos de pressão e quais os atletas são importantes neste momento.

Organização Defensiva

Neste tópico iremos analisar como a equipe adversário se organiza defensivamente.

Antes de mais nada, podemos colocar informações como: qual o esquema de jogo mais utilizado e suas variações, onde mais recuperam bola, para qual região do campo o adversário gosta de lhe atrair, entre outras. De modo a facilitar o entendimento, podemos dividir este tópico em outros 3 itens:

  • Pressão na saída de bola;
  • Linha média;
  • Bloco baixo.

Em síntese, podemos dar mais detalhes da organização defensiva em cada um desses 3 “submomentos”.

Transição Ofensiva

Este é o último tópico de análise do adversário com bola rolando. Podemos verificar quais os mecanismos que o adversário usa para transitar em campo após recuperar a bola, por exemplo: ele retira a bola da pressão ou busca progredir em campo no local que recuperou a bola? Há variação de corredor? Qual é o jogador chave para este momento? Há muitas outras perguntas quem podem ser respondidas, de modo a achar soluções para o jogo. Enfim, use sua criatividade para achar detalhes que façam a diferença para sua equipe.

Bola parada Ofensiva

Podemos listar algumas bolas paradas ofensivas do adversário, como:

  • Escanteio;
  • Tiro de meta;
  • Pênalti;
  • Laterais
  • Faltas laterais;
  • Faltas frontais.

Assim, verifique os padrões de cobranças e quais são mais eficazes por parte do adversário. Identifique também quem são os cobradores e quem é o maior perigo na bola aérea.

Bola parada defensiva

Posteriormente, após vermos como o adversário ataca nas bolas paradas, iremos colocar no relatório como ele se defende delas. Podemos utilizar a mesma listagem acima. Então, é interessante vermos o estilo de marcação que usam nelas, sendo elas:

  • Por zona;
  • Individual;
  • Misto.

Em suma, podemos ver quais os pontos frágeis da defesa e tentar nos aproveitar deles.

Estatística no relatório

Juntamente às informações do adversário que foram colocadas no relatório, é interessante adicionar algumas estatísticas, para validar aquilo que você quis mostrar. No entanto, a estatística por si só, colocada de maneira solta, pode confundir os atletas e comissão técnica e, muitas vezes, ela não dirá nada de importante. Isto é, é fundamental que você dê sentido a ela, faça-a ter valor. Afinal, como diz Albert Einstein: “nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado.”

Portanto, depois de tudo que vimos no texto até agora, sabemos que o relatório do adversário no futebol é essencial para a comissão técnica e jogadores se prepararem de forma rápida para o próximo confronto. Além da velocidade na entrega da informação, o relatório traz pontos chaves do adversário, isto é, mostra pontos fortes e fracos de quem enfrentaremos.

Lembrando que este é só um exemplo de relatório de análise tática do adversário no futebol. Bem como, existem outras formas de fazê-lo. Poratnto, você pode usar este modelo e adequar a sua realidade, vendo o que é mais eficaz para o seu time.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Por que o Futsal ainda não é um Esporte Olímpico?

O futsal é, sem dúvidas, um dos esportes mais populares no Brasil e em todo o mundo. No entanto, muitos fãs sempre se perguntaram por que esse esporte, tão praticado e amado, não faz parte das Olimpíadas? Neste texto, vamos explicar alguns pontos importantes que podem te ajudar a entender melhor essa decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) e discutiremos se há perspectivas para o futsal se tornar um esporte olímpico no futuro.

Quais os critérios para um esporte se tornar olímpico? 

É importante ressaltar que a inclusão de um esporte nas Olimpíadas é uma decisão do COI, entidade essa que é composta por 206 Comitês Olímpicos Nacionais (CONs). Embora não existam critérios definitivos, o COI segue uma certa linha de raciocínio ao considerar a inclusão de um esporte no programa olímpico. Alguns dos critérios usados pelo COI incluem:

Organização internacional

Para o COI, é importante que o esporte tenha uma federação que supervisione a modalidade em todo o mundo, estabelecendo regras e organizando competições. No entanto, também é necessário que haja um acordo sólido entre o COI e a federação desse esporte em questão, para evitar conflitos de interesses.

Tradição

O COI valoriza a tradição do esporte em escala global. Embora o futsal tenha surgido em meados dos anos 30 no Uruguai, apenas em 1980 foi consolidado como um esporte amplamente conhecido ao redor do mundo. Portanto, aos olhos do comitê, o futsal não possui a mesma relevância histórica que outros esportes, como o atletismo e o futebol, por exemplo.

Proibições

Esportes que necessitam de propulsão mecânica são proibidos dos jogos olímpicos. Então, o automobilismo, apesar de ser considerado um esporte, não está dentro dos critérios para se participar das competições.

Acontece o mesmo com os dados “esportes mentais”, como o xadrez por exemplo. 

Conflitos de interesse

Um dos maiores obstáculos para o futsal se tornar um esporte olímpico é o fato de que a FIFA não abre mão de que a Copa do Mundo de Futsal, que ocorre no mesmo ano das Olimpíadas, seja realizada. Portanto, a FIFA acredita que a participação das seleções de futsal nas Olimpíadas em julho interfere no Mundial, que acontece no final de agosto, e, por essa razão, não faz esforços para incluir o esporte nas Olimpíadas. Para o COI, não interessa a inclusão do esporte, pois acreditam que isso poderia aumentar a visibilidade de um esporte organizado pela FIFA, e, dessa forma, a negociação não avança.

Isso não ocorre com o futebol, devido à sua ampla popularidade em comparação ao futsal, e a FIFA concorda em permitir apenas a participação de seleções sub-23, com a inclusão de 2 jogadores com maior idade.

Perspectivas para o Futuro

Apesar de todos os obstáculos, o futsal vem ganhando cada vez mais espaço e investimento ao redor do mundo. Em 2018, o futsal fez parte das Olimpíadas da Juventude, competição essa que é tratada como uma forma do COI testar um novo esporte em seu quadro de modalidades. Outra coisa que pode dar mais esperanças aos amantes do futsal é o futuro incerto do futebol no quadro olímpico. Portanto, o Comitê Olímpico Internacional já anunciou novas modalidades para as Olimpíadas de 2028, que acontecerão em Los Angeles, e o futsal não foi incluído. São elas: Flag Football, Squash, Críquete e Lacrosse.

Embora o futsal ainda não seja um esporte olímpico, sua história e popularidade continuam a crescer ao redor do mundo e a modalidade está a cada dia mais próxima de aparecer nas próximas edições das Olimpíadas. 

Por fim, apesar dos conflitos de interesses e criterios do COI impediram que o futsal já estivesse no quadro olimpico, há cada dia mais esperanças que essa situação possa ser revertida. A história e popularidade do futsal continuam a crescer ao redor do mundo e a modalidade está a cada dia mais próxima de aparecer nas próximas edições das Olimpíadas. 

Confira um podcast sobre o assunto:

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A educação física escolar e o futsal

A educação física escolar é pautada na construção do conhecimento científico, visando promover um estilo de vida saudável com reflexões acerca da cultura corporal (lutas, ginástica, esporte, dança, jogos, etc). Desse modo, dentre os conteúdos abordados, o futsal é um dos que mais sobressai, pela facilidade ao acesso de sua prática na escola.

Se tratando de futsal, sabemos que há diferenças das suas abordagens nas escolas para o ensino em clubes e/ou escolinhas. No esporte de rendimento, o que prevalece são os resultados e o melhor desempenho, caracterizando um treinamento tático, técnico, físico e psicológico. Já o esporte educacional visa a formação do indivíduo em sua totalidade cognitiva, sócio-afetivo e motor, promovendo criticidade e autonomia sobre os valores de cooperação e união, por exemplo.

Entretanto, há uma visão errônea de que, nas aulas de educação física, o futsal se caracteriza por: meninos “correndo atrás da bola”, enquanto as meninas permanecem no voleibol.

Como o professor (a) pode planejar o conteúdo de futsal?

De antemão, o professor precisa ter claro os objetivos de ensino sobre a modalidade. Diagnosticar a realidade das turmas, planejar, avaliar e construir as características da prática do futsal na escola. Para isso é necessário respondermos algumas perguntas:

  • Quais seriam estas características?
  • Como os alunos aprendem as modalidades?
  • Quais temas podem ser introduzidos nas discussões em aula?

Todas essas respostas dependem da metodologia de ensino proposta pelo professor(a).

Os jogos recreativos, cooperativos, adaptados conforme a faixa etária e a realidade dos alunos favorecem a compreensão da modalidade específica, permitindo a apropriação do conhecimento sobre os nomes das posições e funções de cada uma. Vivenciar e saber a função do goleiro, alas direito e esquerdo, fixos e pivôs, permite compreender as múltiplas funções fundamentais para o desempenho do jogo.

Do mesmo modo, é necessária uma abordagem pedagógica em que os alunos(as) identifiquem no futsal, atitudes de integração, respeito, saber ganhar e saber perder. Bem como, possibilitar uma modalidade para todos praticarem, inclusive meninas, que muitas vezes são excluídas desta modalidade.

Dessa forma, é possível criar um ambiente de socialização e reflexões sobre esta exclusão citada acima, a qual se torna recorrente nas modalidades coletivas. Alguns questionamentos podem ser levantados, como: todos jogam futsal? Meninos e meninas podem jogar juntos? Pequenos jogos mistos, leituras sobre o tema e modificações de regras adaptadas para a turma podem auxiliar na construção de um novo pensamento sobre a prática.

E qual o objetivo da Educação Física escolar?

A educação física escolar deve formar atletas ou cidadãos críticos que apreciem a modalidade e tenham uma prática regular?

O processo escolar deve prevalecer a conscientização do valor educativo do esporte, refletindo suas ações de exclusão, por exemplo, na qual somente quem tem talento o pratica, ou que o futsal não é para meninas. No entanto, também cabe ao profissional incentivar os talentos e encaminhá-los para clubes e/ou escolinhas. Em outras palavras, a escola e o professor(a) são mediadores na descoberta de talentos neste espaço.  

Contudo, nas aulas práticas é importante ressaltarmos a coragem e a confiança do aluno que está jogando, visto que isso reforçá a segurança do mesmo ao executar a atividade. Além disso, o planejamento deve ter uma interação entre os comportamentos: cognitivo, afetivo e psicomotor. Isso porque, durante a prática o aluno utiliza os movimentos específicos e a técnica da modalidade (psicomotor), além de que o jogo necessita de resolução de problemas (cognitivo) e interação com os colegas, arbitragem, adversários, sobressaindo o respeito (sócio afetivo).  

Em suma, o professor deve ter definido os objetivos e qual a metodologia mais adequada para apropriação do conhecimento que irá utilizar. Portanto, as aulas devem ser organizadas conforme a realidade social, faixa etária e desenvolvimento cognitivo da turma. Vivências práticas contextualizadas e reflexões sobre gênero são importantes no processo ensino-aprendizagem.

Fontes e Referências

Coletivo de autores

Futsal & Futebol: bases metodológicas

Contato da autora:
Instagram: @Torettifaveri

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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O momento psicológico do jogo

O “momento psicológico do jogo” é uma expressão bastante ouvida quando falamos de futebol. Embora seja de senso comum, o conceito é objeto de estudos na Psicologia e ajuda a explicar fenômenos relacionados à performance de atletas.

Você já ouviu algum atleta falar que dependendo do seu primeiro lance na partida, o desempenho dele pode melhorar ou piorar naquele jogo? Ou algum atleta que dá um drible genial e se sente confiante para uma finalização difícil?! Isso pode ter a ver com o momento psicológico.

O que é o momento psicológico e como ele influencia num jogo de futebol?

Definimos o momento psicológico como uma alteração positiva ou negativa nos aspectos cognitivos, emocionais, fisiológicos e comportamentais, causados por um evento ou uma série de eventos. Essa alteração pode resultar em uma mudança no desempenho e no resultado da competição.

Existem duas teorias mais difundidas sobre o Momento Psicológico:

  • Modelo Multidimensional (Multidimensional Model): é um modelo complexo, pois desdobra a análise da relação Momento Psicológico-performance em uma sequência de eventos;
  • Modelo Antecedente-consequência: modelo mais simples, do estilo causa e consequência.

Vamos explicar com mais detalhes os dois modelos acima.

Modelo Multidimensional

Segundo o modelo multidimensional, a relação entre momento psicológico e desempenho pode ser analisada como uma sequência de fatos. Tal sequência é desencadeada por uma reação a um evento ou a uma série de eventos precipitadores, por exemplo, quando um jogador recebe um passe de um companheiro (evento precipitador) e a melhor jogada que pode realizar nesse lance é driblar um adversário (reação ou resposta a esse acontecimento).

De acordo com essa resposta, o atleta faz uma avaliação do seu desempenho no lance como significativamente superior ou inferior às suas exigências no contexto da situação. O atleta avalia como positivo, se ele considerar sua performance no lance bem sucedida. Assim sendo, sentirá um aumento na autoconfiança, na emoção, na motivação, na atenção concentrada e na sensação de controle da jogada.

Dessa forma, ele se sente mais confiante, aumenta sua autoestima e seus músculos se enrijecem com maior intensidade. Essa mudança positiva influencia seu comportamento, ou seja, o jogador corre mais rápido e realiza a jogada com mais vigor e, consequentemente, melhora o seu desempenho.

Além do estado mental positivo do atleta em questão, o modelo também ressalta a importância do momento psicológico do adversário. Nesse sentido, caso o defensor esteja num momento psicológico negativo, há maior possibilidade de êxito do atacante na jogada. O momento psicológico negativo pode fazer com que o defensor hesite na tomada de decisão e perca tempo, ou vá sem tanta confiança e vigor na jogada. Em resumo, a teoria ressalta que para que o momento psicológico influencie mais no lance, é necessário que o atacante esteja num momento positivo e o defensor num momento negativo.

Modelo Antecedentes-consequência

Similarmente, o modelo antecedentes-consequências afirma que momento psicológico se refere à percepção do jogador no que concerne a sua performance quando progride em seu objetivo numa jogada. Isso ocorre, pois, no início do lance, ele obteve um aumento da motivação, da percepção de controle, do otimismo, da energia e do sincronismo de suas ações. Se o atleta não for bem-sucedido no início da jogada, há uma redução desses mesmos aspectos. Isso explica a ideia de alguns atletas verbalizarem indicando que seu desempenho durante a partida está condicionado aos seus primeiros lances.

O Modelo Antecedentes-consequências nos diz que variáveis situacionais que antecedem uma jogada podem afetar o momento psicológico. Em outras palavras, circunstâncias que antecedem uma jogada ou mesmo a maneira como uma jogada começa, por exemplo, com uma grande roubada de bola, podem melhorar o momento psicológico. Experienciar um momento positivo onde o atleta esteja se sentindo motivado, otimista, com bastante energia, tendo controle e sincronismo em suas ações, pode originar uma melhora na performance. Da mesma forma, uma diminuição na motivação, no otimismo, na energia, etc., resultando num momento negativo, pode ser extremamente prejudicial ao desempenho do jogador no lance.

É crucial ressaltar que esses modelos não são fechados, definitivos e exclusivos. Eles auxiliam didaticamente a compreensão do momento psicológico e sua influência na performance. Além disso, o momento psicológico não é o que determina o desempenho, mas sim um dos vários fatores neste cenário complexo. Outros aspectos psicológicos como ansiedade, estresse, satisfação no trabalho, dificuldade da tarefa, treinamento, apoio da torcida, e uma infinidade de outras variáveis influenciam no desempenho do jogador.

O momento psicológico do jogo e as estratégias

Sabendo da influência do momento psicológico no desempenho dos atletas, alguns treinadores utilizam estratégias que podem beneficiar sua equipe. Por exemplo, equipes que jogam numa proposta mais reativa são atacadas mais vezes durante um jogo. Comumente, há um entendimento de que quem é mais atacado está “sob pressão” ou situação vulnerável. No entanto, times reativos utilizam o discurso do “saber sofrer”, fazendo os atletas compreenderem que aquela situação faz parte do modelo de jogo. Nesse sentido, eles se sentem mais motivados quando são mais atacados (sem sofrer gol), porque compreendem que estão executando a estratégia proposta.

Similarmente, equipes que jogam com vantagem de gol(s) qualificado em jogos eliminatórios podem se preparar para partidas entendendo que sofrer gol não irá influenciar tanto no resultado. Dessa forma, os atletas podem jogar sem se abalar caso levem um gol.

Num âmbito individual não é raro observar diferença de comportamento e desempenho em jogadores de acordo com o momento psicológico numa partida. É o caso de jogadores que performam muito abaixo quando o time está perdendo, por exemplo. É importante observar esses detalhes, pois eles geram vulnerabilidades que o adversário pode se beneficiar.

Outro ponto comum são em jogos decisivos, onde alguns atletas mais jovens podem sentir maior influência do momento psicológico e performar mal por terem cometido algum erro em determinado momento da partida. Por exemplo, um jovem zagueiro que oferece um contra-ataque resultando em gol do adversário pode sentir negativamente o fato. Posteriormente ele poderá jogar excessivamente preocupado com o desempenho e acabar se desconcentrando na partida.

Como lidar com as influências do momento psicológico da partida?

Primeiramente, necessitamos que o atleta tenha um bom preparo psicológico. O treinamento de habilidades psicológicas ajuda a melhorar essas capacidades. Através dos métodos e técnicas do treinamento mental no futebol é possível ter um maior autocontrole, concentração e outras capacidades que auxiliam no controle emocional em momentos críticos. Por outro lado, é interessante aumentarmos a confiança do atleta após cada vantagem obtida, usando o momento psicológico de forma favorável.

No futebol de alto rendimento é necessário ter um alto nível de concentração na partida, eliminando distrações. Outro aspecto é conseguir lidar com alternâncias de placar, situações adversas e manter o controle. Dessa forma, podemos reduzir a influência negativa dos fatos do jogo.

O que aprendemos sobre o momento psicológico do jogo?

O Momento Psicológico no esporte é um conceito em desenvolvimento, mas que apresenta evidências científicas. No futebol existem várias “convenções empíricas”, ou seja, situações comuns percebidas pelos profissionais que ali trabalham, porém, carecem de explicações mais complexas e encaixadas. Nesse sentido, há campo para o desenvolvimento de estudos acerca deste tema.

No campo prático, observar a influência do momento psicológico numa partida de futebol pode contribuir para a elaboração de estratégias, aperfeiçoamento de deficiências inerentes a sistemas táticos ou modelos de jogo, bem como a potencialização destes. Simultaneamente, atletas que tomam consciência da influência do momento psicológico no seu desempenho podem ter melhores indicadores para treinar e analisar adequadamente sua performance.

Referências e Links:

Excelência na produtividade: a performance dos jogadores de futebol profissional

How psychological momentum changes in athletes during a sport competition

Psychological Momentum: Why Success Breeds Success

Psychological Momentum within Competitive Soccer: Players’ Perspectives

Contato do Autor:
Matheus Padilha Abrantes Reis
Instagram: @28padilha
E-mail: matheuspadilhaar@gmail.com

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto: