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Desafios da preparação física nas categorias de base

O assunto agora são os desafios da preparação física nas categorias de base. Formar e revelar grandes atletas sempre foi característica do futebol brasileiro. Contudo, nos últimos anos, acerca de críticas e maus resultados, o nosso cenário formador passou por uma grande revolução. Mas, será que por aqui estávamos formando os atletas ou apenas dando a oportunidade dos mesmos mostrarem o seu talento? Será que trabalhávamos para melhor preparar e desenvolver o jovem atleta ou deixávamos essa função a carga do ambiente? Entretanto, poderíamos melhorar este cenário?

Formar x revelar

A princípio é necessário conceituar dois termos distintos: formar e revelar. Formar um atleta significa desenvolvê-lo como tal, em todas as suas vertentes. Revelar, por sua vez, é o ato de lançar o jovem atleta na equipe profissional, dar a ele a oportunidade de jogar no alto nível.

Assim, junto a esses questionamentos iniciais, a evolução do futebol como um todo serviu de companhia para uma mudança de pensamento a respeito das categorias de base por aqui. Logo, desenvolver o jovem indivíduo em sua totalidade passou a ser o foco. Desse modo, a ideia é identificar talentos e prepará-los taticamente, tecnicamente, fisicamente, emocionalmente e socialmente através de um conteúdo pedagógico bem desenvolvido.

Preparação física na base

Além disso, são muitos os tópicos e procedimentos que fazem parte do processo de formação do atleta. No presente artigo, teremos como foco a preparação física. Primeiramente, é necessário ter fixa a ideia de que cada jovem atleta é um individuo diferente (princípio da individualidade biológica).

Em outras palavras, frente a esse conceito básico, é de extrema importância que a preparação física nas categorias de base respeite o nível de maturação de cada atleta. Para isso, devemos considerar o efeito da idade biológica: o grau de maturação do jovem pode não ter ligação com sua idade cronológica (anos). Deste modo, dois jovens atletas podem possuir a mesma idade, mas níveis de desenvolvimento corporal (massa muscular, estrutura óssea e articular, estatura…) totalmente distintos. Resumidamente, a maturação biológica representa todo o processo que o corpo humano e suas estruturas passam para chegar à fase adulta. Portanto, esse é o primeiro passo para sermos mais assertivos em programas de preparação física nas categorias de base.

Sobretudo a puberdade é um ocorrido determinante nessa fase. É ela que vai determinar o grau de maturação e consequentemente o que o atleta necessita em relação a treinamento para o seu desenvolvimento. Assim, podemos dividir os atletas em pré-púberes, púberes ou pós-púberes. Para isso, podemos submetê-los á avaliações clínicas ou somáticas (cálculo do Pico de Velocidade de crescimento-PVC) através da massa corporal, estatura, comprimento tronco-encefálico, comprimento dos membros inferiores e idade cronológica.

Etapas de formação na base

Da mesma forma, nas categorias de base, o jovem atleta deve passar por algumas etapas distintas, cada qual com seu objetivo específico. A primeira etapa é a iniciação esportiva (6 a 10 anos), a segunda é a especialização (11 a 15 anos), e por fim o rendimento (16 a 20 anos). Lembrando que nem sempre a idade cronológica equivale à idade biológica; a segunda deve ser considerada.

Certamente, na iniciação o foco é o contato com o esporte (não somente o futebol). São componentes muito importantes como se movimentar de maneiras distintas, bem como expor a criança a estímulos que desafiem o seu corpo. O objetivo é a construção de um amplo repertório motor. Correr, pular, saltar, rastejar, agachar, puxar, chutar, aterrissar, lançar, apanhar… a criança precisa se movimentar de maneira global. Dessa forma, ela irá adquirir uma base sólida de habilidades motoras gerais que servirão de suporte neuromotor nas habilidades especificas do futebol que serão exigidas nas próximas etapas.

Enquanto que na especialização, o foco passa a ser o futebol e suas respectivas habilidades motoras.  A ênfase está agora no que é especifico, tanto em questão de habilidade motora quanto capacidade física.

Por fim, no rendimento, a regra de ação é potencializar gradualmente tudo que o jovem atleta construiu até ali. A aprendizagem vai saindo de cena e o rendimento começa a tomar conta do processo.

Meios e métodos

Como vimos, existem etapas e indivíduos diferentes. Afinal, o método das “janelas de oportunidade” ou “períodos sensíveis” tem se mostrado o mais usual quando o falamos em preparação física nas categorias de base.  Tal metodologia propõe qual capacidade física está mais sensível ao treinamento para cada fase do desenvolvimento infantil. Recomendo a leitura do livro “Long-Term Athlete Development” para maior aprofundamento.

Em contrapartida, essa abordagem passou a ser questionada nos últimos anos. Pesquisadores holandeses contestaram tais ideias em um artigo interessante publicado este ano. Segundo o estudo, os períodos sensíveis devem enfatizar habilidades motoras e não capacidades físicas. Reportam que, cada movimento realizado para determinado esporte necessita da integração de diferentes capacidades físicas e não destas isoladas.

Outro conceito contestado pelo estudo é que não existem evidências de que um atleta não chegará ao ápice do rendimento se não trabalhar cada capacidade física no seu hipotético período sensível. Portanto, ter em mente ambos os conceitos é essencial para a elaboração de um programa de preparação física na base que vá de encontro à sua realidade.

Treinamento de força na base

Certamente, parece-nos que aqui está o ponto de diferenciação. A força é a capacidade física que rege as ações determinantes do futebol e seus benéficos para performance e redução do índice de lesões.

Se a considerarmos de maneira simplista, ela depende de hormônios que o corpo só começa a produzir pós puberdade. Afirmação esta que não deixa de estar correta. Contudo, estímulos neurais também integram essa capacidade física e possuem seu alto grau de importância.

Pensando dessa forma, podemos introduzir o trabalho de força já nos primeiros anos de especialização. Coordenação intra e inter muscular e força de estabilização são componentes treináveis nessa fase. Já força máxima, resistência de força e potência necessitam de componentes endócrinos e devem ser treinados pós puberdade. Em suma, o trabalho da força deve ser constante durante todo o processo de preparação física nas categorias de base.

Desafio para a preparação física na base

Resumidamente, ensinar e potencializar gradualmente. Esse é o ponto chave da preparação física nas categorias de base. Saber respeitar os limites do jovem atleta e individualizar o trabalho é o grande desafio. Integrá-lo ao desenvolvimento tático, técnico, psicológico e social também. Nessa perspectiva, muitos clubes passaram a enxergar as categorias de base como investimento e não custo. O trabalho com os garotos precisa ser de excelência e os cuidados devem ser até maiores do que com os atletas profissionais. No Brasil demos os primeiros passos, mas ainda temos muito a percorrer. Seguimos na construção de uma categoria de base forte, formadora e que respeite as raízes brasileiras, esse é o caminho.

Confira um episódio do Podcast Ciência da Bola que fala sobre o assunto:

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O fisiologista no futebol e os treinos semanais

O fisiologista possui um papel fundamental na construção da dinâmica de cargas em uma semana de treinamento no futebol, seja a semana com um ou mais jogos. Como discutido em textos anteriores, quantificar, monitorar e controlar as cargas dos atletas são funções inerentes ao fisiologista. No entanto, além dessas funções, o fisiologista auxilia a preparação física e a comissão técnica no planejamento de cargas que serão impostas em cada dia da semana.  Nesse texto, discutiremos como o ocorre essa relação entre preparação física e fisiologia no planejamento de treinos em cada dia da semana.

Cargas de trabalho e os dias da semana

As cargas de treino no futebol variam conforme os dias da semana. Consideramos dois fatores para selecionar o que devemos trabalhar em cada dia da semana, são eles: o dia do jogo anterior e o dia do próximo jogo. Assim, selecionamos os dias em que as cargas serão de recuperação, manutenção ou aquisição.

Na imagem abaixo vamos observar a dinâmica de cargas em duas situações. Em primeiro lugar, consideraremos uma semana cheia para treinamentos, com jogos apenas nos finais de semana. Em segundo lugar, exemplificaremos a semana com menos treinos, pois há dois jogos nesse período, sendo um no final de semana e outro no meio da semana.

Fonte: criado pelo autor

Podemos perceber que existe uma diferença entre a natureza das cargas de treino considerando essas duas situações. Neste sentido, o fisiologista tem o papel de determinar o volume e intensidade de cada dia de treino, buscando obter um ótimo nível de performance e recuperação dos atletas.

Fisiologista e as capacidades físicas

Além do volume e intensidade das sessões, no microciclo são selecionadas as capacidades físicas que devemos enfatizar em cada treino com natureza aquisitiva. Por exemplo, é comum fragmentar as sessões de aquisição em força, resistência e velocidade. Dessa forma, o fisiologista deve monitorar os atletas para entender se as exigências de carga externa atingiram o planejado para cada um deles, nos diferentes dias. Em casos de não obtenção do planejado, algumas decisões são tomadas, buscando realizar exercícios que são complementos físicos para atingir aquilo que foi estipulado.

Na imagem abaixo observamos os dias de treino e as capacidades físicas que são enfatizadas conforme o jogo anterior e próximo jogo. No primeiro gráfico há somente jogos aos domingos, já no segundo gráfico há jogos tanto nos finais de semana como no meio de semana. Como podemos observar, em cada dia da semana é visado uma capacidade física diferente. Além disso, as cargas variarão conforme o número de jogos na semana.

Fonte: Artigo publicado em 2020

Fisiologista no futebol

Por fim, o fisiologista deve ser figura presente no planejamento semanal das equipes de futebol. Sua presença no planejamento dos treinos irá auxiliar os preparadores físicos e treinadores. Como resultado, isso se refletirá na recuperação dos atletas, na manutenção do estado ótimo de desempenho e na redução do número de lesões na equipe. Isso porque a aplicação correta das cargas de treinos diárias podem “proteger” os atletas de situações de alto risco durante a temporada competitiva.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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O desempenho físico no futebol muda conforme o estilo de jogo?

Como visto no texto anterior sobre as demandas físicas e fisiológicas, o jogo de futebol vem se tornando mais intenso com o passar dos anos, requerendo um melhor desempenho físico dos jogadores. Nesse sentido, um estudo realizado por pesquisadores europeus em 2015, aponta um crescimento de 30% a 50% nas ações de alta intensidade entre as temporadas 2006-2007 e 2012-2013 da Premier Legue.

Contudo, devemos compreender a natureza complexa e dinâmica do futebol, ou seja, as vertentes do jogo (técnica, tática, física e psicológica) estão correlacionadas e devem ser analisadas de uma forma sistêmica. Portanto, alguns fatores como a velocidade, distância percorrida e manutenção da posse de bola são relevantes para entendermos a intensidade e desempenho físico no futebol.

Desempenho físico no futebol: o impacto da posse de bola

Primeiramente, sabemos que ter somente a posse de bola não demonstra o modelo de jogo de uma equipe. Entretanto, jogar com ou sem a posse de bola faz parte da ideia de jogo do treinador e do modelo de jogo do clube. De modo geral, em uma visão sistêmica, estudos demonstraram que a posse de bola tem uma relação importante nas variáveis físicas e técnicas dos jogadores.

Um estudo publicado em 2019, ao analisar jogos da copa do mundo de 2018, por exemplo, concluiu que as seleções caracterizadas com jogo de maior posse de bola apresentaram maiores distâncias percorridas em alta intensidade e sprints, em comparação às seleções caracterizadas com jogo direto (menos posse de bola). Indicando, deste modo, uma relação entre fatores táticos e físicos, mais especificamente entre o percentual de posse de bola e a demanda física.

Em outros estudos, equipes com maior posse de bola percorreram maior distância em alta intensidade na fase ofensiva. Em contrapartida, as equipes que apresentam um jogo “reativo” percorrem maiores distâncias em alta intensidade quando se encontram em fase defensiva. Veja os dados na figura abaixo.

Figura 1. Em preto é a % com posse de bola/ Em branco a % sem posse de bola / WP= distância percorrida com posse / WOP= distância percorrida sem posse / BOP= fora de jogo Fonte: (Artigo publicado em 2016).

Assim, percebemos pelo gráfico que a distância total, distância em baixa velocidade (low speed), distância em média velocidade (medium speed) e distância em alta velocidade (high speed) não sofreram grandes alterações decorrentes do fator de posse ou não da bola. Todavia, as equipes com maior porcentagem de posse de bola (barras pretas), percorreram uma maior distância quando de posse da bola (WP). O contrário acontece com as equipes com menor percentual de posse de bola (barras brancas/WOP).

Posição e desempenho físico

Conforme vimos até aqui, a manutenção ou não da posse de bola pode influenciar as demandas físicas e fisiológicas dos jogadores. Assim, essa diferença, talvez seja em consequência, principalmente, das distintas posições e funções táticas exercidas pelos jogadores em campo.

Dessa forma, para entendermos melhor como os indicadores físicos por posição são influenciados pela posse ou não da bola, os estudos que citamos também mostraram dados interessantes. Foi constatado, por exemplo, que meio-campistas e atacantes apresentam uma demanda física maior quando a equipe joga com menos posse de bola. Esse resultado provavelmente ocorre pelo fato deles precisarem fechar espaços e pressionar opositores, de modo a recuperar a bola.

Por outro lado, um efeito contrário foi encontrado nos zagueiros. Nos zagueiros foi identificado uma maior porcentagem de corridas de alta intensidade nas equipes com maior posse de bola durante a fase ofensiva, pois há uma tendência destes jogadores permanecerem mais parte do tempo ocupando a metade ofensiva do campo, auxiliando na circulação da bola, conforme consta o gráfico na figura abaixo.

Figura 2. Comportamento dos zagueiros. Barra preta é a % com posse de bola / Barra branca é a % sem posse de bola. Fonte: (Artigo publicado em 2016).

A imagem acima mostra o percentual do tempo gasto dos zagueiros na metade ofensiva do campo de jogo. Desta forma, fica nítido perceber que os zagueiros pertencentes as equipes com maior posse de bola (barras pretas) se dispõem no campo ofensivo durante grande parte do tempo de jogo. Em outras palavras, há uma tendência destes jogadores executarem uma maior porcentagem de ações de alta intensidade em equipes com maior percentual de posse de bola.

Posse da bola x demanda física

Portanto, os estudos aparentam uma congruência, indicando que equipes com maior percentual de posse de bola executam maiores números de ações de alta intensidade, quando de posse da mesma. Além disso, mostram uma forte relação entre diferentes posições x estilos de jogo e a demanda física.

Entretanto, a ênfase ou não na posse de bola não parece influenciar significativamente nas demandas físicas gerais das equipes. Deste modo, fica a sugestão para mais trabalhos neste sentido, analisando a natureza complexa e dinâmica do futebol, a fim de procurarmos entender melhor como as vertentes se correlacionam e influenciam na performance durante o jogo.

Fontes e Referências

https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/02640414.2013.786185

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02640414.2015.1114660

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Como a fisiologia no futebol ajuda outras áreas do clube?

A fisiologia no futebol já está presente a algum tempo. No entanto, não é novidade que nas equipes de futebol existem outros departamentos profissionais importantes. Esses profissionais possuem a função de apresentar informações para os treinadores, visando ajudar na melhora do rendimento dos jogadores e, consequentemente, da equipe. Como resultado, é comum a interação entre as diferentes áreas que compõe o núcleo de futebol de um clube. Mas, como isso ocorre na prática? Quais as informações que devem ser compartilhadas por profissionais da fisiologia e de outros setores?

Quais as informações que possuímos?

No futebol moderno a utilização de dados cresce exponencialmente. Desse modo, diariamente geramos diferentes informações para processarmos e interpretarmos. Por exemplo, é comum a filmagem de todos os treinos e jogos,o monitoramento dos atletas através de aparelhos de rastreamento em contexto de treino ou jogos, etc. Ainda no cotidiano desses atletas, incluímos também algumas medidas de recuperação e bem-estar, além de informações nutricionais e de características psicológicas. Logo, precisamos processar os dados coletados, a fim de possibilitar tomadas de decisões assertivas.

Entendendo a quantidade de informações geradas recorrentemente, os profissionais devem relacioná-las, para que, juntamente dos treinadores, possam tomar as melhores decisões para o rendimento da equipe. Portanto, a aplicação de uma visão sistêmica na modalidade se torna cada vez mais presente, a qual entenderá o atleta na totalidade e relaciona os diferentes componentes do desempenho desses atletas, buscando um equilíbrio entre saúde e desempenho.

Como a fisiologia pode auxiliar outros departamentos no futebol?

Fisiologista e analistas de desempenho

Uma das funções dos fisiologistas é quantificar a carga externa durante os jogos, utilizando aparelhos de GPS. Somado a isso, podemos relacionar os dados de corrida durante os jogos com as informações técnico-tática recrutadas pelos analistas de desempenho. Por exemplo, é interessante entender quais são as características das ações técnica e tática que os jogadores realizam quando estão correndo em altas velocidades. Como resultado, isso pode auxiliar os treinadores na melhor transferência dessas análises para as atividades de treino.

Abaixo observamos uma proposta de autores ingleses, através da abordagem integrada para interpretação dos dados de corrida dos jogadores de futebol durante as partidas.

Fonte: imagem adaptada do artigo: Are Current Physical Match Performance Metrics in Elite Soccer Fit for Purpose or is the Adoption of an Integrated Approach Needed?

Fisiologistas e nutricionistas

Ainda, os fisiologistas podem relacionar informações com o departamento de nutrição do clube. As medidas antropométricas, além de hidratação e alimentação, são tópicos inerentes aos profissionais da nutrição. No entanto, precisamos realizar os ajustes com a interação entre os departamentos. É comum nos clubes alguns atletas apresentarem necessidades de ajustes corporais de forma específica, seja para incrementos na massa muscular magra ou até mesmo uma redução na porcentagem de tecido adiposo.

Para que essas adaptações aconteçam são necessários ajustes tanto por parte da ingestão de alimentos, como nas cargas de treino desses atletas. Dessa forma, é preciso que ocorra uma constante interação entre os membros dos departamentos. Na imagem abaixo podemos observar a avaliação das dobras cutâneas para cálculo do percentual de gordura.

Fisiologistas e psicólogos

Por último, mas não menos importante, podemos destacar que com o passar dos anos o departamento de psicologia tem sido cada vez mais presente em equipes de futebol. Algumas informações recrutadas pelos fisiologistas podem auxiliar o trabalho desses profissionais.

Diariamente é comum os atletas realizarem questionários de características psicométricas, ou seja, esses questionários remetem ao bem-estar e estado de humor dos indivíduos. Assim, ao identificarmos algumas alterações no perfil dos jogadores podemos minimizar os efeitos negativos de altas cargas de treinamento. Essas avaliações do estado de humor podem ser realizadas com a interação entre os profissionais das diferentes áreas, melhorando o diagnóstico e, consequentemente, a tomada de decisão. A seguir, observamos na imagem exemplos de questionários utilizados no dia-a-dia de atletas.

Já sabíamos da importância da fisiologia no futebol. E, depois desse texto, percebemos que outros departamentos têm igual relevância no clube. Portanto, é necessário que o fisiologista relacione os dados coletados diariamente com as diferentes áreas, isso poderá elevar o nível de assertividade nas escolhas que envolve a saúde e performance dos atletas de futebol.


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Qual é o VO₂ máximo em jogadores de Futebol?

A capacidade aeróbia é um dos principais fatores que possibilitam a sustentação de altas taxas de trabalho durante os 90 minutos de uma partida. Desta forma, é de suma importância quantificá-la para entender melhor como se encontram os atletas em condições cardiovasculares para fazer uma preparação adequada.  Sendo assim, o melhor indicador para fazer este monitoramento é conhecido como VO₂ máximo. 

O VO₂ máximo é a capacidade do sistema respiratório em captar, metabolizar e transportar oxigênio a fim de proporcionar energia para o corpo durante uma contração muscular. Resumidamente, é o maior volume de oxigênio que uma pessoa consegue captar por um determinado período durante um exercício. O VO₂ máximo é expresso em mililitros de oxigênio por quilograma por minuto (ml/kg/min) relativamente ao peso corporal do avaliado. 

E pelo futebol ser um esporte predominantemente aeróbio, um maior pico de VO₂ máximo traz informações importantes a respeito de como o atleta pode performar durante a partida. 

Como calcular/medir o VO₂ máximo de um atleta?

Para fazer este controle de desempenho, existem alguns protocolos que podem ser utilizados para avaliar o VO₂ máximo no Futebol. Os testes de VO₂ máximo variam entre protocolos de laboratório e testes de campo. Dentre as opções de protocolos utilizados para esta finalidade temos alguns conhecidos, como, por exemplo:

Teste ergoespirométrico:

Este é um teste ergométrico de laboratório e deve ser realizado em uma esteira ou bicicleta. Este é um exame que fornece dados fisiológicos e traz consigo a grande vantagem da quantidade de informações (oxigenação, frequência cardíaca, troca de gases, limiares, etc.). Além disso, os dados obtidos durante o teste são muito precisos. Por outro lado, exige uma infraestrutura maior por parte do clube e demanda mais tempo para realizá-lo. 

Teste de Cooper:

O teste de Cooper consiste em um protocolo de campo bem simples, onde o atleta deve percorrer durante 12 minutos, a maior distância possível.  Este teste é realizado em pistas de atletismo e tem por objetivo calcular o VO₂ máximo em função da distância percorrida pelo tempo.

Yoyo Test

Yoyo teste também é um teste de campo, que preconiza corridas de ida e volta entre uma distância de 20 metros. O ritmo da corrida é demarcado por um sinal sonoro, e seu fim é caracterizado quando o atleta não consegue mais acompanhar o ritmo imposto pelo teste. Portanto, o VO₂ máx do atleta é obtido neste momento.

Ainda sobre o Yoyo teste, existem algumas variações do teste tradicional (Yoyo endurance) como o Yoyo intermintent e o Recovery intermitente. Assim, vale destacar que uma vantagem deste teste, é que ele pode ser aplicado em campo, tornando mais acessível a sua aplicação. Além disso, a sua característica é intermitente, em que se assemelha melhor às demandas impostas por uma partida de futebol.

VO₂ no Futebol

Agora que já entendemos o que é VO₂ máximo e como predizê-lo, entenderemos como ele se manifesta durante a partida de futebol. 

Os valores de VO₂ máximo podem variar conforme a faixa etária analisada. Estudos demostraram que uma boa capacidade aeróbia, possibilita ao atleta suportar melhor exercícios de longa duração, assim como aumentar a velocidade da ressíntese dos fosfatos (ATP-CP) responsáveis por fornecer energia para os períodos de alta intensidade. Desta forma, o valor mínimo considerado ideal para a prática do futebol seria de 55ml/kg/min.

Vale destacar que além da idade, fatores como: sexo, dimensão da composição corporal e a posição exercida pelos atletas, também influenciam nos valores de VO₂ máximo. Entretanto, a correlação entre VO₂ máximo e posição, está mais ligada a jogadores profissionais, não apresentando evidencias tão significativas nas categorias de base.

Desta forma, em equipes profissionais os valores de VO₂ máximo variam de 47ml/kg/min até 70ml/kg/min segundo a posição do jogador.  Nesse caso, os valores encontrados nos meio campistas e laterais geralmente são superiores aos demais valores encontrados nas outras posições. Em suma, estes resultados estão relacionados às diferenças entre as funções exercidas por cada posição durante o jogo.


VO₂ máximo e relação com frequência cardíaca (FC) e limiar anaeróbio (LA)

O futebol é um esporte com características energéticas mistas. Assim, definir limiares é um procedimento importante para o melhor conhecimento individual de seus atletas. Além disso, é essencial para o conhecimento das características presentes em diferentes posições. Nesse sentido, duas métricas estão atreladas ao VO₂ máximo: a frequência cardíaca e o limiar anaeróbio.

No geral, o que podemos perceber é uma relação linear entre Frequência Cardíaca e VO₂ máximo, haja vista que valores próximos do máximo da Frequência cardíaca, indicam uma maior percentagem de VO₂ sendo utilizada para a realização de determinada atividade.  

Deste modo, podemos entender que o controle da FC durante treinamentos e jogos, nos permite compreender qual o grau de esforço que o atleta está sendo submetido. E assim predizer limiares para direcionar o treino da melhor forma para o objetivo proposto. 

Já o limiar anaeróbio pode ser definido como uma transição de metabolismos, ou seja, uma mudança na via energética predominante na produção de energia, onde passa de aeróbio para anaeróbia. Basicamente, ela é provocada por exercícios com uma intensidade muito elevada, onde o nível de produção de lactato é maior que a capacidade do corpo em removê-lo. Provocando assim uma hiperventilação e uma sensação de queimação muscular, não conseguindo ser suportado por um período muito elevado de tempo.

Portanto, um Limiar Anaeróbio elevado permite ao atleta realizar atividades com intensidades mais elevadas, sem haver o acúmulo progressivo de ácido lático no sangue. Ou seja, permite ao atleta se manter em uma intensidade maior durante um período também maior. Desta forma, o atleta que consegue utilizar maior porcentagem do seu VO₂ máximo sem entrar em acidose metabólica e por isso tem vantagens competitivas em relação a seu adversário.

Entretanto, na literatura não há um consenso de valores absolutos de VO₂ máximo e Limiar anaeróbio em atletas de futebol, os estudos citam porcentagens entre 75% até 86% de VO₂ máximo para atingir o Limiar Anaeróbio. 

O que podemos entender sobre o VO₂ máximo?

Devido à complexidade do tema, não há um consenso na literatura referente a algumas questões relacionados ao assunto. Porém, entender a base do VO₂ máximo e conhecer sobre relação dos fatores que podem influenciá-lo, são características importantes para um bom profissional que atuará no futebol. 

Portanto, neste texto conseguimos ter uma noção maior de um dos principais índices fisiológicos presentes no futebol. Entendemos o que é VO₂ e como podemos mensurá-lo.

Ainda foi citado alguns valores de referência e a sua relação com demais indicadores fisiológicos como Frequência Cardíaca e Limiar Anaeróbio.

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Processo de recuperação pós-jogo

O que é recovery?

O futebol é um esporte que exige dos atletas, demandas físicas, fisiológicas e psicológicas muito altas. A elevada intensidade durante os jogos, aliada a um calendário competitivo e muito congestionado, leva os atletas a entrarem em processo de fadiga. Porém, estratégias para minimizar a fadiga, podem fornecer uma importante vantagem competitiva em relação aos adversários. Uma dessas estratégias é o recovery, que promove uma melhor e mais rápida recuperação pós-jogo.

O recovery é caracterizado, basicamente, por processos restaurativos que proporcionam uma recuperação musculoesquelética ou, até mesmo, recuperação psicológica. A recuperação depende do índice de estresse ao qual cada atleta é submetido e, também, ao perfil de personalidade.

Os modelos de recovery mais comuns são os passivos e ativos. Os modelos passivos são caracterizados por métodos externos, tais como massagens, alongamentos, crioterapia ou até a implementação de um estado completo de repouso. Já os modelos ativos, englobam atividades físicas de média e baixa intensidade executadas por um período curto de tempo, por exemplo: caminhadas ou trotes, jogos reduzidos, atividades na sala de musculação, entre outros.

Recuperação ativa e passiva

Geralmente, os estudos sobre a recuperação pós-jogo, ressaltam a eficiência da recuperação ativa em relação à passiva. Ademais, vejamos o estudo de liderado pelo pesquisador Grassi da Universidade Federal de Goiás, em que foi comparado três diferentes métodos de recuperação:

  • Passiva (RP): estado completo de repouso;
  • Banheira de gelo: 7 minutos a 14 graus;
  • Ativa (RA): trote com intensidade de 50% a 65% da frequência cardíaca máxima.

O estudo mostrou que a recuperação ativa apresentou uma diminuição da concentração de lactato sanguíneo relevante quando comparada com as demais alternativas, principalmente em relação à recuperação passiva. Portanto, podemos interpretar a diminuição da concentração de lactato na corrente sanguínea como uma redução da lesão tecidual, ou seja, uma melhor recuperação do músculo.

Da mesma forma, outro estudo realizado em 2013 liderado pelo pesquisador brasileiro Luís Inácio Silva, 20 atletas de futebol foram submetidos a um teste de 9 minutos e divididos em dois grupos: recuperação ativa (RA) e recuperação passiva (RP).

A concentração de lactato foi medida no início do teste, no final do teste, 5, 10 e 15 minutos após o término do teste. Os resultados foram compatíveis com o do estudo citado anteriormente. Para melhor ilustrar, podemos ver no gráfico que a recuperação ativa representada pela cor azul apresentou uma queda significante da concentração de lactato sanguíneo quando comparada com a passiva, principalmente no minuto 15 (Lac15), após o término do teste, passando de 4,10 mmol/L para 2,45 mmol/L.

Desta forma, a curva regressiva apresentada pela recuperação ativa continuaria no decorrer do dia, trazendo benefícios para a próxima sessão de treinamento e fazendo com que os atletas cheguem em melhores condições físicas para a realização de suas atividades.

Tipos de Recuperação ativa

Como percebemos até o momento, a recuperação ativa parece apresentar uma abordagem mais assertiva, o que mostra ser mais eficiente para a recuperação pós-jogo. Assim, dois protocolos de recuperação ativa pós esforço são comumente utilizados. Um de maior grau de especificidade com o futebol; e outro com menor especificidade.

  • Treino composto por jogos reduzidos de baixa intensidade; (maior grau de especificidade)
  • Treino composto por sessões de corridas com baixa intensidade, alongamentos e relaxamento muscular; (menor grau de especificidade).

O interessante é que ambos os protocolos apresentam melhoras no desempenho físico dos atletas, sendo, os treinos de sessões de corrida com baixa intensidade, alongamentos e relaxamento muscular; parecerem mais eficientes que o treino composto por jogos reduzidos de baixa intensidade.

Dessa forma, podemos considerar que a especificidade poderia indicar uma forte relação entre o desempenho físico e questões psicológicas. Treinos mais específicos (em formato de jogo, por exemplo) exigiriam maior concentração mental e física do atleta já fadigado em razão da partida anterior, o que poderia retardar a recuperação plena dos atletas pós-partida.

Relação entre fatores físicos e psicológicos

Sabemos que diversos fatores podem ser estressores para os atletas, por exemplo: as viagens mais longas; a privação de sono, que pode ocorrer em função dos deslocamentos; problemas pessoais ou com o grupo; dentre outros. Todas essas situações podem elevar o nível de estresse e gerar consequências fisiológicas que prejudicam a recuperação.

Do mesmo modo, a fadiga mental se configura como uma determinante importante para a tomada de decisão. Isso ocorre porque a tomada de decisão de uma pessoa é limitada. Durante um jogo de futebol, o atleta toma em média mais de duas mil decisões. Além disso, segundo a literatura científica sobre as funções cognitivas, a cada decisão tomada, ocorre uma fadiga que prejudica as decisões seguintes.

Com a tomada de decisão prejudicada pela fadiga mental, o desempenho do jogador tende a diminuir. Simultaneamente, o mau desempenho tende a configurar um maior nível de estresse, acarretando outros problemas que podem se manifestar até mesmo fisicamente. Portanto, a fadiga mental pode criar um ciclo de condições ruins que afetam diretamente a capacidade de resposta física e mental do atleta.

O bem-estar e a fadiga mental na recuperação pós-jogo

Estudos na área apresentam uma relação linear entre a fadiga e bem-estar, isto é, quanto menores os níveis de bem-estar, menor é o rendimento físico dos atletas.

Diante disso, é de suma importância reduzir as cargas de cobrança psicológica após a partida, optando por métodos de treinamentos que não exijam um grande número de tomada de decisões dos atletas. Assim, alinhando fatores físicos e psicológicos, de modo a acelerar a remoção de substâncias inflamatórias, e permitindo uma melhor recuperação dos níveis fisiológicos por parte dos atletas.

Desse modo, promoveremos uma recuperação adequada, para que o atleta esteja em plenas condições para sessões de treinamentos subsequentes, e também para a próxima partida.

Em resumo, percebemos uma grande vantagem no método de recuperação ativa, a qual podemos concluir que ajuda a acelerar o processo de recuperação dos atletas. Ainda nesse sentido, trabalhos com menor grau de especificidade demostraram ser uma boa alternativa para a montagem de sessões de treinamento com o objetivo de recuperação fisiológica e psicológica dos futebolistas.

Cada atleta lida de maneira peculiar com as diversas situações envolvendo fatores psicológicos, indicando a necessidade de um acompanhamento para que essas situações não acarretem mais problemas ao jogador e ao time.

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Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Métodos de Treinamento Físico no Futebol

No futebol, os jogadores precisam estar em boas condições físicas para lidar com as demandas do jogo. O treinamento físico é crucial para desenvolver as habilidades necessárias para jogar em níveis competitivos. Isso inclui treinamento de força, equilíbrio e agilidade, que melhoram o desempenho dos jogadores em vários aspectos, como saltos verticais e sprints. O treinamento neuromuscular também pode ser realizado de forma unilateral ou bilateral, ambos eficazes para melhorar a força das pernas.

Um estudo de revisão sistemática mostrou que a combinação de diferentes métodos resultou em melhorias significativas em diversos aspectos em jogadores de futebol.

Com base neste estudo, confira quais os métodos de treinamento utilizados para otimizar a condição física dos jogadores de futebol.

Treinamento Neuromuscular

O treinamento neuromuscular é uma estratégia que inclui força, equilíbrio e agilidade para melhorar o desempenho atlético de jogadores de futebol adolescentes. Estudos mostram que um programa de treinamento neuromuscular de 6 a 12 semanas pode melhorar medidas de desempenho, como altura do salto vertical, equilíbrio e força muscular em jogadores de futebol jovens.

Além disso, o treinamento neuromuscular pode ajudar a melhorar o padrão de movimento durante determinadas tarefas, como saltos. Por meio de um programa de treinamento neuromuscular, jogadores de futebol jovens podem melhorar sua capacidade de sprint e agilidade, o que pode ser útil durante as partidas.

Treinamento Unilateral e Bilateral

Estratégias de treinamento unilateral e bilateral têm surgido para melhorar a força e a potência das pernas em atletas de futebol. Estudos mostram que ambas as formas de treinamento são igualmente eficazes na indução do aumento de força e potência. Em um estudo, por exemplo, os participantes foram divididos em grupos que realizaram treinamento unilateral e bilateral, e ambos os grupos apresentaram aumento significativo em algumas variáveis de força medidas.

No entanto, a combinação dos dois tipos de treinamento mostrou resultados ainda mais significativos em atletas de futebol. Portanto, a combinação de treinamento unilateral e bilateral pode ser mais benéfica para melhorar o desempenho em exercícios explosivos de alta intensidade e curta duração.

Treinamento Balístico

O treinamento de bola é importante para jogadores de futebol que precisam de força e velocidade para ações explosivas, como chutar e saltar. O treinamento balístico é uma forma de exercício dinâmico que envolve atividades motoras, como arremessos, saltos e corridas, usando resistência externa ou autorresistência. Estudos mostram que a combinação de exercícios balísticos e pliométricos é eficaz para aumentar a força e a velocidade dos jogadores de futebol.

Além disso, o uso de exercícios específicos, como saltos com agachamento e meio agachamento, também pode melhorar a aceleração e a altura do salto dos jogadores. O treinamento balístico é uma estratégia importante para melhorar a capacidade dos jogadores em ações explosivas.

Treinamento Pliométrico

O treinamento pliométrico é um programa de exercícios que aumenta a força e a velocidade, muito importante para jogadores de futebol, que precisam ter a habilidade de responder rapidamente e com força tanto no ataque quanto na defesa. Vários estudos mostram que esse tipo de treinamento pode melhorar a ação explosiva dos jogadores, incluindo saltos, sprints e mudanças de direção. No entanto, os resultados variam dependendo da forma como o treinamento é realizado e se é combinado com outros exercícios.

Por exemplo, a combinação de treinamento de peso e treinamento pliométrico pode ser mais eficaz do que apenas o treinamento de peso. Além disso, a adição de uma carga ao treinamento pliométrico pode produzir resultados diferentes. É importante ajustar o volume e a intensidade do treinamento pliométrico conforme a idade e o nível dos jogadores de futebol para obter resultados favoráveis.

Treinamento de Força

O treinamento de força é importante para melhorar o desempenho muscular e reduzir lesões em jogadores de futebol. Diversas formas de treinamento são usadas, como o treinamento excêntrico, neuromuscular e exercícios de força, flexibilidade, equilíbrio e estabilidade. Estudos mostraram que o treinamento de força é eficaz em melhorar o desempenho e reduzir as taxas de lesão em jogadores jovens de futebol, mesmo em idades diferentes.

A combinação de treinamento de força com outros tipos de treinamento, como o treinamento de potência, pode aumentar ainda mais o desempenho em velocidade e em tarefas de mudança de direção. É recomendado fazer pelo menos duas sessões por semana para melhorar sprints e tarefas de mudança de direção, enquanto uma sessão por semana é suficiente para melhorar a capacidade de salto.

Treinamento Excêntrico

O treinamento excêntrico tem sido amplamente utilizado no futebol como uma forma de prevenir lesões musculares que ocorrem durante contrações excêntricas, quando o músculo é estendido ou alongado. O programa de treinamento inclui exercícios que melhoram o desempenho muscular, reduzem a incidência e a gravidade das lesões e aumentam a agilidade dos jogadores de futebol.

Além disso, o treinamento excêntrico também melhora a agilidade, conforme estudos que utilizaram treinamento de sobrecarga excêntrica combinado com outros tipos de exercícios. Portanto o treinamento excêntrico é, portanto, uma ferramenta importante para aprimorar o desempenho dos jogadores e prevenir lesões musculares.

Treinamento de Sprints repetidos

O treinamento de sprints repetidos é uma estratégia de exercício que consiste em uma série de sprints curtos, com duração de 3-7 segundos, cada um separado por um curto período de recuperação de menos de 60 segundos. O objetivo é desenvolver a função neuromuscular complexa, como o desempenho em sprints únicos, a função metabólica ou ambos simultaneamente.

Estudos demonstraram que em um período de 6-7 semanas, o treinamento de sprints repetidos pode melhorar o desempenho em sprints, a força das pernas e a resistência em jogadores de futebol jovens e profissionais. Em um estudo com jogadores profissionais juniores de 16 anos, mostrou melhoria na capacidade de recuperação entre sprints e aumento na resistência em um teste específico. Já em outro estudo com jogadores profissionais de 18 anos, melhorou o tempo de sprint e a força das pernas.

Treinamento de Corrida Resistido e Não Resistido

Treinamento de corrida resistido e não resistido são duas estratégias para melhorar a capacidade de corrida, incluindo velocidade, aceleração e agilidade. O treinamento de corrida resistido envolve o uso de pesos adicionais ou treinamento em subida, ou em dunas. Em um estudo com jovens jogadores de futebol com 16 anos de idade, o treinamento de corrida resistido aumentou o tempo de sprint.

Outro estudo revelou que o treinamento resistido não só aumenta a velocidade e aceleração, mas também pode ser usado para melhorar a agilidade e força. Os participantes realizaram exercícios de salto e um protocolo de corrida resistido ou não resistido. O grupo que realizou o treinamento resistido obteve melhorias significativas em várias distâncias de corrida, mudanças de direção, saltos verticais e horizontais.

Dessa forma, cabe dizer que o treinamento de corrida pode ser adaptado para atender às necessidades individuais dos atletas.

Treinamento de Resistência

O treinamento de resistência é importante para jogadores de futebol por ajudar a desenvolver músculos fortes, necessários para a realização de ações como correr, chutar e saltar. Esse tipo de treinamento estimula a produção de proteínas nas células musculares, o que aumenta a capacidade dos músculos em gerar força.

Em um experimento de 15 semanas com jogadores de futebol entre 18 e 20 anos, pesquisadores utilizaram um modelo de periodização não linear de treinamento de resistência e mostraram resultados significativos no aumento da força e potência muscular, sem comprometer a velocidade e agilidade.

Treinamento com Faixas elásticas

O treinamento com faixas elásticas pode ser uma opção segura e eficaz para aumentar a capacidade muscular em jogadores de futebol. Um estudo com jogadores profissionais mostrou que o treinamento com faixas elásticas durante 5 semanas aumentou a frequência máxima de movimento do joelho, sem afetar significativamente a força, salto e desempenho de corrida.

Os exercícios com faixas elásticas foram realizados com um parceiro, com um segurando uma faixa amarrada no tornozelo do outro. Isso sugere que o treinamento com faixas elásticas pode melhorar a capacidade funcional dos músculos.

Treinamento do Core

O treinamento do core é essencial para os jogadores de futebol, ao ser responsável por desenvolver a força do corpo e reduzir o risco de lesões. Estudos mostram que o treinamento do core pode melhorar a velocidade, salto vertical, equilíbrio, agilidade e flexibilidade dos jogadores. Experimentos em diferentes grupos de jogadores de futebol, com diferentes protocolos de treinamento, todos mostraram um aumento significativo no desempenho após o treinamento do core.

Portanto, é importante incluir o treinamento do core nos programas de treinamento de futebol para melhorar o desempenho e prevenir lesões.

Treinamento Intervalado Aeróbico

O treinamento intervalado aeróbico é um exercício que induz uma taxa metabólica aeróbica mais alta do que anaeróbica. Em um estudo, jogadores de futebol com 17 anos de idade realizaram treinamento intervalado aeróbico por 5 semanas com intensidade baseada no pico de velocidade (PV), com 4 séries de 4 minutos com intervalos de 3 minutos. Não houve resultados significativos na mudança do VO2max entre o período antes e depois do exercício, independentemente de haver mudança de direção ou não.

Outro estudo mostrou que treinamento intervalado aeróbico por 6 semanas, 2-3 sessões por semana, foi eficaz em manter a aptidão aeróbica de jogadores de futebol de 15 anos de idade. O treinamento intervalado aeróbico e os jogos em pequenos grupos foram igualmente eficazes na manutenção da aptidão aeróbica, mas os jogos em pequenos grupos aumentaram significativamente o nível de jogo dos jogadores.

Já em um estudo com jogadores de futebol amadores de 21 anos de idade, o treinamento intervalado aeróbico convencional por 6 semanas, com 5 séries de 6 minutos de trabalho na intensidade do limiar anaeróbico e 3 minutos de descanso entre as séries, aumentou os parâmetros de resistência anaeróbica.

Treinamento intervalado aeróbico com restrição de fluxo sanguíneo

O Treinamento intervalado aeróbico com restrição de fluxo sanguíneo (Blood Flow Restriction Aerobic Interval Training) é um exercício que combina o uso de uma braçadeira de pressão arterial com treinamento de baixa resistência para melhorar a adaptação nos músculos esqueléticos e nos vasos sanguíneos periféricos. Esse exercício é realizado com base em intervalos de energia aeróbica e pretende aumentar a capacidade aeróbica e prevenir a diminuição do VO2max em jovens jogadores de futebol com 23 anos de idade.

Um estudo demonstrou que após 2 semanas (4 sessões por semana) de exercícios com uma pressão de 140mmHg aumentando para 180mmHg, houve um aumento na capacidade aeróbica e RPE (escala de percepção subjetiva de esforço) dos jogadores.

Treinamento Intermitente

Os jogos de futebol são caracterizados por trechos de alta intensidade intercalados com momentos de descanso. Por isso, a capacidade de repetir treinos de alta intensidade é essencial para os jogadores. O treinamento intermitente pode ser utilizado para aumentar as demandas físicas segundo as necessidades da competição.

Um estudo realizado com um jogador jovem de futebol de 16 anos mostrou que, após 12 semanas de treinamento intermitente com sprints de 4-8 séries por sessão, duração de trabalho de 10-30 segundos e recuperação de 10-30 segundos, houve uma diferença significativa no desempenho aeróbico.

Esse tipo de treinamento é fácil de ser aplicado, inclusive para atletas jovens, por minimizar a produção de ácido lático e o risco de lesões. O estudo também ressalta a importância de prestar atenção na fase de recuperação, pois um tempo maior do que 30 segundos pode resultar em uma diminuição da frequência cardíaca.

Treinamento de Endurance de Velocidade Anaeróbica

O treinamento de endurance de velocidade anaeróbica é essencial para jogadores de futebol que precisam produzir esforço máximo em um curto período, intercalado com um breve período de recuperação. Existem duas subcategorias desse treinamento, SEP (Produção de Resistência de velocidade) e SEM (Manutenção da Resistência de Velocidade), que podem melhorar a performance em sprints repetitivos e intermitentes de alta intensidade.

Estudos mostraram que o SEP é mais eficaz em melhorar a capacidade de exercício intermitente intenso, enquanto o SEM aumenta a resistência à fadiga e mantém o desenvolvimento da velocidade durante exercícios curtos e repetitivos. O treinamento com SEP também é mais intenso do que com SEM e pode ser mais adequado para aumentar a resistência à fadiga.

Treinamento Intervalado de Alta intensidade

O treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) pode aumentar a capacidade cardiorrespiratória, bem como a resistência muscular e a flexibilidade. No entanto, os resultados podem variar dependendo do tipo de exercício e da combinação com outros tipos de treinamento. Alguns estudos mostram que a combinação de HIIT com jogos de pequenos grupos pode melhorar a resistência anaeróbica, a potência e a agilidade em jogadores de futebol jovens.

Por outro lado, o treinamento de pequenos grupos é eficaz para melhorar a habilidade técnica e a agilidade, enquanto o HIIT é mais adequado para a velocidade e o treinamento de resistência de sprints repetidos em jogadores de futebol jovens.

Treinamento Tabata

O treinamento Tabata é um método de treinamento de alta intensidade que pode melhorar o desempenho atlético. Este protocolo consiste em exercícios com uma intensidade alta, seguidos por um curto período de recuperação, em comparação com o tempo de execução. O Tabata dura 4 minutos e inclui 8 intervalos, com 20 segundos de trabalho seguidos por 10 segundos de recuperação, repetido 8 vezes.

Um estudo mostrou que um treinamento de Tabata sprint realizado por 12 semanas pode melhorar significativamente a velocidade de jogadores de futebol com idades entre 20 e 25 anos. O protocolo pode variar em termos de tempo de duração e número de repetições, mas geralmente é realizado em 1-3 séries. O treinamento Tabata pode ser uma ótima opção para melhorar a capacidade física em um curto período.

Treinamento com Trenó

O treinamento com trenó muito pesado é um tipo de treinamento de força que usa a massa corporal como carga. Em um estudo, foi observado que o uso de uma carga que reduziu a velocidade de sprint em cerca de 30% e 10% resultou em um aumento significativo no tempo de sprint de 5 e 10 metros.

Outro estudo mostrou que, após um treinamento de 8 semanas, o uso de uma carga ainda maior (80% da massa corporal) aumentou significativamente a produção máxima de força horizontal durante o sprint, em comparação com o treinamento padrão sem carga. Além disso, houve um aumento moderado no desempenho de sprint de 5 metros e 20 metros no grupo que usou o trenó muito pesado.

Treinamento de Pilates

O treinamento de Pilates foi desenvolvido para melhorar a flexibilidade e a saúde em geral, destacando a força do núcleo, postura, respiração e coordenação de movimentos. Os exercícios de Pilates são projetados para posicionar os participantes em posições que minimizam o recrutamento desnecessário de músculos e levam a uma diminuição da estabilidade, fadiga prematura ou recuperação prejudicada.

Um estudo realizado em jogadores de futebol com idades entre 17 e 20 anos mostrou que após 4 semanas de treinamento de Pilates, com exercícios como leg circles, leg ups and downs, scissocrs, sidekicks, the saw, spine stretch, soulder bridge, neck pulls e pilates push ups, houve um aumento na flexibilidade dos músculos isquiotibiais. Esse aumento na flexibilidade é alcançado por meio de mecanismos biomecânicos, neurológicos e moleculares que determinam resultados a longo prazo, tornando os músculos gradualmente mais elásticos.

Treinamento Funcional

O treinamento funcional é uma alternativa para melhorar vários aspectos da aptidão muscular, incluindo força, resistência, coordenação e equilíbrio. Consiste em movimentos físicos característicos para desenvolver a força em todo o corpo humano, levando a uma maior mobilidade e estabilidade do atleta e, consequentemente, reduzindo o risco de lesões.

Um estudo mostrou que o treinamento funcional realizado por 6 semanas, com 4 sessões por semana, em forma de circuitos, teve um efeito positivo na melhoria dos resultados de testes de agilidade. O treinamento foi dividido em diferentes fases, com durações crescentes de cada estação e pausas entre elas.

Qual tipo de treinamento escolher?

Com base neste estudo de revisão sistemática, vários programas de treinamento foram encontrados para melhorar a condição física de jogadores de futebol, como força, resistência aeróbica e anaeróbica, potência muscular, velocidade e aceleração, flexibilidade, agilidade e equilíbrio. Isso mostra haver uma variedade de opções disponíveis para os jogadores melhorarem seu desempenho e habilidades físicas no campo.

Além disso, é importante destacar que a escolha do programa de treinamento deve considerar o objetivo específico do jogador e a posição em que ele joga.

Também é fundamental que o programa de treinamento seja adaptado às necessidades individuais de cada jogador, considerando seu nível de condicionamento físico atual e possíveis lesões anteriores.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

Referências Científicas

Clique aqui para ter acesso ao artigo que embasou este texto, com todas as referências dos estudos citados acima.

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O GPS no Futebol: como funciona?

Você, que trabalha com futebol, já deve ter ouvido falar sobre o GPS no meio esportivo. O GPS vem ganhando cada vez mais espaço em clubes, visto que suas informações são muito úteis para identificarmos as cargas do treino ou jogo. Isto é, com o GPS podemos verificar quanto o atleta se desgastou, qual a distância percorrida, quantos sprints em alta/moderada intensidade foram feitos e, também, podemos saber se ele cumpriu o papel tático pedido pelo treinador. Se quiser entender mais sobre o GPS no futebol, acompanhe o texto.

Como funciona o GPS?

O GPS vem da sigla em inglês Global Position Sistem (sistema de posicionamento global). O GPS é um dispositivo que fica conectado a satélites. Atualmente, existem duas formas de calcular as distâncias e velocidades através dos satélites. São elas:

Diferenciação posicional

A diferenciação posicional é calculada através da latitude e longitude. Assim, os satélites calculam sua distância para o dispositivo e, em seguida, criam uma triangulação entre si, verificando onde estava o dispositivo em cada sinal emitido. Para saber a velocidade, é calculado a distância sobre o tempo.

Deslocamento Doppler

Já o método Doppler é um pouco diferente. Aqui, o satélite calcula as rotas do GPS através da frequência de sinal periódico que o dispositivo emite. Ou seja, o deslocamento Doppler trabalha com ondas de frequência. Portanto, dependendo da frequência das ondas emitidas pelo GPS, o satélite sabe a sua localização. O método Doppler possui uma precisão maior na velocidade e acelerações produzido pelo indivíduo.

Muitos dispositivos utilizam a Diferenciação Posicional para saber a trajetória do GPS e, ainda, o Deslocamento Doppler para saber a velocidade e aceleração do jogador.

O que influencia os sinais do GPS?

Como os satélites se comunicam com o GPS por sinais, é normal que ocorram interferências nesse meio. Algumas das interferências são:

  • Localização ou obstrução ambiental: caso o local da atividade tenha baixo acesso aos satélites ou algumas obstruções ambientais (como prédios, ginásios, montanhas, etc.), pode haver problemas entre os sinais. Assim, você pode perder alguns dados durante a atividade.
  • Número de satélites ligados ao receptor: é de suma importância que os satélites emitam um sinal de qualidade para o receptor. Além disso, é necessário no mínimo 4 satélites para haver a captação dos dados. No entanto, não é recomendado usar dispositivos com menos de 6 satélites.
  • Aparelhos diferentes: cada aparelho tem uma qualidade divergente de sinal emitido. Dessa forma, alguns estudos já comprovaram diferenças nos dados obtidos por dispositivos de marcas distintas. Cabe a você se informar, ver recomendações e escolher o dispositivo que melhor atenda suas demandas.

E para o Futebol, o que o GPS fornece?

Com o passar do tempo, as tecnologias vão se aperfeiçoando. E isso não foi diferente com o GPS. Atualmente, no futebol, podemos adquirir informações de distância percorrida, acelerações e desacelerações, distância em diferentes faixas de velocidade, impactos e dados posicionais. Para entendermos melhor cada uma dessas variáveis, faremos uma listagem abaixo.

  • Distância percorrida: qual a distância total que o jogador obteve na partida, somando as caminhadas, trotes, corridas de costas, deslocamentos laterais, sprints, etc.
  • Acelerações e desacelerações: quantas vezes os atletas aceleraram e desaceleraram durante uma partida.
  • Distâncias em diferentes faixas de velocidade: aqui podemos dividir as velocidades em diferentes faixas: parado, caminhando e trotando, a velocidade máxima é de até 11 km/h. De 11,1 km/h a 14 km/h é configurado como corrida de baixa intensidade, de 14,1 até 19 km/h é corrida moderada. De 19,1 até 23 km/h é corrida em alta intensidade e, após os 23 km/h é configurada de Sprint.

Tabela 1: distâncias obtidas em relação à ação e posição expressa em metros [m]

Fonte: adaptado de Junior (2004).

A partir dos dados acima, é possível identificarmos que a maioria dos esforços físicos acontecem em moderada intensidade. No entanto, há momentos em que o atleta irá acelerar e desacelerar, mudar de direção de forma rápida, atingir velocidades maiores (sprints), etc. Dessa forma, podemos dizer que o futebol é um esporte prioritariamente aeróbico, mas com momentos de grande esforço durante a partida.

O que fazer com as informações do GPS?

Através das informações adquiridas pelo GPS é possível que a comissão técnica verifique se aqueles jogadores atingiram as valências físicas do treino ou jogo. Além disso, podemos acompanhar o desempenho físico ao longo de uma temporada, identificando os momentos em que o atleta tem uma subida, queda ou estabilidade física.

Também podemos comparar as variáveis adquiridas no jogo com as variáveis do treino. Desse modo, é possível identificarmos se o atleta treina naquela intensidade com a qual está jogando. Caso o atleta tenha uma discrepância muito grande nos jogos em comparação aos treinos, podemos evitar futuras lesões, já que ele não treina na intensidade que joga, logo, o músculo pode sofrer uma demanda de carga muito grande e “estourar”.

Dados posicionais no GPS

Os dados posicionais de GPS vêm ganhando muita força no futebol. Mas, o que é isso? Os dados posicionais nada mais são do que identificar quais os locais do campo onde o jogador mais esteve presente. Dentro disso, podemos citar como exemplo o mapa de calor.

O mapa de calor é somente um dos exemplos que podemos citar. Podemos identificar o posicionamento do atleta a cada minuto de partida, é possível criar faixas de tempo onde vemos qual existe algum padrão seguido pelo atleta, dentre outras possibilidades.

O GPS no Futebol

Como podemos observar no texto, o GPS é uma ferramenta que traz inúmeros benefícios aos clubes e atletas, desde uma melhora física, passando pela prevenção de lesões e chegando até a parte da tática, onde o atleta pode melhorar posicionamentos no campo.

Portanto, o GPS é de fundamental importância para clubes que desejam exercer um trabalho de alto nível. Por outro lado, é necessário um pequeno aporte de dinheiro para conseguir esses equipamentos. Visto isso, procure no mercado os dispositivos que melhor atendam a sua demanda.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

Referências

Unpacking the Black Box: Applications and Considerations for Using GPS Devices in Sports.

Utilização do GPS no futebol.

Contato do autor:

Instagram: @christopher_suhre

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Avaliações Físicas no Futebol

Sempre que iniciamos uma temporada em uma equipe de futebol (seja ela de base ou profissional), um dos primeiros passos a serem planejados pelos preparadores físicos, e que pautará o restante do trabalho dos mesmos, são as Avalições Físicas no Futebol. Mas, quando pensamos em Avaliações Físicas, é necessário que se entenda algumas questões como: Por que avaliar? Quando avaliar? O que avaliar? Como avaliar?

Assim, neste texto, tentaremos elucidar essas e outras questões para que você leitor, ao iniciar uma pré-temporada em um clube de futebol, saiba como desenhar um programa de Avalições Físicas para a sua equipe. Então vamos ao texto!

Por que realizar Avaliações Físicas no Futebol?

As Avaliações Físicas no Futebol são importantes para identificar o padrão físico onde a equipe se encontra. Além disso, nos permitem perceber as características individuais dos jogadores (quem é mais rápido, mais forte, mais resistente, etc.) e verificar possíveis indicadores físicos de lesão, como, por exemplo, assimetrias musculares.

Com os dados encontrados, poderemos prescrever treinamentos em busca de uma melhora do padrão físico geral da equipe, mas também será possível (e talvez o mais importante) segmentar os treinamentos de acordo com a necessidade de cada posição e de acordo com a necessidade individual dos atletas.

Nesse contexto, os preparadores físicos poderão ser mais assertivos no planejamento e aplicação dos treinamentos, a fim de que se alcance um estado de forma “ótimo”, seja coletivo ou individual, além de permitir potencializar as principais características físicas dos seus atletas.

Quando devem ser realizadas as Avaliações Físicas no Futebol?

Como citamos no texto, o início da pré-temporada é, tradicionalmente, marcado pela realização das Avaliações Físicas no Futebol. Onde os dados obtidos mostrarão o estado de forma da equipe, norteando assim o caminho a seguir do ponto de vista físico. Mas, uma vez que os dados sejam interpretados e a pré-temporada seja desenhada, quando devemos voltar a aplicar as Avaliações Físicas para continuar norteando o trabalho físico?

Para responder a essa questão, é necessário que cada preparador físico entenda o contexto em que se encontra. Isso porque quando falamos de categorias de base, a resposta provavelmente será uma e quando falamos de futebol profissional a resposta, provavelmente, será outra.

Nas categorias de base, onde o calendário de jogos é menos denso, talvez seja possível estabelecer datas para a realização de novas Avaliações Físicas, a fim de ter um acompanhamento da evolução física coletiva e individual da equipe. Por outro lado, no futebol profissional, esses períodos para reavaliação do grupo de atletas são mais difíceis de serem cumpridos. Além do calendário de jogos muito denso (pensando em um clube de Série A), existem outros fatores que pautam a realização ou não desses períodos de reavaliação física, que são, por exemplo, os resultados de campo.

Assim, não existe um período exato para a reavaliação física dos atletas, porém os períodos geralmente oscilam entre 8 e 12 semanas para testes físicos de campo e 30 dias para avaliações antropométricas.

O que se avalia no futebol?

Essa talvez seja a pergunta mais importante que deverá ser respondida antes de realizar as Avaliações Físicas no Futebol. Pois se criarmos um programa de avaliações sem entender o que iremos avaliar, apenas com o intuito de coletar dados, não fará o menor sentido realizá-las, porque simplesmente estaremos perdendo um precioso tempo de treinamento.

Cada teste selecionado para as avaliações físicas, deverá ter um porquê e um para quê. O dado obtido deverá ter um significado para o preparador físico e ser interpretado com o propósito de estabelecer um critério de referência na hora de prescrever os treinamentos.

Outro ponto muito importante na hora de decidir o que será avaliado, é que o preparador físico entenda o contexto onde o seu clube está inserido e as condições estruturais e humanas disponíveis nesse contexto. Ou seja, não deveremos aplicar testes para os quais não dispomos do material necessário para realizá-los, pois ferramentas improvisadas irão gerar dados de pouca fiabilidade. E, se não haver profissionais qualificados para interpretar os dados obtidos, esses resultados terão pouca ou nenhuma relevância dentro desse contexto.

Assim, antes de iniciar a aplicação de um programa de Avaliações Físicas no Futebol é necessário responder algumas questões como: quais as ferramentas que o clube oferece? Qual a formação e capacitação dos profissionais para interpretarem os dados obtidos? E o que farei com os resultados? Se conseguirmos esquematizar um programa respondendo a essas três perguntas, com certeza a possibilidade de estabelecer critérios para desenhar sessões de treinamentos mais ajustadas às necessidades da equipe e de cada atleta, será muito maior.

Quais testes físicos selecionar nas avaliações?

Conforme dito anteriormente, a seleção dos testes dependerá de alguns fatores. Com isso, a seguir destacaremos os principais testes utilizados em programas de Avaliações Físicas no Futebol, sem entrar no mérito se são úteis ou não, pois isso será estabelecido por cada preparador físico de acordo com as suas necessidades e a realidade do seu clube.

Testes Físicos no Futebol

1) Yo-Yo Test – Consiste em correr 40 metros (20 metros ida e 20 metros volta) em velocidades crescentes intercalando com pequenas pausas. Teste para avaliar a potência aeróbica.

2) Tapete de contato – chamado de ergo-jump, está constituído por um tapete com sensores de pressão conectados a um processador, que possui um programa informático que permite calcular a altura do salto, sendo que os saltos mais comumente avaliados são o Squat Jump e o Counter Movement Jump. Testes para avaliar a força explosiva e/ou potência.

3) Teste de velocidade 10, 20, 30 e 40 metros – Pode ser realizada com ou sem mudança de direção, sendo comumente utilizada em linha reta. Marca o tempo que o jogador leva para completar a prova e, assim, determinar quem é o mais veloz.

4) Teste de Agilidade – Existem vários testes, onde um dos mais comuns é o teste de Illinois, usado para determinar a capacidade de acelerar, desacelerar e mudar de direção em diferentes ângulos.

5) Rast test – Consiste em realizar 6 corridas máximas de 35 metros separados por intervalos de 10 segundos, sendo uma boa ferramenta para avaliar a potência anaeróbica.

6) Avaliação Antropométrica – Medição simples, barata e não invasiva que auxilia na avaliação do estado nutricional do jogador, sendo a técnica mais utilizada a de dobras cutâneas que serve para medir a gordura subcutânea.

7) Teste Isocinético – Máquina onde o indivíduo realiza um esforço muscular máximo ou submáximo que se acomoda à resistência do aparelho. A principal característica é a de possuir velocidade angular constante, permitindo realizar movimento na sua amplitude articular, servindo para identificar desequilíbrios musculares, mas devido ao seu alto custo, para muitos clubes, não é viável.

8) Teste FMS – Bateria de testes baseada na competência durante o movimento ativo, fornecendo uma medida clinicamente interpretável da “qualidade do movimento”. Serve para encontrar limitações e/ou assimetrias musculares, sendo uma opção mais em conta para clubes com recursos limitados.

9) 30-15 IFT – É um teste intermitente, onde os atletas correm 30 segundos e recuperam durante 15 segundos. Projetado para obter frequência cardíaca e VO2 máximos, mas também fornece medidas de reserva de velocidade anaeróbica, capacidade de recuperação entre esforços, aceleração, desaceleração e habilidades de mudança de direção.

Link de testes na seleção brasileira.

O que aprendemos sobre as Avaliações Físicas?

Em resumo, o que podemos perceber sobre as Avaliações Físicas no Futebol é que não existe certo ou errado em relação aos testes físicos que deverão ser escolhidos. É necessário ter clareza sobre o que se quer avaliar, quais os testes que se adaptam ao contexto estrutural e humano onde estou inserido, e como serão interpretados e aplicados os dados coletados.

Por fim, vale destacar que todos os testes escolhidos deverão ser aplicados, de preferência, sempre no mesmo local e sob as mesmas condições, ou seja, obedecendo sempre a um mesmo padrão. Isso fará com que os resultados sejam mais fidedignos e com maior fiabilidade, para que assim possam ser realizadas comparações entre os diferentes períodos das avaliações físicas.

Contato do autor:
Instagram @pf_ricardosa
E-mail: ricardosa2506@gmail.com

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Lesões no futebol: uma visão psicofisiológica

O futebol é um esporte de contato, o qual exige dos atletas uma alta demanda física durante toda a temporada competitiva. Assim, a ocorrência de lesões no futebol é inevitável. Nesse texto abordaremos as lesões como um todo e, além disso, trataremos dos aspectos psicofisiológicos dessas lesões.

Mas, o que é Lesão?

Atualmente existem diversas definições de lesões no futebol, como exemplo, citaremos o trabalho do pesquisador Gonçalves, da Universidade do Porto. Gonçalves diz que a “lesão do futebolista será todo tipo de dano físico observado ao longo de uma época desportiva e ocorrido numa situação de treino ou competição”.

Para complementar, a partir de uma perspectiva da Psicologia do Esporte, a lesão é definida como trauma corporal que resulta no mínimo em uma incapacidade física e uma inibição temporária da função motora. Desse modo, a lesão é percebida como multifacetada e está intimamente ligada à dor.

Quais as principais lesões no futebol e suas causas?

Apesar de haver divergências no quesito definição e classificação, há um consenso na literatura sobre os tipos de lesões mais comuns no meio do futebol, as quais podemos conferir no quadro abaixo.

Adaptada do artigo Exposure and injury risk in Swedish elite football:a comparison between seasons 1982 and 2001

Nesse sentido, podemos constatar que lesões ligamentares e musculares são as que mais afetam atletas de futebol, seguidas de problemas em tendões e ossos. Além disso, foi constatado que o joelho e a coxa seriam as regiões com maior incidência de lesões por parte dos futebolistas.

Outro fator relevante sobre a ocorrência de lesões remete a como elas ocorrem. Estudos verificaram que a maioria das lesões são induzidas por contato entre atletas. No entanto, de maneira geral, estas lesões apresentam uma magnitude menor quando comparadas com as lesões ocorridas sem a presença de contato externo. Isso nos leva a pensar que, por muitas vezes, os atletas não estão aptos a suportar as demandas do jogo ou não obtiveram tempo necessário de recuperação entre jogos/competições.

Outros fatores que podem estar ligados às lesões no futebol

Embora a maior parte das lesões tenha uma origem física, há outros fatores que influenciam não somente o motivo das lesões, mas também o quão rápido os atletas poderão se recuperar. Por exemplo, fatores sociais, psicológicos e de personalidade contribuem para o aparecimento ou agravamentos de lesões.

Dentre os fatores citados, existem aspectos mais implícitos e outros mais explícitos no ambiente competitivo. Existe uma tendência em valorizar atletas que atuam “no sacrifício”, ou seja, que joguem sentindo dor ou lesionados. Isso é uma questão sociocultural que influencia nas decisões de atletas e treinadores. Similarmente, fatores psicológicos têm importância à medida que um atleta apresenta níveis de ansiedade e estresse que interferem na performance.

Ainda nesse sentido, fatores de personalidade influenciam à medida que cada atleta apresenta traços de ansiedade elevados ou baixa capacidade de enfrentamento em determinadas situações. Por exemplo, uma situação percebida como ameaçadora aumenta o estado ansioso, causando diversas mudanças na atenção e na tensão muscular (como distração e contração). Isso, por sua vez, aumenta a chance de lesão.

Ainda relativo aos fatores psicológicos, o aspecto emocional contribui à proporção que a tomada de decisão fica prejudicada. Dessa forma, com pequenos déficits no aspecto cognitivo, os gestos técnicos podem ficar prejudicados, podendo ter lances que causem lesões em jogos ou treinos.

Questões pessoais são, em geral, as principais causas dos problemas de ordem emocional de jogadores de futebol. Antes de serem atletas de alta performance, eles são pessoas comuns (pais, filhos, maridos, etc). Nesse sentido, todas essas questões contextualizadas permitem compreender de maneira mais ampla o problema relativo às lesões e recuperação.

Prevenção de lesões

Agora que já sabemos quais as principais lesões no futebol e quais os aspectos psicofisiológicos que podem causá-las ou retardar a volta do atleta, focaremos na prevenção e recuperação do jogador de futebol.

Nesse sentido, do ponto de vista físico, podemos pensar que prevenção de lesões e promoção de performance andam lado a lado e, desse modo, facilitam a compreensão de como os preparadores físicos podem promover o trabalho de prevenção de lesões.

Considerando que desequilíbrios musculares estão associados às lesões, citaremos a força como uma capacidade a ser trabalhada. Visto que, um atleta mais forte, além de ter maior probabilidade de obter grande desempenho, está menos propenso a lesão.

Além das capacidades físicas como a força, flexibilidade e condicionamento cardiovascular, as alterações anatômicas e de morfologia corporal também colocam o atleta em um grupo de risco e devem ser corrigidas.

Normalmente as capacidades envolvidas para a correção destes pontos envolvem:

  • Fortalecimento do core;
  • Fortalecimento excêntrico dos músculos da coxa;
  • Treinamento proprioceptivo;
  • Estabilização dinâmica;
  • Mobilidade articular;
  • Promoção da potencialização elástica, mecânica e reflexa ou ciclo de alongamento-encurtamento muscular.

Do ponto de vista psicológico, uma maneira de prevenir as lesões é manter a rotina de treinamento de habilidades psicológicas em dia. Em outras palavras, estar emocionalmente bem preparado e com saúde mental é a melhor forma de prevenir o aparecimento e/ou agravamento de lesões influenciadas pelo aspecto psicológico.

De forma análoga ao treinamento físico, a sobrecarga cognitiva deve ser considerada, já que a capacidade de tomada de decisão começa a reduzir com a fadiga mental. Portanto, é importante gerenciar treinamentos mais complexos e treinamentos de menor complexidade, a fim de fornecer uma forma de “descanso cognitivo” aos atletas.

Recuperação de lesões no futebol

Respostas dos atletas às lesões

O aspecto psicológico da recuperação é fundamental no que diz respeito às lesões no futebol. Tendo em vista que no esporte em geral as lesões podem findar as carreiras dos atletas, a lesão pode ter um peso enorme para cada pessoa. Didaticamente se dividem em 3 as respostas emocionais mais comuns às lesões:

  • 1 Processamento de informações relevantes à lesão: primeiramente, o atleta lesionado concentra-se em informações relacionadas a dor, à consciência da extensão da lesão e indaga como ela ocorreu, além de reconhecer as consequências negativas ou a inconveniência.
  • 2 – Revolta emocional e comportamento reativo: num segundo momento, quando o atleta percebe que está lesionado, pode se tornar emocionalmente agitado, experimentar emoções oscilantes, sentir-se emocionalmente esgotado, ficar em isolamento, sentir-se em choque, desacreditado, em negação ou ter autocompaixão.
  • 3 – Perspectiva e enfrentamento positivos: por último, o atleta aceita a lesão e lida com ela, iniciando os esforços de enfrentamento positivos, exibindo uma boa atitude e otimismo, ficando aliviado ao perceber o progresso.

Fases da lesão

Outra maneira didática de trabalhar a recuperação de lesões é a divisão da recuperação entre três fases descritas pelos pesquisadores Bianco, Malo e Orlick:

  • Fase aguda da lesão;
  • Fase de reabilitação e recuperação;
  • Fase de retorno à atividade total.

Para cada fase dessa existe uma estratégia de intervenção.

Para a fase aguda é necessário ajudar o atleta a lidar com as respostas emocionais que acompanham o aparecimento de lesão. Logo depois, na fase de reabilitação, ajudar o atleta a manter a motivação e a adesão aos protocolos de reabilitação. Finalmente, a fase de retorno à atividade total, na qual a recuperação só está completa quando o atleta consegue voltar ao seu funcionamento normal no esporte.

Nessas intervenções existem métodos e técnicas que contribuem para uma recuperação mais rápida dos atletas, como a mentalização. Entretanto, é importante ressaltar que cada aspecto da recuperação funciona melhor dentro de um planejamento transdisciplinar.

Por isso, além dos aspectos psicológicos, o conhecimento das demandas físicas e fisiológicas do jogo são de suma importância para o processo de reabilitação do jogador. Pois, submetendo o atleta a um programa de recuperação que contemple tais demandas de forma mais especifica, poderá fazer com que este futebolista regresse aos treinamentos já em melhores condições.

Outras formas de recuperação de lesões musculares

Portanto, alguns autores apresentam programas de reabilitação pós lesão pautadas principalmente acerca da lesão muscular. Em suma, os processos se dividem da seguinte maneira:

  • Imobilização da área afetada o mais rápido possível;
  • Exercícios estáticos (isométricos);
  • Exercícios concêntricos com baixo grau de resistência e velocidade;
  • Exercícios concêntricos com maior grau de resistência e velocidade;
  • Trabalho de força.

No entanto, os programas se diferem no que diz respeito à especificidade dos exercícios propostos. Gestos motores como passe, domínio, condução de bola e chute em alguns protocolos são deixados para uma fase posterior, já em outros, são incluídos dentro do processo de recuperação.

O que entendemos sobre as lesões no futebol?

As lesões no futebol apresentam nuances que, por vezes, não são percebidas com facilidade. Portanto, compreender esse fenômeno como complexo e multifatorial é o primeiro passo para uma boa análise. Uma avaliação psicofisológica é uma proposta de entendimento para melhorar a prevenção e tratamento de lesões.

A prevalência de transtornos psicológicos no futebol é maior que na população geral e, em grande, parte deriva do constante estresse ao qual os jogadores são expostos. Dentro dessa lógica, a depressão é um dos mais comuns e está constantemente ligada às lesões. Um exemplo famoso é o do ex-jogador e hoje comentarista Pedrinho, que teve quadro de depressão e viveu atormentado por lesões em sua carreira.

Referências:

Role of sports psychology and sports nutrition in return to play from musculoskeletal injuries in professional soccer: an interdisciplinary approach;

Lesões musculares no Futebol

Futebol: Ciência aplicada ao jogo e ao treinamento.

Contatos dos autores:

Matheus Padilha matheuspadilhaar@gmail.com – @28padilha

Felipe Endrigo – endrigof1@gmail.com – @ endrigo_f

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto: