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Como fazer uma análise tática do adversário no Futsal

Devo lembrar a você leitor que recentemente publicamos um texto aqui no blog sobre futebol denominado: como criar um relatório de análise tática do adversário. Portanto, hoje vamos falar sobre como realizamos uma análise tática do adversário no Futsal?

Análise tática do adversário no futsal

Primeiramente, podemos dizer que sim, o exemplo de relatório do texto citado pode ser considerado para o Futsal. Contudo, devemos nos atentar às especificidades do Futsal perante o Futebol.

Dessa maneira, recomendamos vivamente a leitura do texto: quais as principais diferenças técnicas entre o Futsal e Futebol. Desse modo, acreditamos que a compreensão do conteúdo citado poderá auxiliar na adaptação na construção do relatório de análise tática do adversário.

Do mesmo modo, o livro de Rui Rodrigues denominado “Treinar Futsal” propõe algumas perguntas para cada fase do jogo (defesa e ataque) de modo a contemplar uma ficha de análise tática do adversário no futsal.

Ataque

Neste sentido, separamos alguns tópicos que devemos prestar atenção ao analisar o jogo no fase de ataque.

  • O adversário joga organizado, faz leitura de jogo?
  • O adversário prefere o ataque rápido ou pausado?
  • Qual a zona da quadra preferida para o adversário atacar / por onde ataca mais?
  • Jogam em contra-ataque? Quando? Qual tipo?
  • O que há de melhor no ataque adversário?
  • O que há de pior no ataque adversário?
  • Contra qual defesa o ataque é mais eficiente?
  • Qual o jogador municiador e organizador do ataque?
  • Quem toma a responsabilidade na finalização ou concretização da ação de ataque?
  • Que tipo de defesa pode ser eficaz contra este adversário?

Defesa

Portanto, aqui, separamos alguns tópicos que devemos prestar atenção ao analisar o jogo no fase de defesa.

  • Quais os sistemas defensivos que a equipe aplica?
  • Qual a melhor defesa e qual a defesa que joga mais tempo?
  • Qual a pressão na bola e onde começa a pressão?
  • Quais linhas de passe o adversário tenta fechar?
  • A equipe joga em pressão? Qual tipo de pressão?
  • Qual a qualidade da transição defensiva?
  • O que há de melhor na defesa do adversário?
  • O que é pior na defesa do adversário?
  • Há jogadores lentos na defesa?
  • Qual ataque será eficiente contra eles?

Textos complementares para análise tática no futsal

Além disso, é importante destacarmos outras produções sobre análises de desempenho e tática presentes aqui no blog:

Assim, os textos mencionados nos dão uma excelente base para introduzir conceitualmente o papel do analista de desempenho de uma equipe. Portanto, considerando as devidas especificidades entre os esportes, o conteúdo exposto é de suma importância para quem se interessa pela área de análise de desempenho no Futsal.

Por fim, destacamos que em diversas competições, tanto profissionais como amadoras, o nível dos atletas se assemelham. Desse modo, qualquer informação extra dos adversários é de grande valia para uma equipe bem organizada. Além disso, destacamos a importância do analista de desempenho neste contexto, dado que um modelo de relatório de análise tática bem organizado pode influenciar positivamente nas pretensões da equipe para a temporada.

Contatos do autor:
E-mail: tassiosardinha@gmail.com
Instagram: @tsardinha1

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Como criar um relatório de análise tática do adversário

O que é um relatório de análise tática do adversário no futebol?

De antemão, para aqueles que não sabem, o relatório de análise tática do adversário é normalmente criado pelo analista de desempenho. Assim, ele coloca algumas características do adversário que acha pertinente. Posteriormente, esse relatório será entregue para o técnico, o qual começará a pensar nas estratégias que deve adotar para vencer o próximo confronto.

Esse relatório, normalmente, possui um padrão. Nele é colocado, por exemplo, a escalação do adversário, como ele se organiza ofensivamente e defensivamente, como faz as transições ofensivas e defensivas, além das bolas paradas, facilitando o trabalho da comissão técnica, a qual conhecerá melhor o próximo adversário.

Pontos essenciais em um relatório de análise tática do adversário

Escalação do adversário

Primeiramente, é interessante começar o relatório com a escalação do adversário. Faça a apresentação em forma de campo e com a foto de cada jogador. Dessa forma, a visualização fica facilitada e os atletas já começam a observar quais adversários cairão na sua zona do campo.

Além do campo com a foto dos jogadores, você pode colocar outras informações, por exemplo: quais jogadores mais são substituídos, quais tem mais probabilidade de entrar, número do jogador, altura, pé dominante, etc… Isso ajudará os atletas a gravar algumas características dos seus oponentes diretos no campo.

Exemplo de escalação apresentada em um relatório. Fonte: criado pelo autor.

Organização Ofensiva

Doravante, serão citados os momentos e fases do jogo de futebol e o que podemos identificar em cada um deles. Pois bem, caso ainda não tenha conhecimento sobre cada um deles, aconselhamos a leitura deste texto.

Nesse momento o relatório começa a se encaminhar para como a equipe pratica o futebol. Desse modo, nesse tópico é interessante colocarmos as maneiras que o adversário constrói seus ataques. Para facilitar a compreensão, podemos dividir essa parte em 3 itens:

  • Saída de bola ou 1º terço;
  • Fase de construção ou 2º terço;
  • Fase de criação e finalização ou 3º terço.

É de suma importância, em cada subdivisão do relatório a partir de agora, destacarmos qual o jogador principal naquele momento ou fase. Dessa forma, prendemos a atenção tanto da comissão técnica quanto dos jogadores para aquilo e/ou aquele que realmente é um diferencial.

Além disso, seu relatório de análise tática do adversário no futebol deve ser de fácil entendimento, em outras palavras, não polua demais os slides/PDF’s, coloque imagens claras e textos diretos e simples. Isso fará com que todos compreendam o que você quer passar.

Transição Defensiva

Aqui exploraremos como a equipe se porta após perder a bola. Iremos identificar se o adversário opta por pressionar a bola após perdê-la, com quantos jogadores faz isso, em quais regiões mais consegue roubá-la, ou se prefere recuar os jogadores a fim de se organizar defensivamente, etc. Identifique se há gatilhos de pressão e quais os atletas são importantes neste momento.

Organização Defensiva

Neste tópico iremos analisar como a equipe adversário se organiza defensivamente.

Antes de mais nada, podemos colocar informações como: qual o esquema de jogo mais utilizado e suas variações, onde mais recuperam bola, para qual região do campo o adversário gosta de lhe atrair, entre outras. De modo a facilitar o entendimento, podemos dividir este tópico em outros 3 itens:

  • Pressão na saída de bola;
  • Linha média;
  • Bloco baixo.

Em síntese, podemos dar mais detalhes da organização defensiva em cada um desses 3 “submomentos”.

Transição Ofensiva

Este é o último tópico de análise do adversário com bola rolando. Podemos verificar quais os mecanismos que o adversário usa para transitar em campo após recuperar a bola, por exemplo: ele retira a bola da pressão ou busca progredir em campo no local que recuperou a bola? Há variação de corredor? Qual é o jogador chave para este momento? Há muitas outras perguntas quem podem ser respondidas, de modo a achar soluções para o jogo. Enfim, use sua criatividade para achar detalhes que façam a diferença para sua equipe.

Bola parada Ofensiva

Podemos listar algumas bolas paradas ofensivas do adversário, como:

  • Escanteio;
  • Tiro de meta;
  • Pênalti;
  • Laterais
  • Faltas laterais;
  • Faltas frontais.

Assim, verifique os padrões de cobranças e quais são mais eficazes por parte do adversário. Identifique também quem são os cobradores e quem é o maior perigo na bola aérea.

Bola parada defensiva

Posteriormente, após vermos como o adversário ataca nas bolas paradas, iremos colocar no relatório como ele se defende delas. Podemos utilizar a mesma listagem acima. Então, é interessante vermos o estilo de marcação que usam nelas, sendo elas:

  • Por zona;
  • Individual;
  • Misto.

Em suma, podemos ver quais os pontos frágeis da defesa e tentar nos aproveitar deles.

Estatística no relatório

Juntamente às informações do adversário que foram colocadas no relatório, é interessante adicionar algumas estatísticas, para validar aquilo que você quis mostrar. No entanto, a estatística por si só, colocada de maneira solta, pode confundir os atletas e comissão técnica e, muitas vezes, ela não dirá nada de importante. Isto é, é fundamental que você dê sentido a ela, faça-a ter valor. Afinal, como diz Albert Einstein: “nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado.”

Portanto, depois de tudo que vimos no texto até agora, sabemos que o relatório do adversário no futebol é essencial para a comissão técnica e jogadores se prepararem de forma rápida para o próximo confronto. Além da velocidade na entrega da informação, o relatório traz pontos chaves do adversário, isto é, mostra pontos fortes e fracos de quem enfrentaremos.

Lembrando que este é só um exemplo de relatório de análise tática do adversário no futebol. Bem como, existem outras formas de fazê-lo. Poratnto, você pode usar este modelo e adequar a sua realidade, vendo o que é mais eficaz para o seu time.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Modelo de Jogo no Futebol: o que é e para que serve?

Este texto abordará o que é modelo de jogo no futebol e complementa a publicação sobre periodização tática, feita anteriormente. Aliás, se você quiser saber mais sobre o assunto, também publicamos um texto que apresenta a importância dos fractais na periodização tática. Assim, a primeira questão que o treinador precisa desenvolver para iniciar a Periodização Tática é a criação de um Modelo de Jogo no futebol. Esse modelo norteará os treinamentos e a competição.

O que é Modelo de Jogo no futebol?

Fonte: criado pelo autor.

Primeiramente, citaremos o entendimento do próprio Prof. Vitor Frade acerca do assunto, em entrevista:

“Portanto, para mim, modelo é o que existe em termos estruturais e funcionais, que proporciona que regularmente uma equipa se identifique como equipa. Que mesmo quando você mete umas camisolas da cor “do burro quando foge” ao ela estar a jogar mal você diz: “Não, este é o Barcelona”. O modelo é este lado, esta evidência empírica.”

O Modelo de Jogo no futebol, em síntese, é a “descrição do jogar” da equipe. Ou seja, está no imaginário do técnico. Portanto, será a maneira como ele idealiza que os jogadores desta equipe se comportem em cada momento do jogo, como interajam entre si para solucionar os problemas que aparecem durante a partida, etc.

Modelo de jogo ideal vs concepção de jogo.

O Modelo de Jogo, também chamado de Modelo de Jogo Ideal, será o norteador da equipe nos treinos e competições. Segundo o livro de Israel Teoldo, se o futebol se joga por conceitos, é o modelo de jogo que dá ou retira significados a esses conceitos, que os agrega ou separa.

Assim como vimos acima, o Modelo está presente na cabeça do treinador, tendo, a sua disposição, um cenário perfeito, com os melhores jogadores do mundo, semanas inteiras para treinar, condições ótimas de treinamento, etc. Porém, isso nunca será possível. Dessa forma, a Concepção de Jogo ou Modelo de Jogo Adaptado será a forma como o técnico prevê que a equipe jogue, mas considerando os itens a seguir:

  • Característica dos jogadores;
  • Cultura do clube;
  • Cultura da região;
  • Estrutura do clube;
  • Pretensões do clube nas competições que há de disputar;
  • Ideia de jogo do treinador.

Portanto, após o técnico ter criado um estilo de jogo “perfeito” (Modelo de Jogo), ele irá adequá-lo às condições citadas acima (Concepção de Jogo). Segundo Israel Teoldo, a concepção de jogo é influenciada pelo modelo de jogo ideal e, simultaneamente, condicionada por vários constrangimentos.

Mas, por que “modelar o jogo”?

Ora, já sabemos acerca da complexidade do jogo de Futebol e que, como tal, precisa ser tratado com olhares sistêmicos. Então, partindo disso, como criamos parâmetros para que os jogadores compreendam o jogar a que se pretende e consigam sintonia coletiva? Para responder, vamos nos aproveitar do trecho de Lê Moigne citado em “Abordagem sistêmica do jogo de futebol: moda ou necessidade?”: 

“Se pretendemos construir a inteligibilidade de um sistema complexo, devemos modelá-lo.” Ou seja, precisamos criar modelos que possam ser compreendidos pelos jogadores, de modo que eles reproduzam determinados padrões no jogo.

As duas características principais ao modelá-lo são:

Unicidade

Não existe um modelo genérico, pois o jogo é complexo e há todo um contexto, também complexo, ao seu entorno. Portanto, cada modelo é único, sem a possível aplicação do mesmo em diferentes locais e momentos. 

Pense com você mesmo: sempre teremos à disposição a mesma estrutura, os mesmos jogadores e objetivos iguais? Todos os clubes e cidades possuem a mesma cultura? Bom, assim você consegue entender a tal da unicidade que citamos. Aliás, nem no mesmo clube, na mesma temporada, mas em alturas diferentes desta, teremos sucesso com um mesmo modelo, mas esse é um assunto para o próximo tópico.

Sem fim em si mesmo

Primeiro, há o costume de se falar que um modelo não tem fim em si mesmo. Mas o que isso quer dizer? Significa que não é fechado, sendo suscetível a otimizações e adaptações. E tudo isso se deve a influência do tempo, já que, por exemplo, as pretensões do clube podem variar ao longo da competição, assim como nem sempre todos os jogadores estarão disponíveis. Além desses fatores também existe a busca constante pelo melhor “ajuste” possível (otimização). 

Cabe aqui citar outro trecho da entrevista do Prof. Vitor Frade: “o modelo é qualquer coisa que não existe em lado nenhum, todavia eu procuro encontrá-lo”.

Enfim, não existe um molde genérico, um modelo aplicável em diferentes contextos e cenários, afinal, falamos de um jogo complexo sob a influência do tempo.

O modelo de jogo na Periodização Tática

A tática, representada pelo Modelo de Jogo, é tida como uma “supradimensão” da Periodização Tática. Mas o que isso quer dizer? Ora, que as demais dimensões (técnica, física e mental/psicológica) são levadas de arraste ao se treinar a dimensão tática. Ou seja, quando treinamos o jogar, tomando em consideração o que queremos propor como Modelo de Jogo, acabamos também treinando indiretamente as demais vertentes. 

Da mesma forma que o citado antes, Mourinho, no livro Porquê de tantas vitórias, deixa isso claro ao mencionar que sua preocupação desde o primeiro dia de treinamento é fazer com que a equipe possua um conjunto de princípios que deem organização a ela (equipe), e as preocupações técnicas, físicas e psicológicas surgem por arrastamento.

Contato dos autores:

Chrístopher Kilpp Suhre
Instagram: @Christopher_Suhre

Roberto Augusto Lazzarotto Pereira
Instagram: @ralazzarottop

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Quais as diferenças entre Técnica e Tática no Futebol?

O futebol é um esporte coletivo que exige uma série de habilidades e competências dos jogadores. Dentre essas, a técnica e a tática são fundamentais para o sucesso de uma equipe. Mas existe diferenças entre técnica e tática?

Dessa maneira, de forma simples, podemos definir a técnica como a capacidade do jogador em realizar movimentos com precisão e eficiência. São as ações motoras do atleta. Já a tática é a execução das ações de jogo, visando alcançar um objetivo, gerindo o espaço e o tempo naquela situação em campo.

O Que é Técnica no Futebol?

A técnica no futebol se refere à habilidade individual de um jogador em lidar com a bola. Ela abrange uma ampla variedade de aspectos, incluindo dribles, passes, chutes, domínio de bola e controle. A técnica é a base sobre a qual o jogo é construído, pois cada jogador deve ser capaz de realizar essas habilidades de forma consistente e precisa.

Confira algumas das principais técnicas utilizadas no Futebol:

Domínio de Bola

O domínio de bola é uma parte essencial da técnica no futebol. Envolve a capacidade de receber e controlar a bola com os pés, coxas, peito e cabeça. Jogadores com excelente domínio de bola são capazes de parar a bola instantaneamente, independentemente da velocidade ou direção do passe. Isso lhes dá uma vantagem significativa em situações de jogo.

Dribles

Os dribles envolvem um jogador em posse da bola precise passar habilmente pelos adversários. Dribles eficazes requerem controle de bola excepcional, velocidade, agilidade e um toque suave.

Chutes

Os chutes são um dos aspectos essenciais da técnica no futebol. Um jogador precisa ser capaz de chutar a bola com precisão tanto em curta quanto em longa distância, e em bolas paradas como cobranças de falta e penalidades. A técnica de chutar envolve o uso adequado do pé, incluindo o pé dominante e o pé mais fraco.

Passes

Passar a bola com precisão é uma das habilidades mais importantes no futebol. Um jogador deve ser capaz de entregar a bola a um companheiro de equipe no momento certo e no local certo. Isso envolve a técnica de pé interno, pé externo e outros tipos de passes.

O que é Tática no Futebol?

A princípio, a tática no futebol pode ser entendida de forma simples é a gestão do espaço de jogo. Ela pode ser dividida em dois grandes grupos:

  • Tática ofensiva: refere-se às ações da equipe com a posse de bola, como construção de jogadas, finalização, etc.
  • Tática defensiva: refere-se às ações da equipe sem a posse de bola, como marcação, recomposição, etc.

Além disso, vários estudos sobre os princípios táticos existem no futebol atualmente. Como sugestão, o Glossário da CBF traz conceitos evidenciados e detalhadamente pela literatura científica, abordando tanto a técnica quanto os aspectos táticos.

Resumidamente, destacamos aqui abaixo alguns dos aspectos presentes dentre da tática no futebol:

Tipos de Marcação

A marcação é uma prática defensiva, no qual tem o objetivo de seguir de perto os jogadores adversários para impedir que recebam a bola ou criem oportunidades. Ela pode envolver tipos de marcação pressão, quanto os jogadores de defesa buscar roubar a bola dos atacantes no campo todo; Ela ainda pode ser individual, coletiva e mista, sempre tendo como referência a recuperação da bola.

Movimentos Coordenados Ofensivos

Movimentos coordenados são parte integrante da tática no futebol. Isso inclui corridas, passes em profundidade, deslocamentos e trocas de posição entre os jogadores. Esses movimentos são projetados para criar espaço, confundir a defesa adversária e criar oportunidades de gol.

Transições

Outro aspecto crucial da tática é a capacidade de realizar transições rápidas entre defesa e ataque. As equipes de sucesso muitas vezes são capazes de recuperar a posse de bola e rapidamente passar para o ataque, pegando a defesa adversária desorganizada.

Além do mais, uma das das principais manifestações estruturais de tática no futebol é a formação tática da equipe. Isso determina como os jogadores se posicionam em campo e como eles interagem entre si. Formações populares incluem o 4-4-2, o 4-3-3 e o 3-5-2, cada um com suas próprias vantagens e desvantagens.

Entretanto, vale destacar as diferenças entre sistemas e esquemas táticos, que embora façam parte da tática, eles representam conceitos estruturais e não devem ser sinônimos de tática, como erroneamente vemos em alguns locais.

A relação entre Técnica e Tática no Futebol

É importante entender que a técnica e a tática no futebol não são conceitos isolados. Na verdade, eles estão intrinsecamente interligados e se complementam. Uma equipe com jogadores tecnicamente bons tem mais recursos para executar táticas complexas.

Desse modo, podemos dizer que técnica e tática são conceitos complementares no futebol, como duas faces da mesma moeda. A técnica é a base para a tática, pois é necessária para que o jogador possa executar as ações táticas. Já a tática, pode ajudar o jogador a aprimorar sua técnica. A exemplo, um jogador que treina passes e dribles em um contexto tático, terá mais chances de melhorar essas habilidades.

Por outro lado, a tática pode potencializar as habilidades técnicas de um jogador. Uma equipe bem organizada cria espaços e oportunidades para que os jogadores usem suas habilidades técnicas com eficiência.

Para além da técnica e tática no Futebol

No futebol atualmente, a técnica e a tática são cada vez mais importantes. Os jogadores precisam conseguir realizar movimentos complexos e de se adaptar a diferentes situações de jogo. Mas é importante destacar que além dos conceitos básicos de técnica e tática, existem outros aspectos importantes para o futebol.

Dentre esses, destacam-se os aspectos físicos, mentais e psicológicos. Por isso, muitos métodos de treinamento no futebol buscar unir todos os conceitos das vertentes do futebol. A ideia é que a complexidade dos fatores permita o desenvolvimento integral das habilidades dos atletas na especificidade do esporte. Portanto, é crucial saber sobre a importância e relação entre técnica e tática.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Os dados e a análise de desempenho no futebol

O que é e como funciona a análise de desempenho no Futebol? O que faz o analista de desempenho? Como isto surgiu?

O que é análise de desempenho?

A análise de desempenho no futebol é um meio de conhecer melhor seu time e o seu adversário. Mas como fazer isso? Através do recolhimento de informações de treinos e jogos. E como recolho essas informações? Você pode usar softwares de última geração ou o bom e velho papel e caneta.

Falando em papel e caneta, você sabia que foi assim que iniciou a análise dos jogos? A princípio, ela surgiu na década de 50, quando um contador inglês chamado Charles Reep, apaixonado por futebol, decidiu colocar no papel as observações que já fazia sobre o jogo a mais de uma década. Ele verificou, por exemplo, que a maioria das jogadas de gol tinham no máximo 3 passes. Isso levou os clubes a adotarem o que chamamos hoje de jogo com bolas longas, ou seja, poucos passes e muita verticalidade.

Dessa forma, o que Charles Reep observava, atualmente é chamado de dados quantitativos. Existem também as análises qualitativas. Vamos entender o que são e quais suas diferenças?

Dados quantitativos

Quando falamos em dados quantitativos estamos tratando de números, ou seja, tudo aquilo que podemos quantificar, por exemplo: número de passes errados num jogo, quantas finalizações foram em gol e quantas foram para fora, quantas roubadas de bola o time “A” teve, entre outras.

Afinal, você com certeza já conhecia os dados quantitativos, porém pode ter ouvido falar deles como estatísticas ou scout. Pois bem, isso tudo significa a mesma coisa.

Dados qualitativos

Já os dados qualitativos não têm a ver com números, mas sim com observações. Por exemplo: sistema de jogo do adversário é o 1-4-4-2, a forma como eles atacam é através de bolas longas para os atacantes, eles defendem muito bem pelas laterais, entre outras.

Como você pôde perceber, a forma qualitativa não terá uma resposta concreta para todas as perguntas. Ela será subjetiva aos olhos de cada um. Portanto, é importante que o analista saiba o que o técnico quer saber e quais as informações lhes trarão maior vantagem durante uma partida.

Dessa forma tanto as informações quantitativas quanto qualitativas podem ser analisadas de forma direta ou indireta. Mas o que é isso? Direta significa que é feita durante a partida, de forma paralela com o jogo. Já a forma indireta quer dizer que é feita após o jogo, por meio de filmagens.

Funções do analista de desempenho

  • Planejamento de treinos: Sim, ele participa do planejamento, construção; e do treino (mediante filmagem e análise ou auxiliando o treinador no repasse de informações e feedbacks aos atletas);
  • Recolhimento de informações de treinos e jogos: Já imaginou ter que recolher todas as informações que existem dentro de um jogo? Pois é, seria impossível. Por isso você conversará com o técnico anteriormente e definirá o que será colhido de dados naquele momento;
  • Análise: Após recolher as informações é hora de analisá-las;
  • Repassar: Depois de ter analisado tudo é hora de filtrar o que realmente é importante e repassar isso à comissão técnica e jogadores.

Enfim, após transmitir as informações é hora de começar tudo de novo. Planejamento, recolha de dados, análise e repasse da informação. Ou seja, um ciclo que nunca terá fim. Afinal, o trabalho em um time de futebol nunca está completo. Sempre tem algo que o time pode melhorar. E o trabalho do analista é auxiliar nisto da melhor forma.

Análise de desempenho no futebol brasileiro

O analista de desempenho demorou para chegar ao Brasil. Entretanto, hoje ele é peça fundamental em qualquer time de futebol. Os grandes times já possuem uma equipe de análise, visto a quantidade e riqueza de informações que podem ser adquiridas.

Do mesmo modo, quem deseja iniciar nessa função precisa ter muito conhecimento sobre um tema principal: o FUTEBOL. Você deve saber de tática, técnica, momentos do jogo, sistemas utilizados, tomada de decisão, entre outras centenas de aspectos que o jogo possui.

No mundo atual a informação é poder. E no futebol não é diferente. Quem tem mais e melhores informações já sai na frente.

Veja abaixo um episódio em nosso Podcast sobre o assunto:

Contato do autor : @Christopher_Suhre

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Como ser scout de futebol?

O Scouting é uma área em franca ascensão no futebol. E por isso, cada vez há mais interessados em ingressar nesta vertente de observação de jogadores, quer seja para clubes, agências de representação de jogadores ou para empresas prestadoras de outros serviços de observação. Neste texto não passaremos uma “receita” de como ser scout de futebol, visto que ela não existe. No entanto, falaremos o que os empregadores na área do Scouting procuram e valorizam.

O que os clubes e agências procuram num scout de futebol?

Muitas das características que os clubes e agências procuram num scout de futebol são idênticas, quer sejam elas técnicas (ao nível do conhecimento), sociais ou psicológicas.

Algumas das características valorizadas num scout são:

  • Bom conhecimento do jogo e do treino;
  • Boa capacidade de análise individual e coletiva;
  • Formação e capacitação, estando em constante aprendizagem;
  • Proatividade;
  • Ambição e Autocrítica;
  • Pessoas motivadas e resiliente;
  • Capacidade de adaptação;
  • Disponibilidade de tempo;
  • Isento e imparcial;
  • Organizado;
  • Discreto.

Em caso de candidatura espontânea, quem abordar?

Muitas das candidaturas que os clubes e agências recebem são espontâneas, ou seja, não provém de uma oferta de emprego, mas sim de um contato direto com algum responsável da entidade. Então, exploraremos um pouco sobre quem abordar quando você for realizar uma candidatura espontânea.

Em caso de clube:

No caso de um clube, há diversas pessoas que podemos abordar. No sentido de integrar o departamento de Scouting, no entanto, destacaremos duas pessoas mais indicadas para receberem a candidatura.

Chief de scout / Coordenador de scouting

A pessoa mais indicada para abordar sobre a possibilidade de integrar o departamento de Scouting de um clube é o Coordenador de Scouting ou Chefe de Scout, porque ele é o responsável do departamento de observação individual de um clube.

Diretor Esportivo

O diretor esportivo é uma das figuras mais importantes do clube, tanto ao nível da tomada de decisão como de influência ao nível esportivo. Além disso, ele está em contato direto com o coordenador de Scouting do clube, sendo uma das pessoas mais indicadas para abordar o assunto de sua candidatura. Em alguns casos, sobretudo em clubes de divisões mais inferiores, não existe um departamento de Scouting, sendo o diretor esportivo a pessoa que está responsável sobre a matéria do Scouting e análise individual.

Para além destas 2 pessoas acima descritas, o candidato pode contatar outras figuras do clube, por exemplo: presidente, diretor/coordenador técnico ou treinador. Mas, isso dependerá de como o clube está organizado e qual a realidade de cada um.

Em caso de agência de representação:

No caso de uma agência de representação, o candidato deverá buscar outras pessoas para apresentar sua candidatura. À semelhança dos clubes, destacaremos as duas principais figuras que deverão ser abordadas para manifestar seu interesse de trabalho.

CEO/Fundador

Primeiramente falaremos do CEO e/ou fundador, sendo o responsável máximo da agência. Todas ou quase todas as decisões mais importantes passam por ele, incluindo a entrada de um novo membro, seja ele scout de futebol ou agente.

Chefe de scout / Coordenador de Scouting

Assim como nos clubes, nas agências o Chefe de Scout também é o responsável pelo departamento de Scouting de uma agência. Apesar de, normalmente, a entrada de um scout não depender só dele, mas também da decisão do CEO, o Chefe de Scout é, geralmente, uma figura mais acessível de contatar em comparação com o CEO.

Para integrar o departamento de Scouting de uma agência, o candidato também pode contatar outras figuras daquele local, por exemplo, um agente ou scout que seja seu conhecido e já esteja nos quadros da empresa.

Como abordar os empregadores?

Após escrever sobre quem abordar, falaremos sobre outro ponto importante: como abordar os empregadores?

Há diversas formas de contactar os empregadores, sendo que as mais aconselháveis são:

  • E-mail;
  • Contato telefônico (WhatsApp ou ligação);
  • Redes sociais (destacando o LinkedIn).

O que aprendemos sobre o Scout de futebol?

Assim como referido no início do texto, uma grande parte das candidaturas recebidas são de forma espontânea. Sob o mesmo ponto de vista, boa parte das candidaturas espontâneas são aceites ou, caso não sejam aceites de imediato, normalmente os recrutadores (clubes e agências) deixam a candidatura na base de dados, para caso haja alguma necessidade num futuro próximo. Portanto, a candidatura espontânea é uma boa opção para os profissionais que querem entrar no mundo do futebol, mais especificamente do scouting.

Você também pode estudar conosco fazendo parte da nossa Comunidade de estudos:

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Como são as consultorias individuais de Análise tática no Futebol?

O que é consultoria?

Atualmente há um crescimento no setor de análise técnico-tática no futebol que busca olhar cada vez mais para o próprio jogador. Isso ocorre devido a inviabilidade da maioria dos clubes em disponibilizar um profissional para ser responsável por cada um de seus atletas. E esta é a carência que as consultorias táticas individuais buscam explorar, fornecendo análises mais precisas e específicas aos seus clientes.

Durante as consultorias, o jogador é exposto aos seus comportamentos técnico-táticos apresentados na última partida e também às informações pormenorizadas da forma de jogar do próximo adversário. Essa análise acerca do próximo adversário é realizada em 3 diferentes escalas:

  • Coletiva, para que o jogador conheça como a equipe adversária se comporta de forma geral;
  • Grupal, para reconhecer os comportamentos dentro de sua zona de atuação;
  • Individual, com informações sobre seus principais enfrentamentos durante a partida.
Fonte: criado pelo autor

Dito isto, as consultorias buscam gerar reflexões no jogador, através do entendimento de suas ações realizadas de forma positiva, ou onde há a possibilidade de melhora. Essa busca por reflexão fica mais evidente pela abordagem realizada, ao partir do pressuposto que não há verdade absoluta em um esporte tão complexo como o futebol.

Quais abordagens usar na consultoria?

É importante destacar que há diferentes abordagens em uma intervenção na consultoria técnico-tática. Tanto devido à faixa-etária do jogador, como também aos minutos em que esteve em campo. Os jogadores que atuam menos, por exemplo, para além das análises próprias, são expostos a análises de jogadores referência na sua função. Enquanto que os jogadores mais novos recebem material de acordo com sua faixa-etária, sem deixar de lado onde encontram-se em seu desenvolvimento cognitivo.

Cabe destacar que um dos principais objetivos da consultoria é gerar a reflexão nos jogadores acerca de seus comportamentos em campo. Uma vez que a reflexão é considerada uma aprendizagem ativa e responsável por uma das formas mais eficientes de aprender, onde o nível de aprendizagem chega a 70%. Ou seja, muito mais eficaz do que as abordagens que partem de uma imposição de ideais, “únicas e verdadeiras”, sem fomentar a participação do próprio jogador.

As consultorias individuais têm relação com o modelo de jogo da equipe?

É fundamental deixar claro que as consultorias trabalham em conjunto com a comissão técnica. Seu objetivo está na melhora do indivíduo dentro do contexto ao qual está inserido.

Na sequência do texto abordaremos 2 pontos fundamentais para a análise técnico-tática individual: 1) o processo de tomada de decisão; e 2) a busca por otimizar os movimentos.

Afinal, como já mencionado em outros momentos, o futebol é um jogo de gestão de espaço, e por consequência tempo. Então nada mais óbvio que buscar melhor reconhecer esse espaço e como se colocar nele de forma a economizar tempo para obter vantagens sobre o adversário.

Assim, tanto a melhora na tomada de decisão, quanto a otimização dos movimentos, colaboram para que a ação seja realizada em menor tempo.

Como inserir a tomada de decisão na análise técnico-tática?

Na literatura sobre futebol, frequentemente é afirmado que durante os 90 minutos de um jogo, os jogadores que atuam no topo do alto rendimento, tomam cerca de 2.400 decisões. Isto significa que são aproximadamente uma decisão a cada 2,25 segundos. Com base nisso, fica evidente a necessidade de melhorar a capacidade dos jogadores em tomar decisões, não é mesmo?

Então, a partir de um dos modelos do processo de tomada de decisão, o modelo pendular do Prof. Dr. Pablo Juan Greco (imagem abaixo), notamos dois fatores fundamentais para o processo e que são pilares da consultoria: a percepção e o conhecimento tático declarativo.





Fonte: Adaptado de Greco, 2006.

Percepção

Em relação às formas de percepção, a visual assume grande importância, tendo em vista que são representativas na extração de informações do campo de jogo, e que sustentam a tomada de decisão. Portanto, a dimensão visual é fundamental para o rendimento dos jogadores para mapeamento do espaço, as chamadas “quebras de pescoço”, com intuito de retirar informações do ambiente de jogo que se encontram fora de seu campo visual.

Conhecimento declarativo

O conhecimento declarativo, por sua vez, segundo Júlio Garganta, se refere ao “saber o que fazer”, sendo quando, como o próprio nome diz, o jogador é capaz de declarar o conhecimento. Este tipo de conhecimento eleva a qualidade da tomada de decisão dos jogadores, aumentando assim a eficiência de suas decisões.

Logo, é por conta disso que a consultoria busca gerar reflexões no jogador. Este é o objetivo a ser atingido ao partir da não-existência de uma verdade absoluta, instigando o jogador a refletir sobre novas possibilidades de solução, a fim de desenvolver seu pensamento crítico e o conhecimento acerca do jogo. Isto é, desenvolver seu conhecimento tático declarativo.

Como a otimização dos movimentos contribui na análise individual?

Para além do processo de tomada de decisão, busca-se também otimizar os movimentos do jogador. Isto é, fazer com que o atleta realize menos movimentos para atingir seus objetivos, solucionando os vários problemas expostos pelo jogo mais rapidamente.

Dessa forma, vamos analisar 2 dos pontos que auxiliam a otimização dos movimentos: o centro de gravidade e a colocação dos apoios.

Centro de gravidade

A definição que a Prof. Dra. Adriana Marques Toigo traz para o centro de gravidade, em termos biomecânicos, é que ele representa um ponto matematicamente calculado ao redor do qual a massa do corpo está igualmente distribuída em todas as direções.

De forma mais simples e direta, quando um treinador diz para “abaixar o centro de gravidade”, se refere a flexionar os joelhos e inclinar o tronco levemente para frente. Aliás, você provavelmente já ouviu falar que algumas das qualidades do Lionel Messi são devidas ao seu baixo centro de gravidade, não é verdade? Então, em uma análise mais superficial, é possível dizer que sua agilidade para mudar de direção, e a capacidade de se manter em pé mesmo pressionado, são também potencializadas por seu baixo centro de gravidade, neste caso devido à baixa estatura (1,69m).

Portanto, a importância do centro de gravidade consiste em: quando mais baixo, tornar a ação ou reação do jogador mais rápida. Tendo em vista a maior agilidade conquistada ao aumentar o equilíbrio.

Apoios

Para os jogadores de futebol, os apoios são os seus pés, uma vez que os jogadores passam a maior parte do tempo em pé. Desse modo, em relação aos apoios, há vários pontos específicos aos objetivos da ação. Por exemplo, o distanciamento e a colocação dos apoios variam conforme o que se busca naquele momento. Assim, os apoios são específicos para cada situação, seja ofensiva ou defensiva, mas sem se esquecer do quão único é cada momento e da quantidade de formas diferentes para se solucionar cada situação-problema.

Enfim, as consultorias, como mencionado no início do texto, chegam para sanar uma carência. E, se tratando de um esporte em constante evolução, extremamente complexo e tão competitivo como o Futebol, com cada vez menos espaço-tempo para decidir e agir, devem em pouco tempo se estabelecer como uma norma no meio futebolístico.

Links e referências e páginas que fazem análise

Contato do Autor: @ralazzarottop

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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A importância do contexto no Futebol

A importância do contexto no futebol para a não-generalização de metodologias e processos nesse esporte.

Nos últimos anos a palavra contexto vem sendo muito empregada no meio do Futebol, principalmente por aqueles interessados em compreender o jogo e as demais áreas inerentes. Aliás, se você acompanha nossos textos, certamente já deve ter se deparado inúmeras vezes com o termo contexto no futebol.

O que é contexto?

Pois bem, antes de começar, vamos nos atentar ao significado da palavra contexto segundo o dicionário michaelis:

Conjunto de circunstâncias que envolvem um fato e são imprescindíveis para o entendimento deste.

Então, contextualizar significa compreender o fato considerando o seu contexto, ou seja, todo o seu entorno, tudo aquilo que pode interferir neste.

Para compreendermos a importância do contexto, de uma forma bem simples e direta, exemplificaremos com o seguinte cenário:

  • Augusto, aluno do 7° ano, tirou 3,0 pontos na prova de Matemática.

E agora, será que somente com essa informação é possível sabermos se Augusto foi bem ou mal na prova em questão? Sem saber, por exemplo, o valor da prova, fica difícil afirmar o quão bom (ou ruim) foi o desempenho de Augusto. Captou a ideia? Entendeu o quão importante é compreender o contexto?

Visto isso, na sequência do texto apresentaremos alguns dos porquês dessa importância, usando como exemplo o treinamento, a análise do adversário e a captação de jogadores. Que fique claro: não vamos nos aprofundar muito em cada um dos tópicos, pois há vários textos já publicados aqui, os quais citaremos no discorrer, que os apresentam de forma mais profunda e completa.

O contexto do treinamento de futebol

Antes de começarmos este tópico, gostaríamos que você mesmo, após a introdução, buscasse entender o que seria essa contextualização dentro do treinamento, refletindo sobre o assunto. Será que é possível copiar um treinamento e aplicar no seu clube, sem qualquer adaptação?

Primeiramente, em qual clube você se encontra? Quais são os objetivos destes para a categoria no qual trabalha? A preocupação é, caso atue nas categorias de base, em formar jogadores para posterior venda ou para a utilização na equipe principal? Enfim, essas são apenas algumas das várias perguntas que se devem responder para melhor atender as exigências presentes.

Então, após reconhecer as exigências e necessidades do clube, adentramos nos contextos voltados para o treinamento em si. Neste cenário, várias publicações levantam a importância de se treinar, de fato, o jogo. Compreender o jogar desejado pelo treinador, a partir de seu modelo de jogo, e treiná-lo para conseguir executar durante as partidas, é uma das principais contextualizações necessárias. Aliás, falando em modelo de jogo, o mesmo requer adaptações ao contexto, mas, para isso, sugiro que você leia o nosso texto referente ao mesmo.

[…] o treino é que faz o jogo que justifica ou valida o treino

Prof. Dr. Júlio Garganta, citado no livro “Para um Futebol jogado com Idéias”.

Elenco / indivíduos

Outra contextualização é o olhar para o indivíduo. Isso requer um grande conhecimento acerca do elenco, para entendermos as facilidades e dificuldades apresentadas pelos jogadores. Além disso, caso o treino seja para uma categoria dos anos iniciais, cabe se atentar à fase do desenvolvimento cognitivo da faixa-etária, não tornando os treinamentos mais ou menos complexos do que seus jogadores necessitam. 

Para além do mencionado, existe a necessidade de avaliações constantes e de armazenamento destas informações, pois verificar o nível de evolução dos jogadores é fundamental para o ajuste dos treinamentos, buscando sempre potencializar o desenvolvimento destes. Em outras palavras, o contexto exige adequação ao desenvolvimento dos seus jogadores, e, para tanto, existe a necessidade destas avaliações e o armazenamento destas informações para o compreender.

Respondendo à pergunta inicial, cada contexto exige uma abordagem diferente, percebe? Exige inúmeras adaptações. Logo, não existe um treinamento replicável de forma eficiente em diferentes cenários e contextos no futebol, sem a necessidade de adaptações.

A contextualização da análise

“A necessidade de interpretar os dados recolhidos em função das características específicas das partidas, leva os analistas a focalizarem cada vez mais a sua atenção na relevância contextual dos comportamentos dos jogadores, o que conduz ao estudo da organização do jogo de ambas as equipas em confronto”.

Citado na Tese do Prof. Dr. Júlio Garganta.

Análise do adversário

Para não deixarmos o texto muito extenso, apenas considerarei alguns pontos voltados para análise do adversário. Mas fica claro, como já mencionado acima e o que será dito na sequência, que o mesmo se aplica para as outras diferentes vertentes da análise. Dessa forma, a primeira grande contextualização é a respeito da própria análise, onde a busca por entender de fato as ações devem ir além do superficial.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que as ações analisadas devem ser compreendidas no contexto ao qual ocorreram, ou seja, é fundamental buscar os porquês que os levaram a elas. Aliás, caso queira compreender um pouco mais este assunto, sugiro os inúmeros textos publicados por aqui, por exemplo: a respeito do relatório de análise e sobre a necessidade de reconhecer a complexidade do jogo.

Pré-análise do adversário: quais jogos analisar?

Seguindo o texto, outra importante contextualização é acerca da pré-análise. Refletimos: será que é apenas pegar N jogos do adversário para analisar, não importando mais nada? As equipes se comportam sempre iguais, independentemente do adversário, da competição, de fatores climáticos, do mando de campo e de possíveis desfalques, por exemplo? Claramente que não. Então, antes de analisar o jogo, você deve buscar fatores coerentes e aproximados ao que se observará no jogo que sua equipe realizará diante deste adversário. Aliás, cabe incutir na análise fatores inerentes ao jogo, como as mudanças comportamentais induzidas por vantagens ou desvantagens no placar, por conta das possíveis substituições e também possíveis superioridades ou inferioridades numéricas provocadas por expulsões ou lesões após a última possível substituição.

Para encerrar, destaque o possível cenário encontrado no dia da partida. Por exemplo: onde ocorrerá o jogo e como estará o clima neste dia? A equipe mudou de comando ou está pressionada por algum motivo? Enfim, torne sua análise cada vez mais robusta, com informações relevantes que possam agregar informação de qualidade em sua análise.

O contexto no futebol: captação de jogadores

É bem provável que você já tenha participado de uma “peneira”, aquelas avaliações realizadas pelos clubes contendo centenas de crianças, adolescentes ou jovens, todos na expectativa de adentrar as categorias de base do clube. Além disso, caso já tenha participado, também já deve ter refletido acerca da metodologia de avaliação empregada nesta peneira que participou. Não é?

É sobre isso que se trataremos neste tópico. No entanto, não falaremos somente acerca das peneiras, mas sim, considerando todos os processos de captação de jovens jogadores. Neste cenário a contextualização se daria, de maneira inicial e já mencionada acima, em quais são os objetivos da equipe e as necessidades da categoria. Em contrapartida, além dessas questões, algo que se faz necessário quando tratamos de jogadores que nem sempre atingiram sua maturação plena: precisamos considerar o seu potencial de desenvolvimento, o próprio nível de maturação e as diferenças existentes devido à idade relativa. Logo, cada faixa-etária exige uma diferente metodologia de observação, conforme o seu desenvolvimento físico, cognitivo e potencial para desenvolvimento técnico-tático.

Ainda, para concluir, se tratando de jovens jogadores, os fatores referentes à adaptação no local, a influência do possível distanciamento dos familiares e as de cunho escolar, são fundamentais e devem ser incluídas nesse processo.

Concluindo, a generalização é possível?

Então, seria possível seguir a risca, sem a necessidade de adaptações, modelos de sucesso em outros clubes? Existe um molde genérico que vale para qualquer contexto e cenário? Essas questões ficam para a sua reflexão.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Saída de 3 no futebol

No texto de hoje abordaremos a saída de 3 no futebol. Até algum tempo atrás o mais comum era observarmos o time sair jogando com os dois zagueiros e dois laterais numa região mais recuada do campo (1ª fase de construção). No entanto, atualmente, muitas são as equipes que iniciam as suas jogadas ofensivas com a saída de 3.

O que é a saída de 3?

A saída de 3 no futebol é quando uma equipe irá iniciar a organização ofensiva na 1ª fase de construção com somente 3 jogadores. Vejamos a figura abaixo para compreender melhor.

Criada pelo autor usando o tactical-board.

As saídas de 3 mais comuns são executadas das seguintes formas (iniciamos pelo jogador mais à direita, depois o centralizado e, por último, o jogador situado à esquerda):

  • Zagueiro, volante e zagueiro;
  • Zagueiro, zagueiro e lateral esquerdo;
  • Lateral direito, zagueiro e zagueiro;
  • Volante, zagueiro e zagueiro;
  • Zagueiro, zagueiro e volante;
  • 3 zagueiros.

Antes de mais nada, vale ressaltar que não existem maneiras certas e erradas de realizar a saída de 3. Os jogadores envolvidos nesse momento precisam ter determinadas características, o que irá mudar de elenco para elenco.

Além disso, a saída de 3 possui características próprias. Vamos entender o porquê muitos times estão optando por usá-la.

Por que usar a saída de 3?

A saída de 3, em comparação a tradicional saída de 4 jogadores (2 zagueiros + 2 laterais),  visa utilizar menos jogadores na 1ª fase de construção, o que permite termos mais atletas no restante do campo. Além disso, como muitos times marcam com 2 atacantes, é uma forma de obtermos vantagem numérica na saída de jogo.

Mas, para que a saída de 3 seja eficaz, precisamos nos ater a alguns pontos importantes. Vamos a eles.

Zagueiro canhoto

Um detalhe importante para realizar a saída de 3 no futebol é ter um zagueiro (ou outro jogador) canhoto atuando pelo lado esquerdo. O simples fato de ter um jogador canhoto ou destro nessa posição pode mudar completamente a qualidade da construção. Isso porque, o jogador canhoto, quando recebe a bola do jogador centralizado, terá a opção de fazer o passe para o lateral esquerdo que está mais avançado, ou achar um passe entre linhas. Caso fosse um jogador destro atuando pelo lado esquerdo, essa ação ficaria dificultada, visto que ele precisaria ajustar todo seu corpo antes do passe, fazendo-o perder tempo.

Qualidade na diagonal longa

Outro ponto a ser destacado é a qualidade dos 3 jogadores na diagonal longa. Mas, o que é a diagonal longa? Em suma, a diagonal longa seria o lançamento de um dos defensores para um jogador do outro lado do campo. Vamos ao exemplo da figura abaixo.

Criada pelo autor usando o tactical-board.

Essa diagonal longa permite que, quando o time adversário estiver marcando compactadamente por um lado do campo, a bola chegue rapidamente ao lado oposto. Em outras palavras, o jogador que receber a bola terá menos adversários nessa região, podendo levar mais perigo ao gol adversário.

Qualidade na condução

Na saída de 3, muitas vezes, os defensores estarão em superioridade numérica. Dessa forma, é importante que, quando o jogador com bola estiver livre, ele consiga conduzir e criar espaços. Isto é, não necessariamente o atleta da saída de 3 precisa receber e tocar a bola para alguém mais à frente. Ele pode conduzir a bola e se somar aos homens à frente, sendo mais uma preocupação para a defesa adversária.

Característica do nº 5

Além dos 3 jogadores responsáveis pela saída de bola, é necessário que o jogador mais a frente (usarei como referência o nº 5), saiba jogar de costas para a pressão. Isto é, muitas vezes a bola sairá de um dos 3 defensores e chegará a esse 1º médio, que precisará receber de forma orientada, girar sobre seu marcador e dar continuidade a jogada. Caso ele não tenha essas características, a construção de jogo pode não fluir.

Desvantagens da saída de 3

Até agora falamos somente sobre os pontos positivos da saída de 3 e quais as características importantes que os jogadores que atuam nela devem conter. Mas, como tudo no futebol, há o lado positivo e o negativo. Então, a partir de agora, abordaremos as desvantagens dessa formação.

Transição defensiva vulnerável

Um dos principais pontos negativos é a transição defensiva quando perdemos a bola próximo aos 3 defensores. Afinal, como estamos construindo com menos jogadores atrás, quando perdemos a bola, temos menos jogadores atrás para defender. Assim, se os jogadores mais à frente não se comprometerem em recuperar a bola rapidamente, pode haver problemas defensivos.

Espaço pelos lados

Todos sabemos que o futebol é um esporte de tempo e espaço. Ou seja, quanto mais tempo e espaço tivermos, maiores as chances de chegar ao gol. Dessa forma, vemos que os espaços deixados no momento de atacar podem ser explorados pelo adversário. O principal espaço dessa formação está ligada aos corredores laterais. Isso ocorre porque, no momento de atacar, os laterais estarão projetados mais à frente. Vejamos o exemplo da figura abaixo para entender melhor.

Criada pelo autor usando o tactical-board.

A saída de 3 já é um marco do futebol atual. Portanto, nesse texto abordamos alguns pontos de como ela é estruturada, seus benefícios, características necessárias aos jogadores que atuam nela e quais as desvantagens que ela possui. Ainda nesse sentido, lembramos não haver certo e errado no futebol. Tudo dependerá de como o treinador imagina o jogo e quais os jogadores que ele tem à disposição.

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Por que os gols de falta no futebol estão diminuindo?

No passado, era comum os torcedores temerem alguns excelentes cobradores de bolas paradas. Afinal, Zico, Neto, Marcelinho Carioca e Rogério Ceni eram especialistas que tornavam as faltas em chances claras de gol. No entanto, atualmente, comemorar os gols de falta tornaram-se eventos cada vez mais raros no país do futebol.

O gráfico abaixo, evidencia a queda de 2011 a 2020 no campeonato brasileiro. Com exceção da edição de 2021, são 62% de gols a menos nos últimos 8 anos.

Diante disso, quem são os culpados por essa redução?

Diminuição na quantidade de infrações

Segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o jogo está cada vez menos faltoso, dado que, de 2015 a 2019, houve uma diferença de 130 faltas marcadas no Brasileirão. Uma das justificativas para isso, trata-se da evolução tática do jogo.

Conforme o livro de Israel Teoldo da Universidade Federal de Viçosa, a tática no futebol significa gestão do espaço. Dessa forma, os jogadores atuais administram o espaço onde se localizam de forma mais eficaz, proporcionando, portanto, melhores distâncias entre eu-companheiro (cobertura defensiva) e eu-opositor (contenção), para disputar a bola sem atraso e, consequentemente, evitar faltas involuntárias.

Evolução da barreira

Pesquisadores do Imperial College London, revelam o aumento de 4 cm na altura média de jovens brasileiros nos últimos 35 anos, devido, principalmente, a maior disponibilidade de alimentos e a menor exposição a doenças no ano de nascimento.

O crescimento mencionado acima também foi notado nas seleções brasileiras de 1970 a 2018. De 1970 a 1994, a altura média correspondia a 1,77cm. Já de 1998 a 2018, a mesma medida aumentou para 1,81cm.

Seguindo a mesma lógica evolutiva, uma análise realizada por quem vos escreve, observou um comportamento padrão positivo na barreira atual, que antigamente era pouco desempenhado.

No total, estudamos 60 cobranças de faltas, divididas em dois grupos com 30 gols em cada: finalizações antigas e finalizações atuais. Em 20 dos 30 gols realizados no passado, a barreira preferiu se manter estática. Entretanto, nas 30 cobranças atuais analisadas, a barreira optou 27 vezes pelo salto. Veja alguns exemplos no vídeo abaixo:

Mas, por que esse deslocamento não acontecia com tanta frequência?

Conversando com alguns preparadores de goleiros inseridos em clubes brasileiros, podemos concluir que antigamente era instruído para a barreira permanecer imóvel, pois quanto mais movimentos os jogadores realizavam, mais o guarda redes era prejudicado. A julgar pelas situações em que os atletas abrem a barreira e permitem o gol adversário.

No entanto, com o passar dos anos, verificamos que, quando devidamente coordenada para o salto, a barreira tende a ajudar o goleiro através de cabeceios. Desse modo, esses novos constrangimentos do futebol moderno dificultam a acurácia nas batidas, e consequentemente, resultam em menos gols de falta.

Prevenção de lesões

Muito se fala da interferência dos fisiologistas e preparadores físicos, perante as cobranças de bolas paradas após a sessão de treino. Afinal, essa intervenção se torna compreensível, após considerarmos a exigência física do jogo atual, somada com as viagens desgastantes em um calendário repleto de competições.

Enquanto na década de 70, o jogador profissional percorria de 4 a 7 km/jogo, o atleta atual se desloca entre 9 e 11 km/jogo, afirma o fisiologista do São Paulo F.C.

Portanto, o cuidado da comissão técnica precisa ser imposto para haver equilíbrio entre sobrecarga e volume no momento ideal da semana.

À vista disso, uma alternativa seria dividir a quantidade total de cobranças de faltas nos dias da semana, havendo uma baixa intensidade, mas com treinos constantes.

Contudo, em virtude do vasto conteúdo para ser abordado em tão pouco tempo, o técnico pode optar pelo treino de bolas paradas apenas um dia antes do jogo. Assim, a estratégia será convocar pelo menos 3 jogadores para praticar esse fundamento, visto que, a repetição alta poderá prejudicar o único cobrador daquele dia. Temos como exemplo o comentário do ex-jogador Neto, relembrando o treinamento de 70 cobranças diárias, mas sofrendo com lesões constantemente.

Avanço da tecnologia

Com o passar dos anos, métodos, equipamentos e softwares foram desenvolvidos de modo a corrigir os mínimos detalhes e garantir melhores performances. Cito a entrevista com o goleiro Weverton, conquistador do ouro olímpico de 2016, em que o pênalti defendido se deveu a um estudo dos analistas de desempenho para prever a batida do adversário.

Nesse sentido, a tecnologia facilita a antecipação de movimentos provocados pelos cobradores de bolas paradas, analisando, principalmente: pé dominante, biomecânica da finalização, velocidade do chute e canto preferido.

Portanto, assim como tudo na vida, o futebol também evolui. Dentro e fora de campo, as ciências do esporte contribuíram para um jogo mais desenvolvido nas últimas décadas. Basta assistir à uma partida de 40 anos atrás e, posteriormente, observar um jogo atual. Não há período melhor ou pior, cada contexto é único. Logo, seria injusto inserir parâmetros modernos no futebol mais longevo, e vice-versa.

Por que os gols de falta diminuíram?

Os tempos são outros e, com a influência contextual, as tendências vêm e vão. Hoje, vimos apenas alguns argumentos sobre a atual dificuldade de gols de falta, dentre eles: menor quantidade de infrações marcadas, evolução estrutural e técnica da barreira, cuidado com as lesões e avanço da tecnologia.

Os especialistas nessas cobranças estão sumindo, mas será que a especialidade passou a ser outra e você ainda não a enxergou?

Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

Fontes e Referências

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Selecao_Brasileira/0,,MUL1383500-15071,00.html

https://www.torcedores.com/noticias/2017/11/copa-do-mundo-brasil-10a-selecao-mais-baixa