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O sucesso de clubes no futebol

Sabemos que uma boa gestão é fundamental para o sucesso de clubes de futebol. Assim, os gestores precisam desenvolver um trabalho de forma responsável, de modo a alavancar o clube visando o futuro. Ou seja, uma boa gestão não significa realizar megas contratações e pagar salários altos, mas é necessário ter o entendimento da situação do clube. Os investimentos devem ser feitos conforme a capacidade financeira do atual momento do clube.

Nos últimos anos, as gestões de alguns clubes se tornaram profissionais, o que contribuiu muito para o sucesso deles. Em suma, isso faz com que as decisões sejam tomadas de maneiras mais assertivas, sem haver um grande endividamento. Essa profissionalização ajuda o clube a buscar bons resultados dentro e fora de campo.

O sucesso de clubes no futebol requer resultados dentro e fora de campo

Alguns clubes brasileiros entendem a importância da gestão profissionalizada e, há alguns anos, executam esse trabalho com maestria. Dessa forma, agora passam por bons momentos dentro de campo, além de ter controle dos recursos que o clube precisa para realizar um bom trabalho.

Flamengo

O clube passou por um período de reformulação devido a um grande déficit financeiro, dívidas altas e resultados ruins dentro de campo. Em 2013, Eduardo Bandeira de Mello assumiu o clube com o intuito de renegociar as dívidas e voltar a conquistar taças. Com o passar dos anos o clube conseguiu sanar as dívidas e começou a investir novamente em atletas para montar um time competitivo. O resultado da reformulação todo mundo conhece, um time cheio de craques, grandes patrocinadores, além de conquistas nacionais e internacionais.

Fortaleza

O Fortaleza é um grande exemplo de como uma boa gestão fora de campo pode contribuir para os resultados dentro dele. Isso porque em poucos anos o clube saiu da Série C do campeonato brasileiro para a Série A, chegando pela primeira vez a competições internacionais. Mesmo com a pandemia, o clube manteve as contas equilibradas e está entre os times com menores dívidas do Brasil. Dentro do campo, está prestes a se tornar o time nordestino com a melhor campanha no primeiro turno da Série A. 

Ceará

Assim como o rival, o Ceará é uma das referências quando se trata de boa gestão no futebol. O clube possui uma das menores dívidas do país, por isso, consegue passar pela pandemia de maneira exemplar. Tudo se deve a um grande trabalho de transformação que o clube passou: são 12 anos desde uma grande crise. Nesse período algumas dívidas foram renegociadas, usando o dinheiro para investir em estrutura e atletas. Isso resultou em conquistas dentro e fora de campo.

Dessa forma, fica claro como a gestão é extremamente importante para o sucesso de clubes no futebol. Através da profissionalização é possível (re)estruturar um clube e atingir o sucesso esportivo de maneira responsável. O sucesso dentro de campo é importante, mas, sem uma gestão adequada ele não será sustentado por muito tempo.

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Entendendo a SAF e o Clube-Empresa

A Sociedade Anônima do Futebol, mais conhecida como SAF, foi aprovada pela  Lei 14.193/2021. Com essa lei, o clube passa a ter o Futebol como uma instituição com fins lucrativos. Assim, caso haja outras modalidades no clube, elas não receberão o investimento que o futebol receberá.

Ao consolidar a SAF, o clube torna-se clube em formato empresarial, e a grande maioria dos estatutos dos antigos clubes associativos, buscam investidores legalmente aceitos que comprem no máximo 90% do clube. Os outros 10% são obrigatoriamente da parte associativa do clube, que não deixa de existir mesmo com a SAF.

Atualmente (em 2022), a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) é um dos temas mais comentados do futebol brasileiro, principalmente pela movimentação de alguns clubes. A motivação para se tornar clube-empresa é o interesse e entendimento dos gestores de que o clube deixará de ser associativo. Justamente esse ponto é o primeiro passo para se tornar SAF, separar clube social e futebol; e o segundo passo é identificar dívidas.

No final de 2021, já vimos as movimentações de clubes e investidores para iniciar o modelo clube-empresa no Brasil. O Cruzeiro e o Botafogo foram os primeiros clubes a oficializarem o modelo, comprados por Ronaldo Fenômeno e John Textor, respectivamente. Além deles, outros clubes já oficializaram ou manifestaram o interesse em seguir o mesmo caminho, como: Cuiabá, Coritiba, Figueirense, América-MG e Athletic-MG.

Qual a diferença entre SAF e Clube-Empresa?

Ao se transformar em Sociedade Anônima do Futebol o clube passa automaticamente a ser clube-empresa, porém um clube-empresa não necessariamente é SAF. Alguns clubes do Brasil já seguiam o modelo de clube-empresa mesmo antes da aprovação da Lei da SAF. 

Veja alguns exemplos de clube-empresa que já existiam no Brasil:

  • Red Bull Bragantino  – desde 2019 o time de Bragança Paulista-SP passou a receber investimentos da marca de energéticos. A parceria vem rendendo bons frutos para ambos os lados. No mesmo ano em que a parceria começou, o time paulista conquistou a Série B do campeonato brasileiro. Em 2021 foi vice-campeão da Copa Sul-Americana, e ficou em 6º lugar na Série A do Brasileirão, conquistando vaga na Libertadores. 
    Um ponto de destaque dessa parceria é que apesar da marca possuir grande poder aquisitivo, não faz altíssimos investimentos em jogadores. O clube prefere investir menos em jogadores mais jovens para revender depois ou transferir para clubes da mesma franquia. Além de oferecer diversas experiências aos sócios fazendo conexões com outras modalidades que também fazem parte do investimento da Red Bull.
  • Cuiabá – o time mato-grossense é gerenciado pela família Dresch desde 2009, que segue administrando o clube recebendo investimentos da Drebor. Empresa da própria família Dresch, que no clube optou por utilizar uma estrutura diferente em alguns setores. O clube não possui cargo de Diretor de Futebol, ele foi substituído pelo departamento de mercado, para observar e contratar jogadores.  
    O Cuiabá possui 21 anos de existência e em 2020 subiu pela primeira vez para a elite do campeonato brasileiro. Em 2021, fez um bom campeonato e permaneceu na primeira divisão. 

Será que SAF é a solução?

A SAF traz oportunidades para que haja mudanças na estrutura do futebol, e a possibilidade dos clubes serem mais organizados. Além disso, a SAF abre portas para novas oportunidades de mercados, principalmente por ser um modelo comum fora do Brasil. Com isso, é possível haver com mais facilidade a internacionalização dos clubes, com venda de produtos e até abertura de escolinhas. 

Apesar de haver certa euforia com a aprovação da SAF, o modelo não é a solução para os clubes serem vitoriosos. A lei é um meio para que os clubes consigam se reestruturar, porém, não vai mudar do dia para a noite.
O primeiro passo para dar certo no Brasil são os gestores mudarem a mentalidade e abrirem mão da maior parte do clube. O investidor tratará o clube como uma empresa, portanto buscará no mercado profissionais capacitados para gerir todas as áreas. A profissionalização do futebol, governança e gestão são os principais pilares para a mudança de um time, sendo ele associativo ou empresa. 

Entretanto, esse modelo não é garantia de sucesso, uma empresa mal gerida também acumula dívidas e inclusive pode levar à falência. Assim como a SAF, o modelo associativo com uma gestão séria, também pode gerar bons resultados dentro e fora de campo.

Botafogo e Cruzeiro

Os primeiros clubes a se movimentarem após a aprovação da lei da SAF, foram Botafogo e Cruzeiro, que já possuem investidores. Ambos oficializados em dezembro de 2021, o Botafogo vai receber investimento do americano John Textor, sócio do Crystal Palace da Inglaterra. Já o Cruzeiro tem como investidor Ronaldo Fenômeno, que atualmente é dono do Real Valladolid da Espanha. 

O Botafogo já possui registro de CNPJ, registro que toda empresa tem. Além disso, já anunciou nomes da diretoria e do conselho. Segundo o GE, John Textor terá direito aos 90% do clube-empresa permitido pela lei, os 10% permanecem com o Botafogo associativo. O  Botafogo SAF receberá R$ 400 milhões de investimento, diluídos da seguinte forma:

  • R$ 100 milhões à vista (na data de assinatura dos documentos).
  • R$ 100 milhões em até 12 meses.
  • R$ 100 milhões em até 24 meses.
  • R$ 50 milhões em até 36 meses.
  • R$ 50 milhões ao modelo associativo.

O Cruzeiro, que também já possui o CNPJ registrado, vendeu 90% dos seus direitos ao Ronaldo, os 10% permanecem no modelo associativo. Ronaldo fará um investimento de R$ 400 milhões nos próximos 4 anos. Através da SAF, o Cruzeiro terá 6 anos para quitar 60% da sua dívida, que chega a quase R$ 1 bilhão. Caso consiga atingir o objetivo, terá mais 4 anos para pagar o restante da dívida. 
Por fim, as punições esportivas permanecem as mesmas, pode haver perda de direito de contratar, de pontos ou de mando de campo. A gestão e o profissionalismo são sempre a solução para os times e gestores, seja como SAF ou associativo. 

Quais clubes no mundo deram certo com esse modelo?

No Brasil, o modelo clube-empresa ainda está engatinhando, mas na Europa, esse  modelo é muito comum e está presente na maioria dos clubes. Segundo um levantamento realizado pela consultoria EY, 92% dos clubes das cinco maiores ligas europeias funcionam como empresas. Alguns deles possuem até ações na bolsa de valores.

  • PSV – essa é uma relação histórica na Europa, a Philips e o PSV possuem anos de parceria. E o que muitos não sabem é que o nome do clube é Philips Sport Verening Eindhoven. 
  • Bayer Leverkusen – o time foi fundado pela empresa farmacêutica Bayer, que tem sede em Leverkusen e fundou o time após pedido dos funcionários. O time não possui outros investidores e todas as ações pertencem à Bayer. 
  • Manchester City – o time recebe cerca de 86% de investimento da Abu Dhabi United, e os outros 14% pertencem ao China Media Capital. Além disso, existe o Grupo City, onde clubes de outros países recebem investimentos e facilita a transferência de jogadores entre os clubes do Grupo.

Quais clubes deram errado?

Como citado anteriormente, a SAF não é a solução para os clubes brasileiros e inclusive pode levar à falência. O investimento não é sinal de que resultados dentro e fora de campo, eles precisam ser conquistados com o tempo. 

  • Figueirense – o time catarinense havia vendido 95% do clube para a empresa Elephant, o acordo de 20 anos foi rompido em 2 anos. A empresa foi acusada de desviar dinheiro do investimento, atrasou salários, não pagou comida e transporte para categorias de base. 
  • Parma – após a saída da Parmalat, que era a principal investidora do clube, o time italiano precisou declarar falência. A dívida que era na casa de R$ 200 milhões levou o time à Série D da divisão italiana. O time precisou se reerguer e atualmente disputa a Série B da Itália.

O que podemos esperar com esse novo cenário?

Portanto, com tudo o que foi trazido neste texto, é possível concluir que ser clube-empresa também tem seus prós e contras. O modelo não é sinônimo de sucesso dentro de campo e nem de resultados rápidos, ninguém vira vencedor do dia para noite.  

A tendência é que haja uma maior adesão dos clubes brasileiros ao modelo SAF. E além dos clubes, vai haver uma movimentação do mercado esportivo, principalmente pela chegada de investidores nacionais e internacionais. 

Apesar da expectativa por essas movimentações do mercado esportivo brasileiro serem boas, elas também devem ser cautelosas. O futebol brasileiro possui diversos problemas com o calendário e a falta de união dos clubes são um dos pontos negativos. Isso pode fazer os investidores repensarem ao ter interesse no Brasil e até optar por investir em outro país. 

O caminho ainda é longo, mas os primeiros passos já foram dados. Agora cabe aos profissionais do futebol aprimorarem seu conhecimento e investir na profissionalização, independente de ser clube-empresa ou associativo. Com profissionais especializados em cada área, a chance de sucesso dentro e fora de campo é maior. 

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Confira abaixo um episódio do Podcast sobre o assunto:

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Patrocinadores no futebol

É evidente que a pandemia afetou o faturamento dos clubes do mundo todo, principalmente pela falta de público nos estádios. Por isso, uma das poucas receitas não afetada é a de patrocínio, uma das principais fontes de receitas dos times brasileiros. Os patrocinadores no futebol sempre foram importantes e, no momento que vivemos atualmente, são imprescindíveis para os clubes.

Nos últimos anos, muitas empresas passaram a investir no futebol devido à sua grande audiência, fazendo as empresas terem muita visibilidade. Dessa forma, alguns clubes optam por ter um patrocinador exclusivo, já outros preferem um acordo com várias marcas. E, ainda nesse sentido, caso o clube conquiste algum título durante a parceria, lembrarão da marca com mais admiração, tanto os torcedores como a mídia.

Atualmente, existem marcas que investem em alguns clubes grandes do futebol brasileiro. Há parcerias que já duram anos e obtiveram grandes conquistas, já outras fecharam seus acordos recentemente e ainda estão na fase inicial.

Patrocinadores no futebol brasileiro

Flamengo e Banco de Brasília

O acordo entre Flamengo e BRB foi firmado em julho de 2020 e oficializado após a aprovação do conselho deliberativo. A parceria renderá cerca de R$ 35 milhões ao time carioca, além dos valores acordados ao atingir as metas pré estabelecidas.

Como resultado, o Flamengo tem sua marca estampada nos cartões pré-pagos e de débitos distribuídos aos clientes após o lançamento da plataforma digital. Os valores dessa parceria serão divididos igualmente entre as partes.

Apesar de pouco tempo, a parceria já está rendendo bons frutos para ambos os lados. O banco digital Nação BRB Fla alcançou a marca de 200 mil contas abertas, que representam 55% das contas do BRB.

Palmeiras e Crefisa

A parceria entre Palmeiras e Crefisa é umas das principais do futebol brasileiro nos últimos anos, começando em 2015 e durando até 2021. Durante esse período, a parceria obteve muitas conquistas, entre elas a Libertadores de 2020, uma grande obsessão para todos os palmeirenses.

O último anúncio relacionado ao acordo foi feito em 2019, com informação de valores pagos até o final de 2021. Serão pagos R$ 6,8 milhões relacionados a marketing e quase R$ 35 milhões de acordo com as metas atingidas.

Além do patrocínio, a Crefisa também aproveita para divulgar seus produtos em jogos do Palmeiras. Ou seja, a grande visibilidade do clube faz com que os produtos de seus patrocinadores sejam conhecidos por todos os torcedores.

Grêmio, Internacional e Banrisul

A dupla grenal possui o mesmo patrocinador há muitos anos, pois a marca opta por investir nos dois times igualmente. Isso se deve pela grande rivalidade que os clubes possuem, onde os torcedores dificilmente consomem produtos relacionados ao rival.

Os clubes recebem o mesmo valor de patrocínio e expõe a marca em duas posições diferentes, máster e manga da camisa. Assim, a dupla receberá cerca de R$12,8 milhões por ano de patrocínio máster, e R$ 3,8 milhões referente a manga da camisa. 

Dessa maneira, é possível concluir o quão importante são os patrocinadores para todos os times de futebol. A importância deles fica ainda mais evidente durante a pandemia, onde são quase a única fonte de receita dos clubes. É por isso que, uma boa gestão no futebol é fundamental no relacionamento com patrocinadores atuais, auxiliando também na captação de novos parceiros.

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Gestão e Patrocínio no Futebol

A gestão no futebol está relacionada a diversos setores e, por isso, é fundamental para o clube. Gestão e patrocínio obviamente também estão interligados. Portanto, a gestão e o patrocinador precisam trabalhar em conjunto, buscando sempre os mesmos objetivos dentro e fora de campo. Um bom planejamento contribui muito para que ambas as partes saibam quais são os melhores caminhos para atingir os objetivos traçados.

O fato da gestão ainda ser pouco profissional afasta alguns patrocinadores, pois eles não se sentem seguros para investir no clube. A profissionalização é importante para que ambos os lados tenham o entendimento de que o futebol também é um negócio. Com isso, também passarão a entender que o patrocínio não é somente a colocar a marca na camisa de jogo. As boas ativações fazem com que a marca tenha uma visibilidade melhor do que a que possuem no uniforme de jogo. 

A constante evolução do marketing esportivo nos últimos anos contribuiu muito para a evolução e profissionalização da gestão esportiva. Consequentemente, algumas empresas viram uma oportunidade no futebol para estar cada mais inserida no mercado e conhecida pelos fãs do esporte.

Gestão e patrocinadores: conquistar juntos

Uma boa gestão faz times serem vitoriosos, fazendo com que os patrocinadores dos clubes sejam sempre lembrados pela conquista. Muitos torcedores procuram consumir os produtos dos patrocinadores do seu time do coração, pois acreditam que estão ajudando seu clube. Assim, é fundamental que o clube e o patrocinador busquem diferentes maneiras de estarem cada vez mais perto do torcedor.

Gestão e patrocínio: Palmeiras é “case” de sucesso

Um bom exemplo de gestão e patrocínio é a parceria entre Palmeiras e Crefisa, que começou em 2015 e vai até 2021. A parceria obteve muitas conquistas nos últimos anos, entre elas a Libertadores de 2020, uma grande obsessão para todos os palmeirenses.

No início dos anos 90 a história do Palmeiras ficou marcada pela era Parmalat, que contou com 11 títulos em 9 anos. Bem como o século passado, o Palmeiras vem ganhando muitos títulos e conta com grande retorno financeiro. Porém, dessa vez, a empresa parceira é a Crefisa.

Além do patrocínio, a Crefisa também aproveita para divulgar seus produtos em jogos do Palmeiras. Como resultado, a grande visibilidade do clube faz com que os produtos de seus patrocinadores também sejam conhecidos pelos torcedores de outros times.

Por fim, é importante ressaltar que patrocinar um time de futebol pode valorizar muito a marca devido a sua visibilidade. E com uma gestão profissional é possível ter bons retornos financeiros, conquistando títulos e realizando ativações com os patrocinadores. Portanto, o patrocínio é uma das principais receitas dos clubes brasileiros e, se for bem explorado, renderá grandes retornos ao clube e aos torcedores.

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Gestão esportiva: evolução e bons resultados

A gestão esportiva é a coordenação das atividades que envolvem o esporte, precisando estar integrado em quase todas as áreas. O gestor precisa ter uma equipe multidisciplinar para conseguir liderar todas as pessoas das diferentes áreas ligadas à administração esportiva. Ou seja, é preciso entender o processo e ter uma boa relação entre as áreas para a transmissão de informação interna.

No Brasil, a gestão esportiva está em constante fase de evolução. Nos últimos anos muitos gestores se profissionalizaram para trabalhar nos clubes. Isso ocorreu porque os presidentes e diretores começaram a entender que, para ter um clube bem estruturado, é preciso ter uma boa gestão.

A gestão esportiva e os resultados

Uma boa gestão pode facilitar o caminho para obter bons resultados, já que o planejamento e a organização fazem parte da área. E, com isso, os gestores visam à melhoria dos processos para conquistar os objetivos esportivos, atendendo os desejos dos torcedores.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a gestão e o marketing não são a mesma função, elas se complementam, mas são distintas. Ou seja, a gestão visa coordenar de modo geral o clube, tanto as atividades, quanto de pessoas e projetos, já o marketing é focado no produto. Ele precisa desenvolver estratégias para atingir o seu consumidor e fazê-lo adquirir seu produto.

Assim como o marketing, a gestão também é muito importante para as categorias de base e para as escolas de futebol. O sucesso da base passa pela boa gestão do clube, que precisa gerir bem todas as categorias visando conquistar bons resultados. Com isso, os resultados da base influenciam no time profissional, considerando que os jogadores podem compor o elenco principal. Dessa forma, além de contribuir em campo, o clube pode ter um bom retorno financeiro com a venda de atletas da base.

Portanto, para ajudar os clubes a conquistarem bons resultados, a gestão é fundamental, apesar de a profissionalização ser recente. E, consequentemente, melhora a estrutura e atrai novos patrocinadores e torcedores, pois aumenta os resultados esportivos e financeiros.

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Como funciona o modelo Clube-Empresa?

O modelo de gestão utilizado pela maioria dos clubes sempre foi o associativo, onde muitos funcionários não possuem cargos remunerados. Além disso, pessoas de confiança do presidente e de conselheiros costumam ocupar esses cargos importantes, e muitas vezes nenhum deles possuem formação na área. Mas e como funciona o modelo de clube-empresa?

Por outro lado, dentre várias particularidades, no modelo clube-empresa prevê-se a ocupação e remuneração dos cargos por profissionais da área, além da possibilidade de renegociação de dívidas dos clubes. Além disso, no modelo clube-empresa os dirigentes sofrem penalidades em caso de irregularidades, o que não acontece no modelo associativo. E ainda, a gestão dos clubes pode assumir caráter de sociedade anônima ou limitada, com apenas um sócio ou com vários sócios investidores, e ainda pode conter ações na bolsa de valores.

Em novembro de 2019, a Câmara dos Deputados aprovou Projeto de Lei 5082/1, que incentiva a criação de clube-empresa. O projeto seguiu para o Senado Federal, entretanto a pandemia do Covid-19 atrasou o processo que deve retomar para votação ainda este ano. É importante ressaltar que caso haja a aprovação do projeto, os clubes não terão obrigatoriedade em adotar o novo modelo. Cada clube poderá optar pelo modelo que preferir e poderá mudar para o modelo de clube-empresa caso ache necessário.

Clube-empresa na Europa

Segundo estudos europeus, 96% de 202 clubes da primeira e segunda divisão das ligas europeias são clube-empresa. Alguns clubes europeus possuem um único dono, como são os casos do Bayer Leverkusen, RB Leipezig, Wolfsburg e Arsenal. Já outros clubes possuem mais de um sócio, como o Bayer de Munique, a Inter de Milão, o Manchester City entre outros.

Mas vale destacar que o modelo clube-empresa não necessariamente significa um sucesso do clube a mil maravilhas. Há décadas atrás a Fiorentina, da Itália, viu seu modelo ir à falência. O clube precisou se reerguer a partir da quarta divisão italiana, devido a uma gestão desastrosa que prejudicou o clube.

Por fim, é preciso entender que independente do modelo, o mais importante é que a gestão do clube seja a mais profissional possível. É por isso que Barcelona e Real Madrid são grandes exemplos de que modelos associativos podem ter boas gestões se forem profissionais.

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Confira um episódio do Podcast Ciência da Bola que fala sobre o assunto:

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Como funcionam os direitos de transmissão no futebol?

Os direitos de transmissão do futebol é resultado do acordo entre uma emissora de telecomunicação com clubes ou organizadores para transmissões dos jogos. No Brasil, a negociação dos direitos de transmissão são feitas individualmente por cada clube e por isso existe uma disparidade entre números de jogos transmitidos.

Segundo o artigo 42 da Lei Pelé, para a realização das transmissões as emissoras precisam ter um acordo com ambas as equipes. Caso não haja acordo com uma das equipes o jogo fica sem transmissão, mesmo que a outra equipe tenha acordo. No campeonato Brasileiro existem duas emissoras que possuem acordos com os clubes, a Globo e a Turner.

Nos modelos de distribuição das cotas da TV aberta e da TV fechada, os clubes fazem a divisão da porcentagem igualmente e duas porcentagens variáveis de acordo com o número de jogos transmitidos e a posição na tabela.

No mês de junho de 2020, o Presidente da República assinou uma Medida Provisória (MP) para haver mudanças nos direitos de transmissões existentes. Com isso, a negociação dos direitos de transmissão são feitas exclusivamente pelo mandante do jogo, com a liberdade de negociar como quiser.

Modelo Europeu nos direitos de transmissão no futebol

Diferentemente do Brasil, as principais Ligas Europeias possuem diversidade no modelo de negociação dos direitos de transmissão do futebol. Na maioria dos campeonatos, os direitos pertencem ao mandante, entretanto quem faz a venda são as ligas. E teoricamente, essa venda coletiva facilita o formato e a distribuição dos valores arrecadados.

O surgimento das plataformas de streaming também influencia nas negociações, considerando que são mais uma opção para a venda das transmissões.  

Por fim, no Brasil é preciso pensar no formato das transmissões, pois muitos têm dificuldades com determinados formatos. A TV aberta é de fácil acesso para muitos brasileiros enquanto que a TV fechada e o streaming exigem recursos financeiros. No streaming além do recurso financeiro é preciso internet e cerca de 25% população não tem acesso, isso representa em média 46 milhões de pessoas.

Confira um episódio do Podcast Ciência da Bola que fala sobre o assunto:

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O que é gestão no futebol?

A gestão em si é o ato de administrar e organizar as ações para que todos os objetivos traçados sejam atingidos. E no futebol isso não é diferente. Porque para que tudo ocorra bem nos 90 minutos de jogo, é preciso antes ter uma boa gestão no futebol.

Resumidamente, a gestão no futebol é a forma em que se conduz o clube em todos os setores. O papel da gestão é ser fiel às raízes do clube e melhorar ou manter uma imagem positiva no mercado esportivo. E para isso, é preciso ter uma boa administração geral e financeira para que o clube consiga se manter saudável. Portanto, deve-se evitar investimentos exagerados que possam se tornar déficit, e eventualmente comprometendo o futuro financeiro do clube a curto e médio prazo.

Gestão no futebol precisa de continuidade

Um dos pontos que dificulta a gestão dos clubes de futebol é a falta de profissionalismo e continuidade do próprio setor responsável por esta gestão. O trabalho precisar ser constante, visando fortalecer a imagem do clube. Assim é necessário profissionais engajados no crescimento da gestão.

Dessa forma, a boa gestão no futebol precisa estar inserida em todos os clubes independentemente do nível de expressão. A gestão também precisa estar inserida nas categorias de base, para que em todas as categorias os atletas tenham uma estrutura adequada.

Portanto, é possível desenvolver as boas gestões com o tempo, e claro, elas irão trazer boas conquistas fora e dentro de campo.

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Por que patrocinar um time de futebol?

De início, é preciso entender que patrocinar um time de futebol vai muito além de marcas no uniforme e placas no campo. Muitos clubes e empresas começaram a entender isso, e por esse motivo os investimentos em patrocínio vem crescendo nos últimos anos.

Enxergar além do que apenas uma exposição de marca é o motivo de patrocinar um time de futebol tem que ser. Ativar esse patrocínio com ações ligadas ao clube, de forma que gere uma boa experiência ao torcedor. Essas ações certamente valorizam a marca e fazem com que sejam lembradas facilmente pela torcida do clube.

Contudo, será muito relevante durante um bom período, a geração de valor no elo entre patrocinador, clube e torcida. Alguns exemplos muito conhecidos são o do Palmeiras com a Parmalat, Corinthians com a Kalunga e o São Paulo com a LG. Apesar de fazer muito tempo as marcas ainda são associadas aos clubes, é mais um dos motivos para patrocinar um time de futebol.

Oportunidades de patrocinar um time de futebol

Atualmente, os clubes e as marcas estão buscando estreitar essa relação com o torcedor, buscando realizar ações através das mídias digitais. Além da visibilidade nos jogos, hoje é muito importante o engajamento nas redes sociais. Explorar isso traz grandes retornos ao clube e patrocinador.

Dessa forma, patrocinar um time de futebol aumenta o valor da marca no mercado e atinge novos clientes, conseguindo aumentar seus lucros. O meio digital é uma grande oportunidade para o patrocinador interagir com os torcedores, e isso certamente gera uma lembrança de marca. Assim, faz com que os torcedores vejam aquele patrocinador com bons olhos, já que ele demonstra interesse em estar perto da torcida.

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Marketing em escolas de futebol

É mais comum ações de marketing envolvendo o time principal. Quase não se vê o marketing nas categorias de base. O fato do time principal dar um retorno financeiro maior para a instituição é um dos motivos para que isso aconteça. Porém, os clubes podem ver a base como um atrativo ou uma forma de engajar mais torcedores e atrair novos jogadores. Principalmente com o marketing em escolas de futebol.

Nesse sentido, mesmo os clubes de maior expressão possuírem maior poder aquisitivo, eles não realizam ações voltadas para o marketing em suas escolas de futebol. O marketing poderia ser utilizado como um recurso de captação de patrocínios também para a categoria de base. Além disso, poderia promover ações para aproximar os torcedores dos futuros craques, e com isso trazer um retorno a mais para o clube. Assim, as categorias de base se consolidariam importantes também para a formação dos atletas, onde surgem os grandes craques.

Como é o marketing em escolas de futebol?

A princípio, alguns clubes utilizam da internacionalização de marca para fazer com que as categorias de base sejam mais conhecidas dentro e fora do país. É possível através de ações ou jogos fora do país fazer com que cada vez mais pessoas sejam atraídas pelo clube. Assim como campeonatos mais atrativos e ações bem planejadas e executadas. Com isso os clubes podem ganhar mais recursos financeiros e consequentemente conseguir mais parceiros interessados em patrocinar a base.

Por fim, apesar de pouco explorado, o marketing em escolas de futebol necessita de mais interesse do clube. Porque se o clube demonstrar forte interesse, certamente os torcedores irão abraçar as categorias menores também. Algumas formas de impulsionar as categorias de base são o engajamento nas redes sociais do clube e ações antes dos jogos do profissional.

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