Estudo identifica riscos cerebrais em ex-jogadores de futebol

Um novo estudo evidenciou as preocupações sobre a saúde cerebral de jogadores de futebol aposentados. O estudo liderado por Mateus Rozalem Aranha da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e publicado este ano na Revista Arquivos de Neuropsiquiatria, mostrou que ex-jogadores podem sofrer sequelas cerebrais, devido a choques e repetidas cabeçadas durante suas carreiras no Futebol.

Os cientistas analisaram jogadores de futebol aposentados do sexo masculino, assim como um grupo de controle com pessoas da mesma idade e gênero. 19 ex-jogadores participaram do estudo e 20 homens não atletas (média 60 anos) com ausência de lesão cerebral traumática.

Eles fizeram testes neurológicos e de ressonância magnética cerebral, além de exames de imagem usando uma técnica que permite ver como o cérebro está funcionando e sua estrutura.

Os resultados foram surpreendentes: os ex-jogadores apresentaram um desempenho cognitivo pior em alguns testes e tiveram uma redução significativa no funcionamento cerebral em certas áreas, especialmente no lobo temporal (parte do cérebro responsável com recebimento de informações auditivas e memória). Os resultados sugerem que ex-jogadores de futebol aposentados apresentam redução no metabolismo glicolítico e volume da massa cinzenta, possivelmente relacionadas aos impactos repetitivos na cabeça durante a carreira esportiva.

As entidades estão se preocupando muito mais com os choques de cabeça nos últimos tempos, e a Copa do Mundo do Qatar foi revolucionária nessa questão. Além das 5 substituições que as seleções tinham direito ao longo da partida, o time teria direito a uma sexta substituição caso algum jogador saísse por concussão. Essa medida gradualmente deve se tornar marca registrada nas ligas pelo mundo.

Mais pesquisas são necessárias para entender completamente essas descobertas e se existe uma relação direta entre as cabeçadas no futebol e essas mudanças no cérebro. Espera-se que futuros estudos com mais participantes e análises mais detalhadas tragam mais luz sobre esse assunto.

Enquanto isso, fica claro que a saúde cerebral dos jogadores de futebol merece atenção e cuidados adicionais, especialmente para aqueles que tiveram carreiras longas no esporte.

Para entender melhor o estudo, acesse na íntegra por este link: https://www.scielo.br/j/anp/a/4XYbZrjMDSvtsnG398GdCmr/abstract/?lang=pt