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Futebol feminino x Futebol masculino: diferenças fisiológicas e nutricionais

Cada vez mais nos deparamos com a realidade de um futebol feminino em ascensão no cenário nacional e internacional, resultando no aumento de sua visibilidade. Dessa forma, nesse texto você ficará por dentro das diferenças fisiológicas e nutricionais em relação ao futebol feminino x futebol masculino.

Primeiramente, vale ressaltar que, por ser uma área ainda pouco explorada, profissionais que trabalham com o futebol feminino ainda precisam utilizar, na maioria das vezes, referências criadas para o público masculino realizando adaptações quando necessário.

Aspectos fisiológicos

A primeira diferença que podemos apontar é quanto ao gasto energético. Sabemos que há uma diferença metabólica entre os sexos feminino e masculino, que nos sugere um gasto energético de 5% a 10% menor nas mulheres. Podemos explicar tal diferença, principalmente, em razão do metabolismo masculino ser de 15% a 20% mais acelerado quando comparado ao feminino. Além disso, outros dois pontos também auxiliam nessa questão: a primeira é a parte hormonal; e a segunda é a maior quantidade de massa muscular nos homens.

Em um jogo de alto nível no futebol masculino, a FIFA aponta um gasto médio em torno de 1000 kcal em um indivíduo de 60 kg. Quando comparado ao futebol feminino, os números são um pouco menores, variando em média de 650 a 850 kcal. O gasto energético tanto em homem quanto em mulheres durante o jogo varia conforme a tática utilizada pelo time, pelo adversário, nível de treinamento do atleta, nível de dificuldade e importância do jogo, condições climáticas e posição de jogo.

Aspectos Nutricionais

Do ponto de vista nutricional, temos necessidades parecidas para ambos os sexos. Os dois indivíduos precisam de 7 a 10 gramas de carboidrato por quilo de peso, 1,4 a 1,7 gramas de proteínas por quilo de peso e um consumo de lipídeos igual ou inferior a 30% do valor total das calorias ingeridas ao dia. Assim, esses valores são padrões, sendo utilizados apenas como referência e, dependendo da necessidade individual de cada atleta, devem ser ajustados.

Com relação aos micronutrientes, damos atenção especial a exames, acompanhando-os de perto. Isso porque, devido ao nível elevado de suor frequente, atletas, independente da modalidade e do sexo, podem apresentar deficiências de alguns minerais. Em mulheres atletas devemos prestar mais atenção ao controle de ferro, já que, além da perda no esporte, ainda há a perda no período menstrual.

Em relação à hidratação temos a mesma recomendação, tanto para homem quanto para mulheres. Nesse sentido, o American College Of Sports Medicine (ACSM) recomenda ingestão de 500mL de líquidos nas duas horas que precedem a partida. Depois de iniciada, devem haver paradas frequentes para hidratação. Após o término do jogo, recomendamos que o volume de água perdido seja reposto em, no máximo, duas horas. É importante realizar uma ingestão diária em torno de 40mL para cada quilo de peso.

Algumas das estratégias nutricionais muito comuns de serem utilizadas em atletas femininas tem relação com as mudanças hormonais decorrentes do período menstrual. Além disso, o público feminino deve ter atenção redobrada quando o assunto é transtorno alimentar, visto que mulheres e atletas são compreendidos como grupo de risco para esses transtornos.

Futebol feminino x Futebol masculino

Nesse texto vimos algumas das principais diferenças do ponto de vista da nutrição em relação à atletas de um mesmo esporte, mas sexos diferentes. Portanto, ressaltamos a importância da realização de mais estudos e consensos quanto as recomendações e protocolos para o futebol feminino, de modo a maximizar o rendimento das atletas que vem cada vez mais ganhando seu espaço dentro desse esporte.

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Confira abaixo um episódio em nosso Podcast sobre o assunto:

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A nutrição no futebol infantil

A importância da nutrição no desempenho de atletas em diferentes práticas esportivas, incluindo o futebol, é incontestável. Entretanto, o papel da nutrição no futebol infantil não é tão valorizada quanto deveria, visto que é de suma importância para o bom desenvolvimento e desempenho das crianças. Uma nutrição correta na infância contribui essencialmente para as fases futuras, não só dentro do esporte, mas para uma boa qualidade de vida.

Por que incentivar a nutrição no futebol infantil?

Crianças e jovens geralmente tendem a se importar menos com a qualidade da sua alimentação, assim como o impacto e as consequências que a dieta tem no seu cotidiano. O metabolismo de crianças é mais intenso que o de adultos e, com isso, o gasto energético, principalmente para jovens atletas, é muito grande. Dessa forma, no futebol infantil é necessária uma nutrição de qualidade, contendo a quantidade de nutrientes suficientes para satisfazer todas as necessidades do organismo.

Além disso, a carência de nutrientes pode acarretar inúmeros problemas no desenvolvimento físico e até mental dos jovens, incluindo maior suscetibilidade às patologias, baixa estatura, que pode atrapalhar muito na realização da prática futebolística e acarretar perda de performance.

Composição de uma boa dieta para atletas infantis

Para satisfazer a demanda energética do organismo, a composição da dieta de um jovem jogador de futebol deve conter um balanço de macro e micronutrientes, acompanhado de uma hidratação adequada.

Hidratação

A perda de água através do suor é o meio mais efetivo do corpo em liberar calor produzido pelo organismo. Em atividades físicas intensas como o futebol, nosso corpo perde muito líquido pelo suor, sendo necessário a hidratação antes, durante e depois da atividade, a fim de repor a quantidade de água perdida. Ainda nesse sentido, crianças tendem a produzir mais calor por unidade de peso, quando comparado ao adulto. Portanto, julga-se indispensável uma boa hidratação dos jovens atletas, inclusive durante as atividades, como o treino nas escolinhas.

Macronutrientes

A fonte de energia para o atleta são os macronutrientes, sendo, basicamente, divididos entre carboidratos, proteínas e lipídeos.

Os carboidratos devem ser abundantes na dieta para atletas de futebol infantil, sendo esses o principal fornecedor de energia para uma atividade esportiva. Atletas mirins possuem menos reservas de glicogênio que adultos e, com isso, a ingestão de carboidratos deve ser correta e abundante. Em outras palavras, caso não for feita uma ingestão de qualidade de carboidratos antes de uma atividade física com alta demanda energética, os estoques de glicogênio ficarão vazios, acarretando sucessiva perda de desempenho.

Em relação a proteínas, crianças atletas devem possuir um balanço positivo de proteína no organismo. Esse aporte proteico em crianças deve ser maior que para adultos. Isso porque, além da quantidade necessária para recuperação muscular pós-atividade física, seja treino ou jogo, também é necessária uma quantidade direcionada para o desenvolvimento normal do corpo, que ainda está em formação. Deficiência de proteínas para atletas de futebol infantil pode acarretar problemas na estatura e peso corporal.

Em relação aos lipídeos, seu consumo é importante para atividades físicas de longa duração, sendo importante manter um consumo adequado de fontes boas desse macronutriente.

Micronutrientes

O bom desenvolvimento infantil está completamente ligado a ingestão correta de inúmeros micronutrientes, tais como zinco, cálcio, ferro, sódio, potássio e vitaminas. Para crianças praticantes de futebol, é necessário a manutenção de uma dieta balanceada de micronutrientes, principalmente os citados acima. 

  • O cálcio está ligado a manutenção e crescimento dos ossos. Desse modo, a deficiência em cálcio é perigosa para atletas infantis, em que aumenta o risco de lesões ósseas na atividade física.
  • O ferro se associa ao transporte de oxigênio nas células sanguíneas por todo o corpo, incluindo para os músculos. Assim, mostra-se a importância do ferro na alimentação de atletas infantis, que necessitam de um transporte eficiente de oxigênio efetivo durante a atividade física. Sua deficiência acarreta perda de desempenho do atleta mirim.
  • Já o zinco relaciona-se com a defesa imunológica do organismo e síntese proteica, em que sua deficiência pode ocasionar problemas no sistema imunológico da criança.
  • Sódio e potássio são dois minerais de extrema importância para o organismo. O primeiro é importante para a manutenção do equilíbrio hídrico normal do corpo. Já o segundo ajuda a manter o funcionamento normal de células, músculos e nervos. Ambos podem ser perdidos no suor, resultando em queda de desempenho pelo atleta.

Atenção na dieta de crianças

É importante ressaltar que, nessa fase, a nutrição no futebol infantil não deve exigir nenhuma meta do atleta ou realizar qualquer tipo de restrição alimentar. Mas deve, sim, ofertar a maior variedade de alimentos possível ao jogador, de modo a formar seu paladar e moldar bons hábitos alimentares. Além disso, a nutrição infantil deve explicar sobre a importância de pratos coloridos e equilibrados nutricionalmente, visando um desenvolvimento saudável.

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A nutrição no futebol profissional

Considerada um dos pilares para o desempenho esportivo, a nutrição no futebol já conquistou seu espaço. Sendo assim, a partir de hoje convido você praticante do esporte, curioso ou entusiasta da área, a entender um pouco mais sobre a nutrição no futebol.

Primeiramente, falaremos um pouco sobre o sistema energético no futebol de campo e a necessidade dos nutrientes presentes na alimentação de um jogador. 

O que é bioenergética (Macronutrientes)

Resumidamente, a bioenergética, nesse contexto, significa saber qual o melhor combustível, ou seja, o melhor nutriente/alimento para o tipo de exercício físico que será realizado. Além do volume, entende-se que a intensidade vem a ser o fator determinante de escolha do sistema energético pelo seu corpo para uma atividade em específico.

No grupo dos macronutrientes, possíveis fontes de energia ao longo do jogo, temos:

Carboidratos

Em atividades com esforços de alta intensidade e explosões, como é o caso do futebol, faz-se indispensável a presença deste macronutriente. Bons estoques de glicogênio (forma de armazenamento do carboidrato nos músculos e fígado), evidenciam uma melhora bastante significativa do desempenho. Dessa forma, o jogador de futebol deve ter seu cardápio formado por 70% ou mais de carboidratos.

Proteína

Ao término de uma partida, o estado muscular dos atletas passa por um processo inflamatório. Sendo assim, iniciamos a recuperação para que possamos contar com o jogador em sua melhor forma no jogo seguinte. Portanto, as proteínas são fundamentais para reparar os danos musculares sofridos durante o jogo.

Lipídeo

Além de auxiliar no sistema imune, as gorduras são importantes fontes de energia, principalmente em atividades físicas de longa duração.

Além dos macronutrientes, temos também os micronutrientes, que são essenciais para promover um bom desempenho em campo, apesar de não serem mobilizados como energia. Abaixo falaremos sobre alguns pontos que devem ser observados quanto aos micronutrientes.

Micronutrientes

Quando tratamos de indivíduos não-atletas, ofertamos os micronutrientes, como vitaminas e minerais, em quantidades adequadas para uma dieta saudável e equilibrada, salvo algumas exceções. Porém, é necessária uma atenção maior em indivíduos atletas, devido a alguns pontos essenciais:

  • Os atletas precisam ter uma ingestão mais regrada e isolada. Os suplementes surgem para auxiliar na rotina corrida e severa. Em alguns casos, essa rotina pode levar o indivíduo a não realizar algumas refeições, algo que desfavorece a oferta de vitaminas;
  • Suor excessivo que pode gerar deficiência de alguns minerais;
  • Não ingestão da quantidade adequada de água, que, normalmente, é significativamente acima da média de indivíduos normais.

Dessa forma, estar atento a exames com dosagens de vitaminas e minerais é fundamental para contribuir com o rendimento de jogadores de futebol, visto que, tanto a falta quanto o excesso podem causar prejuízos ao organismo.

E, por último, mas não menos importante,  citaremos a hidratação como fator determinante para um bom desempenho em campo:

Água

Os nutricionistas esportivos devem olhar com bastante cuidado para a hidratação, pois, dependendo do nível, o praticante do esporte poderá estar perdendo de 20% a 30% de performance relacionada à diminuição da capacidade motora e cognitiva. Além disso, também pode haver diminuição da capacidade de concentração, aumento da percepção do cansaço e as indesejáveis câimbras. Portanto, o atleta deve ingerir a quantidade de água pré-estabelecida em cálculos minuciosos.

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